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CASAMENTO DE GIGANTES

BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3) se unem para criar MBRF. E agora, como ficam os investidores com a fusão?

Anos após a tentativa de casamento entre as gigantes do setor de frigoríficos, em 2019, a nova combinação de negócios enfim resultará no nascimento de uma nova companhia

Marfrig BRF Logo
Logos da Marfrig e da BRF. - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Um novo gigante acaba de surgir no mercado de proteínas — a partir da união outros dois grandes players do mercado brasileiro. A Marfrig (MRFG3) e a BRF (BRFS3) anunciaram nesta quinta-feira (15) a fusão de seus negócios.

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“A fusão entre a Marfrig e a BRF é um movimento necessário para que possamos avançar com capturas de sinergias estratégicas e continuar crescendo nossos negócios em todo o mundo”, disse Marcos Molina, controlador e presidente dos conselhos de administração das duas companhias, em nota.

Anos após a tentativa de casamento entre as gigantes do setor de frigoríficos, em 2019, a nova combinação de negócios enfim saiu do papel.

A operação resultará no nascimento de uma nova companhia, batizada de MBRF.

A transação ainda deverá passar pela aprovação dos acionistas dos dois frigoríficos. As assembleias gerais extraordinárias (AGEs) das empresas para votação da proposta foram convocadas para 18 de junho.

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Além disso, a fusão também está condicionada à ausência de eventos adversos relevantes que possam afetar a capacidade produtiva ou de comercialização da Marfrig e da BRF, como guerras e desastres naturais.

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Fusão entre gigantes: o que esperar da nova MBRF?

Depois de anos de discussão sobre uma eventual fusão entre as gigantes, a BRF e a Marfrig chegaram à conclusão de que "extraíram o máximo de sinergias possíveis até o momento".

Agora, para avançar para uma nova etapa de capturas adicionais, a combinação de negócios é dita pelas administrações como essencial.

De acordo com as empresas, a operação consolida a nova companhia MBRF como uma das maiores empresas de alimentos do mundo, detentora de 38% do volume de vendas proveniente de produtos processados com alto valor agregado.

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Combinadas, as empresas somam uma receita líquida consolidada de R$ 152 bilhões nos últimos 12 meses, com presença em 117 países e com marcas como Sadia, Perdigão e Qualy figurando no portfólio.

Segundo as companhias, esse movimento "fortalece a presença global, potencializa sinergias estratégicas, operacionais e fiscais e solidifica a posição de liderança nos diversos mercados onde atuam, alavancando vantagens competitivas do negócio e gerando valor".

Como ficam os investidores da Marfrig e da BRF?

A transação prevê a incorporação das ações da BRF (BRFS3) pela Marfrig. A relação de troca se dará da seguinte forma: 0,8521 ação da Marfrig por cada ação da BRF detida.

Com a fusão, a BRF passará a ser uma subsidiária integral da Marfrig, que seguirá listada no Novo Mercado, o mais elevado segmento de governança corporativa da B3.

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As empresas ainda destacam que, como parte da negociação, os acionistas das duas companhias deverão ser beneficiados com um "expressivo pagamento de proventos".

A BRF distribuirá até R$ 3,52 bilhões em proventos, enquanto a Marfrig depositará R$ 2,5 bilhões na conta dos investidores. 

“Mantendo a disciplina financeira e o nosso foco em valor agregado, estou certo de que estamos iniciando um novo capítulo de sucesso com a MBRF. Vamos seguir gerando ainda mais valor para os nossos acionistas", disse Marcos Molina.  

Mas a operação também abre espaço para que acionistas dissidentes exerçam seu direito de retirada. Isso significa que o investidor que não votar a favor da incorporação das ações BRFS3 pela Marfrig e mantiver os papéis desde hoje poderá pedir um reembolso.

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Veja os valores:

  • Acionistas da BRF:
    • R$ 9,43 por ação, com base no patrimônio líquido; ou
    • R$ 19,89 por ação, considerando o valor patrimonial por ação com base no laudo previsto no artigo 264 da Lei das S.A.
  • Acionistas da Marfrig:
    • R$ 3,32 por ação.

As sinergias da fusão entre BRF e Marfrig

A expectativa é que os custos totais da fusão girem em torno de R$ 24 milhões, considerando despesas com auditores, assessores legais e financeiros e outros gastos.

No entanto, nas contas das empresas, as sinergias resultantes da combinação de negócios entre a BRF e a Marfrig são projetadas em R$ 805 milhões por ano. Desse total, entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões estão previstos para os primeiros 12 meses e, o restante, no médio e longo prazo. 

Considerando as receitas e custos, novas iniciativas de venda cruzada e sinergias na cadeia de suprimentos devem somar R$ 485 milhões por ano.

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Além disso, as empresas projetam uma queda de despesas de R$ 320 milhões anuais, dadas as iniciativas de redução de custos como a unificação de estrutura comercial e logística, consolidação de um sistema operacional único e otimização da estrutura corporativa.  

Outro ponto citado é a otimização fiscal para a MBRF, estimada em cerca de R$ 3 bilhões a valor presente, com aceleração da monetização de créditos tributários nas esferas federal e estadual.

A MBRF também destaca a oportunidade na América do Norte, citada como uma "possibilidade de redomiciliação". "Isso traz vantagens significativas, como alta liquidez no mercado norte-americano, acesso a custos de capital mais atrativos e um potencial reavaliação dos múltiplos das empresas", escreveu a empresa. 

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