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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

CARTÃO VERMELHO

O não de Biden a um negócio bilionário: por que o presidente dos EUA barrou a compra da U.S. Steel pela japonesa Nippon Steel; ações despencam na bolsa

A decisão bloqueia uma transação avaliada em US$ 14,9 bilhões e que havia sido anunciada no final de 2023

Carolina Gama
3 de janeiro de 2025
12:13
O presidente dos EUA, Joe Biden, sentado e apoiado em uma mesa, com uma caneta na mão, pensativo
O presidente dos EUA, Joe Biden - Imagem: Flickr Casa Branca

O presidente dos EUA, Joe Biden, deu um cartão vermelho nesta sexta-feira (3) a um acordo bilionário: ele barrou a compra da U.S. Steel pela japonesa Nippon Steel. O resultado do veto é visto na bolsa de Nova York: as ações da siderúrgica norte-americana caem mais de 6%.

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Embora a reação do mercado seja significativa, a decisão de Biden não pegou ninguém de surpresa. Diversos veículos da imprensa norte-americana vinham adiantando nos últimos dias que o negócio não passaria pelo crivo da Casa Branca. 

A decisão bloqueia uma transação avaliada em US$ 14,9 bilhões e que havia sido anunciada no final de 2023.

Por que Biden vetou o negócio?

O veto de Biden veio por meio da emissão de um decreto nesta sexta-feira (3). O argumento do governo é proteger a segurança nacional dos EUA. 

“Como eu disse muitas vezes, a produção de aço e seus trabalhadores são a espinha dorsal da nossa nação”, ele disse em nota. 

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“Uma forte indústria de aço de propriedade e operação doméstica representa uma prioridade essencial de segurança nacional e é crítica para cadeias de suprimentos resilientes”, acrescentou.

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Biden já havia sinalizado oposição ao negócio várias vezes ao longo do último ano, sob o argumento de que a venda poderia eliminar empregos de norte-americanos. 

Donald Trump, que toma posse no dia 20 deste mês, também expressou opinião similar.

"A U.S. Steel continuará a ser uma orgulhosa empresa norte-americana — de propriedade norte-americana, operada por norte-americanos, por trabalhadores siderúrgicos sindicalizados norte-americanos — os melhores do mundo", disse Biden na nota.

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Um acordo cheio de viés político

O acordo que colocou Biden e Trump do mesmo lado tem sido politicamente carregado desde que foi anunciado, em dezembro de 2023.

De lá para cá, o negócio vinha provocando uma agitação política bipartidária em torno do controle estrangeiro de um componente essencial ao poderio industrial dos EUA.

No final do mês passado, o Comitê para Investimento Estrangeiro nos Estados Unidos (CFIUS) notificou Biden de que não havia chegado a um consenso sobre se a venda da US Steel para a Nippon representaria ou não um risco à segurança nacional, deixando a decisão para o presidente norte-americano. 

O sindicato United Steelworkers se opôs fortemente ao acordo desde o momento em que foi anunciado, argumentando que a Nippon não deu garantias suficientes de que protegeria empregos em algumas das plantas mais antigas da empresa.

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Especialistas dizem, no entanto, que bloquear o acordo pode ser politicamente popular internamente, mas pode afastar o investimento estrangeiro em outras empresas dos EUA.

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