Brasil derruba Netflix de novo: ações da gigante do streaming caem quase 10% após balanço. Chegou a hora de vender o papel?
Lucro por ação da companhia ficou 15,9% abaixo do esperado, impactado por encargos fiscais no Brasil; analistas afirmam que, sem esse efeito não recorrente, o resultado teria superado projeções do mercado

O plot da Netflix (NFLX34) com o Brasil teve desdobramentos na bolsa nesta quarta-feira (22). As ações da gigante do streaming caíam quase 10% na Nasdaq depois que os resultados referentes ao terceiro trimestre vieram abaixo do esperado por culpa dos encargos fiscais do País.
A linha mais preocupante do balanço foi o lucro por ação (LPA), que ficou 15,9% abaixo das expectativas do mercado. Isso porque o lucro líquido foi de US$ 2,547 bilhões, um crescimento de 8,7% em relação ao mesmo período de 2024, mas abaixo dos US$ 3 bilhões esperados pelo consenso do mercado.
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Com isso, o LPA foi de US$ 5,87, contra as projeções de US$ 6,98. Aqui, a "culpa" foi do Brasil. A companhia informou que as despesas relacionadas à disputa tributária no País afetaram diretamente essa margem menor que o previsto.
Segundo a companhia, esse impacto está relacionado a um encargo fiscal não recorrente de US$ 1,09 por ação.
Netflix e o Brasil: impacto fiscal da Cide
Quem explica se a culpa foi realmente do Brasil é Enzo Pacheco, analista da Empiricus Research. “Os executivos deixaram bem claro que o principal culpado na piora dos seus resultados foram os encargos cobrados pelo fisco do Brasil, que totalizaram US$ 619 milhões no trimestre”, diz.
Acontece que, em agosto deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) reinterpretou o alcance da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico).
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A Corte entendeu que o tributo se aplica também a pagamentos de serviços ao exterior mesmo quando não há transferência de tecnologia.
“Na prática, isso criou uma incidência de 10% sobre remessas feitas por empresas brasileiras a suas matrizes ou prestadoras estrangeiras, gerando um custo direto sobre a operação internacional”, diz Pacheco.
No caso específico da Netflix, a subsidiária brasileira paga à matriz norte-americana pelos serviços de tecnologia e de conteúdo que permitem oferecer assinaturas no país. Até então, uma decisão judicial de 2022 isentava a empresa dessa cobrança.
A mudança de entendimento do STF reverteu o cenário e obrigou a companhia a reconhecer retroativamente o passivo referente ao período de 2022 a 2025, o que explica o montante.
Atenção ao “não recorrente”
A Netflix esclareceu que esse pagamento único impactou o lucro por ação em cerca de US$ 1,09. Ou seja, desconsiderando esse valor do resultado final, a companhia teria, na verdade, superado as expectativas de lucro.
“Excluindo o ‘ruído’ fiscal, a tese de investimento da Netflix permanece sólida, impulsionada por uma execução estratégica eficaz”, diz o analista. “As medidas de monetização, incluindo a repressão ao compartilhamento de senhas e os ajustes de preço, continuam a converter não pagantes em receita e a aumentar o valor médio por usuário”.
Entretanto, Pacheco entende que a forte queda no papel após o resultado parece indicar um ativo caro no valuation atual — “quase 40 vezes seus lucros projetados para 2026”, pondera o analista.
Atualmente, a Empiricus não tem recomendação de compra para o papel, mas uma desvalorização significativa “pode abrir um ponto de entrada interessante para as nossas séries internacionais”, de acordo com Pacheco.
*Com informações do Money Times
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