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Com capex de R$ 70 bilhões até 2029 e turnaround em curso, a Sabesp mira expansão e pode se consolidar como protagonista no setor de saneamento
Os analistas do Itaú BBA colocaram a Sabesp (SBSP3) sob a lupa e gostaram do que encontraram. O relatório divulgado nesta semana aponta que a companhia deve intensificar seu ciclo de investimentos, com um plano de R$ 70 bilhões até 2029.
Esse movimento, aliado a resultados operacionais acima das expectativas do mercado, sustenta um cenário otimista. O ponto que ainda falta é a revisão da tarifa de água e esgoto, prevista para 2026.
O banco elevou o preço-alvo da ação de R$ 132,20 para R$ 147,10 e manteve a recomendação de compra.
No pregão desta quinta-feira (21), por volta das 15h, os papéis da companhia avançavam 1,3% na B3. No acumulado de 2025, a valorização já passa de 32%.
O otimismo dos analistas se apoia no ritmo acelerado de crescimento da Sabesp. Quase metade do plano de capex de R$ 70 bilhões até 2029 já está contratado. O Itaú BBA acredita que a empresa tem condições de cumprir a meta de universalizar o acesso à água e ao saneamento básico no estado de São Paulo.
“Vemos a Sabesp como potencial consolidadora no segmento de saneamento, dada sua forte posição de balanço e vantagens competitivas”, escreveram os analistas.
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O próximo gatilho para a Sabesp é o reajuste das tarifas de água e esgoto em São Paulo, em vigor a partir de janeiro de 2026.
A agência reguladora do setor no estado (Arsesp) tem até setembro para confirmar o valor da “base de ativos” (o patrimônio que serve como referência para calcular a tarifa) e até o início de dezembro para divulgar a tarifa final. Existe a possibilidade de uma nota técnica preliminar, mas não é uma certeza.
“Acreditamos que a divulgação dos números do reajuste será crucial para reduzir incertezas e dar mais visibilidade ao mercado sobre a nova metodologia”, destacaram os analistas.
Por ora, com as informações disponíveis, o Itaú BBA projeta a nova tarifa com base na média das bases regulatórias de 2023 e 2024, ajustada pelo IPCA (indicador que mede a inflação oficial) de 2025.
De forma conservadora, o banco também considera que os investimentos de 2025 só começarão a ser remunerados em 2027. Nesse intervalo, a Sabesp mantém o foco em projetos estruturais, como a ampliação de estações de tratamento de esgoto, que devem levar cerca de dois anos para serem concluídos.
O processo de turnaround da Sabesp surpreendeu os analistas. O relatório aponta que a companhia adotou uma série de medidas para ganhar eficiência, tanto no controle de custos quanto na geração de receitas, e os efeitos já aparecem nos resultados trimestrais.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) superou com folga as expectativas nos últimos trimestres, em especial no 2T25. As despesas operacionais recorrentes, excluindo inadimplência, caíram 15% em relação ao ano anterior e acumulam recuo de 12% no primeiro semestre.
A companhia também deve disputar de forma competitiva os próximos leilões de saneamento, apoiada no caixa robusto e na experiência adquirida na maior concessão do estado de São Paulo.
O programa UniversalizaSP, previsto para ir ao mercado até meados de 2026, oferece quatro blocos fora da área atual da Sabesp e desponta como a principal vitrine de expansão.
Com esse cenário, a expectativa dos analistas é de que a Sabesp aproveite o momento positivo para se consolidar como protagonista na disputa por novos contratos.
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