O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
O sócio-fundador da primeira venture capital de impacto do país conta como o setor vem se desenvolvendo, quem investe e os principais desafios para a sua democratização
O investimento de impacto no Brasil teve início tímido por volta de 2009 e, embora tenha avançado, o ritmo ainda é considerado aquém do esperado.
Daniel Izzo, sócio e cofundador da Vox Capital — a primeira gestora de venture capital de impacto do país, hoje com R$ 1,5 bilhão sob gestão —, explica que o setor enfrenta desafios estruturais, mas também vive um momento de maior atenção.
“O desenvolvimento vem sendo mais lento do que a gente desejava lá atrás, mas não coloco a responsabilidade no fato de o brasileiro ter menos preocupação [com o tema], mas sim pelas conjunturas”, afirma Izzo.
O gestor aponta como uma das razões a histórica alta das taxas de juros no país, que prejudica o desempenho de ativos alternativos, como os fundos de impacto.
Além disso, segundo ele, o mercado brasileiro ficou preso por muito tempo a um cenário de capital concentrado e instabilidade política. Em outras palavras, havia pouco capital disponível para negócios de impacto, e ele estava nas mãos de poucos players — bancos tradicionais, fundos institucionais e algumas famílias muito ricas. E este capital priorizava ativos tradicionais e de baixo risco, especialmente no cenário de juros altos.
Izzo também chama a atenção para o debate internacional que reposicionou o investimento de impacto de uma classe de ativos isolada para uma estratégia aplicável a qualquer categoria de investimentos.
Leia Também
“Em 2010, um relatório do JP Morgan classificou o investimento de impacto como uma classe de investimento emergente. Por ser basicamente equity e dívida para pequenos empreendedores e mercados emergentes, o banco defendia que se tratava de uma classe de ativos separada. [Essa ideia] dura até meados de 2015, quando estudos começam a argumentar que impacto é uma estratégia que pode ser aplicada a qualquer classe de ativos”, resume.
Essa mudança de perspectiva, segundo Izzo, fez disparar o tamanho da prática no mundo: de US$ 40 bilhões em investimentos de impacto em 2015 para US$ 1,2 trilhão (cerca de R$ 6,7 trilhões) em 2021, segundo estimativas do Global Impact Investing Network (GIIN) — uma iniciativa global focada em construir infraestrutura crítica e apoiar atividades, educação e pesquisa que ajudam a acelerar o desenvolvimento do setor de investimento de impacto.
De acordo com Izzo, o ecossistema nacional conta hoje com fundos como Positive Ventures, Rise Ventures e Movi Investimentos.
No campo internacional, o gestor menciona nomes como Blue Like an Orange, focada em crédito, e Lightrock, ligada à família real de Liechtenstein, um pequeno principado localizado entre a Suíça e a Áustria.
Também há iniciativas relevantes como Dynamo, Sitawi, BTV, Yunus Social Business e aceleradoras como a Artemisia.
O gestor destaca ainda que no Brasil, mais do que no restante do mundo, há uma concentração maior dos investimentos de impacto em venture capital e private equity, algo em torno de 75% a 80% do volume total — globalmente, gira em torno de 35% a 40%.
“Faltam opções de outras classes de ativos hoje no Brasil [como fundos e títulos de impacto, investimento anjo ou direto em startups, por exemplo], tornando o investimento de impacto mais nichado do que os ativos alternativos. Estamos falando de investidores profissionais, um universo bem mais restrito”, explica.
Ao analisar o perfil dos investidores, Izzo destaca o protagonismo das corporações e dos family offices.
“Hoje, em termos de volume de investimentos, 40% do que a gente faz de gestão na Vox é de corporações, 40% são family offices e 20% de institucionais, como BNDES e BID”, explica Izzo, citando como exemplo os fundos exclusivos para o Hospital Israelita Albert Einstein, a Natura, a Copel e o Banco do Brasil.
Na prática, isso significa grandes empresas e famílias de alta renda interessadas em diversificar seus investimentos e associá-los a impacto positivo.
Além das altas taxas de juros, Izzo destaca o preconceito que ainda ronda os investimentos de impacto, em especial em relação aos gestores, de que “se tem impacto, não vamos cuidar bem do dinheiro”.
De acordo com ele, não há dados que justifiquem essa percepção — mas as críticas são assimétricas.
“Se um fundo tradicional vai mal, ninguém fala nada. Mas se um fundo de impacto performa abaixo, a cobrança é desproporcional”, lamenta.
Para ampliar o acesso aos investidores de varejo, a Vox tem desenvolvido produtos mais acessíveis, como fundos de renda fixa com investimentos a partir de R$ 100.
Um exemplo é o VOX Desenvolvimento Sustentável IS, disponível em plataformas de bancos como o BTG Pactual, que investe em debêntures de empresas alinhadas às metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e adota uma metodologia de triagem negativa — vetando empresas envolvidas com sonegação, trabalho escravo, racismo, entre outros.
“O fundo entrega 105% do CDI historicamente e é uma forma de tornar o impacto mais acessível ao investidor comum”, explica.
“Estamos desenvolvendo outros produtos semelhantes, em outras classes de ativos. Claramente, o caminho é ter mais opções acessíveis de investimento”, defende.
Entre os exemplos bem-sucedidos, Daniel Izzo destaca a trajetória da Celcoin, fintech que surgiu em 2018 — e virou investida da Vox no mesmo ano — para democratizar o acesso a serviços financeiros em regiões desbancarizadas.
A Celcoin criou um aplicativo no qual as pessoas podiam fazer transações simples, como pagamento de contas e recarga de celular, e disponibilizou especialmente para microempreendedores em cidades com pouco ou nenhum serviço bancário.
Atualmente, o aplicativo é utilizado em mais de 3 mil cidades do Brasil — mais que agências bancárias e lotéricas — e realiza mais de 5 milhões de transações por mês, segundo Izzo.
Além disso, a Celcoin fornece infraestrutura para fintechs e bancos digitais fora dos cinco grandes players tradicionais, como BTG, Banco Inter, C6, PagBank e XP.
“A gente investiu neles quando faturavam R$ 5 milhões por mês. Hoje, estão faturando mais de R$ 400 milhões, valendo mais de R$ 1,5 bilhão”, celebra.
A relação da Vox Capital com as empresas investidas vai além do capital.
Segundo Izzo, nos fundos de VC, a gestora tem sempre assento no conselho, atuando na governança. Contudo, ele enfatiza que a maior geração de valor da Vox se dá em cinco frentes:
“A gente faz sempre uma teoria de mudança: pega o produto ou serviço da empresa e mapeia como aquilo gera impacto, com indicadores para acompanhar ao longo do tempo”, explica.
Essa metodologia, segundo Izzo, permite avaliar o impacto não como algo apartado, mas como parte do core business da operação.
Daniel Izzo acredita que a segregação do impacto em uma caixinha específica é um problema.
“Quando eu falo que existe o grupo ‘investimentos de impacto’, estou liberando as outras gestoras de se preocuparem com o impacto dos seus investimentos”, argumenta.
Para ele, o futuro passa por incluir a análise de impacto junto a risco e retorno em qualquer decisão de investimento.
“Assim como há 60 anos se incorporou o conceito de risco no mercado financeiro, agora a gente está na fronteira de colocar o impacto [em todas as análises de investimento] e expandir o conceito de legado”, afirma.
Izzo cita o exemplo do coordenador de um curso de investimento de impacto na Universidade de Oxford — no qual ele é professor — que está desenvolvendo uma tese de pós-doutorado para tentar incluir impacto de alguma forma na equação de investimentos.
“Investir sem se preocupar com impacto, hoje em dia, é quase uma irresponsabilidade”, sintetiza.
Banco entrega lucro recorde, cresce acima do mercado; Santiago Stel revela estar ainda mais confiante com relação à meta ambiciosa para 2027
“A companhia vem em uma trajetória de melhora em todos os indicadores. Então não é só crescer, mas com rentabilidade”, disse o diretor em entrevista ao Seu Dinheiro
Mesmo com menos dias úteis, companhia inicia o ano com lucro líquido ajustado de R$ 36,3 milhões nos três primeiros meses de 2026; veja outros destaques do balanço
A CEO Paula Harraca e o CFO Átila Simões da Cunha disseram ao Seu Dinheiro que o novo marco regulatório impulsionou os resultado, mas a adaptação às novas modalidades pressionou a evasão de alunos no período
Em um cenário pressionado pela inflação, a Moura Dubeux utilizou o modelo de condomínio fechado para se blindar, conta o Diego Villar, CEO da empresa
Lucro cresce pelo nono trimestre seguido e ROE continua a superar o custo de capital; confira os destaques do balanço
Resultado do primeiro trimestre do ano sinaliza retomada no vestuário e afasta dúvidas sobre problemas estruturais na operação
Expansão continua forte, mas avanço do crédito e aumento de provisões colocam qualidade dos resultados em xeque; o que dizem os analistas agora?
Lucro vem em linha, ROE segue elevado, mas ações caem após balanço; entenda se “fazer o básico” já não basta para o mercado
Milton Maluhy Filho afirma que aposta em ajuste fino no crédito e foco em clientes “certos”; veja a estratégia do CEO do banco
Com o acordo, a maior parte da dívida renegociada será paga apenas a partir de 2031, o que ajuda o caixa da empresa, mas há risco de diluição da participação no futuro
Mercado prevê que banco deve se destacar na temporada, com avanço de lucro e melhora operacional. Veja o que esperar do balanço dos três primeiros meses de 2026
Companhia vende participação no Shopping Curitiba, aumenta fatia em ativos estratégicos e faz permuta para turbinar desempenho operacional
O balanço mostrou crescimento operacional, melhora de rentabilidade e reversão da queima de caixa, em meio à continuidade dos ajustes na divisão de casas pré-fabricadas
Lucro cresce, ROE segue elevado, mas banco reforça disciplina em meio a sinais de pressão no crédito; confira os destaques do balanço
O Citi vê resultados mais fortes puxados por produção e petróleo, mas mantém cautela com a estatal e enxerga mais potencial de valorização em petroleiras independentes
Qualidade da subscrição surpreende e garante avanço das ações nesta terça-feira (5), mas incerteza sobre crescimento de prêmios ainda divide os grandes bancos sobre o que fazer com os papéis
A empresa entregou aumento no volume de cerveja, principalmente no Brasil, melhora de margens e ganhos estimados de participação em vários mercados
Nova empresa do grupo Bradesco nasce com números robustos, mas CEO Carlos Marinelli revela qual será o grande motor de crescimento futuro
Pressão de dividendos e crédito mais desacelerado devem aparecer no desempenho dos três primeiros meses do ano; analistas revelam se isso compromete a visão de longo prazo para o banco