Banco do Brasil (BBAS3) numa ponta e Itaú (ITUB4) na outra: após resultados do 2T25, o investidor de um destes bancos pode se decepcionar
Depois dos resultados dos grandes bancos no último trimestre, chegou a hora de saber o que o mercado prevê para as instituições nos próximos meses

Agora que a temporada de balanços dos grandes bancos chegou ao fim e os investidores podem, enfim, respirar, é hora de olhar para trás e assimilar o que aconteceu — e entender quem foram os vencedores e perdedores da safra do segundo trimestre (2T25).
Tido como um dos grandes perdedores da temporada, o Banco do Brasil (BBAS3) foi o único entre os grandes bancos a registrar uma queda robusta tanto em lucratividade quanto em rentabilidade — e a administração já revelou que o investidor pode se decepcionar outra vez nos próximos meses.
De volta aos balanços dos outros bancos, quem mais se aproximou dos patamares — e do mal-estar causado ao mercado — do BB foi o Santander (SANB11), que também enfrentou pressões no trimestre devido ao aumento das provisões e margens mais comprimidas.
No extremo oposto, o Itaú Unibanco (ITUB4) elevou a régua outra vez com uma sequência de números fortes entre abril e junho, com direito a um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) superior a 23%.
O Bradesco (BBDC4) também esteve em bons termos com o mercado após o resultado, com avanço na recomposição da rentabilidade, mas ainda aquém dos patamares dos pares privados.
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Confira os principais resultados dos grandes bancos no 2T25:
| Empresa | Lucro líquido (% a/a) | Rentabilidade/ROE - (% a/a) |
|---|---|---|
| Santander Brasil (SANB11) | R$ 3,659 bilhões (+9,8%) | 16,4% (+0,8 p.p.) |
| Banco Bradesco (BBDC4) | R$ 6,067 bilhões (+28,6%) | 14,6% (+3,2 p.p.) |
| Itaú Unibanco (ITUB4) | R$ 11,5 bilhões (+14,3%) | 23,3% (+0,9 p.p.) |
| Banco do Brasil (BBAS3) | R$ 3,784 bilhões (-60,2%) | 8,4% (-13 p.p) |
*Dados do Nubank em base neutra de câmbio.
Banco do Brasil (BBDC4): do you get déjà vú?
Antes fosse déjà vù, mas não é. De novo, o Banco do Brasil (BBAS3) frustrou as expectativas já baixas com o balanço fraco no segundo trimestre, com direito a tombo no lucro e à rentabilidade (ROE) mais baixa em décadas, além de um corte no payout de dividendos.
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Como das últimas vezes, os resultados mais fracos foram reflexo de uma grande pressão vinda da inadimplência e das provisões da carteira do agronegócio.
Porém, nesta safra, houve também outros “vilões”: a inadimplência no portfólio corporativo, especialmente micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), e a leve alta dos atrasos na carteira de pessoa física.
Depois do tombo no resultado, os diretores do Banco do Brasil já sinalizaram que o banco será mais conservador nas concessões de crédito daqui para frente.
Acontece que a CEO Tarciana Medeiros alertou para uma nova decepção, com um resultado mais estressado no terceiro trimestre devido ao vencimento de operações do agronegócio em julho, agosto e setembro.
Segundo Medeiros, o BB deve começar a dar sinais de melhora a partir do quarto trimestre, para trabalhar na retomada do crescimento da rentabilidade a partir de 2026.
Porém, o diretor financeiro (CFO), Geovanne Tobias, já foi direto e disse para os investidores não esperarem uma rentabilidade perto do que o banco entregava em 2024. Segundo ele, este ano será de ROE a níveis low teens, isto é, dois dígitos baixos.
A XP Investimentos também prevê que a inadimplência deve continuar a atrapalhar no próximo trimestre. A corretora alerta que julho trouxe novas pressões, aumentando a incerteza sobre quando a recuperação do BB realmente vai começar.
“A queda na qualidade do crédito era esperada, mas os desafios persistentes no agronegócio e em outros segmentos geram preocupação sobre o ritmo de recuperação nos próximos trimestres”, afirmam os analistas.
Para os analistas do BTG Pactual, a deterioração do Banco do Brasil veio de “elevador”, mas a recuperação deverá “subir de escada”.
Na semana passada, o Banco do Brasil também anunciou revisões no guidance (projeções) para 2025.
Acontece que, para o Citi, os desafios do BB persistem e o guidance parece "otimista demais". Os analistas avaliam que o banco deva atingir apenas o limite inferior das faixas das projeções.
Balanço do Santander (SANB11) no 2T5 aciona sinal amarelo
O Santander Brasil (SANB11) também acionou um sinal de alerta no mercado após entregar um resultado abaixo das expectativas no segundo trimestre de 2025, com pressões relevantes do aumento das provisões e de margens mais comprimidas.
Para o BTG Pactual, o 2T25 do Santander foi "um fracasso" em relação às expectativas — e as tendências futuras do banco parecem ter se tornado mais desfavoráveis, apesar do valuation barato.
A combinação de empréstimos mais fracos, queda nos resultados de tesouraria e aumento das provisões para perdas com empréstimos foram apontadas como as principais responsáveis pelo resultado aquém do esperado.
Agora, a expansão mais lenta da carteira de crédito e as crescentes preocupações com a deterioração da qualidade dos ativos no futuro pesam sobre as perspectivas do banco.
Por outro lado, a XP destacou a disciplina no controle de custos, com cortes nas despesas e melhoria no índice de eficiência, além da maior seletividade nas concessões de empréstimos.
No entanto, os analistas preveem uma extensão da pressão sobre a margem de mercado do Santander nos próximos meses — pelo menos, pelo terceiro trimestre.
Ainda que também esteja de olho no foco do banco em ganhos de rentabilidade, o que é positivo para os próximos balanços, o JP Morgan afirma que volumes fracos eventualmente podem prejudicar os resultados futuros da margem financeira do Santander.
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Bradesco (BBDC4) e a falta do “algo a mais”
Embora esteja entre os destaques positivos da safra de balanços de bancos do segundo trimestre, o Bradesco (BBDC4) ficou devendo aos investidores que estavam na expectativa de ver outra vez aquele “algo a mais” no resultado.
Em termos gerais, a avaliação do mercado sobre o balanço foi positiva, apesar das pressões em algumas linhas de resultado. Porém, não teve nada de espetacular.
Segundo o BTG Pactual, o Bradesco apresentou um desempenho razoável, com expansão da receita, recuperação gradual da rentabilidade, aumento nos empréstimos e na margem financeira líquida.
Para os analistas, esses resultados devem criar um efeito de “carry over” positivo para a continuidade da melhoria nos resultados no segundo semestre e em 2026.
Contudo, o BTG avalia que o Bradesco ainda enfrenta incertezas quanto ao futuro. Embora os resultados superem as expectativas, a transformação digital do banco está atrasada se comparada ao principal concorrente, o Itaú (ITUB4).
Além disso, ainda paira a dúvida sobre quanto ROE adicional pode ser realmente gerado por programas de crédito subsidiados pelo governo, que têm sido um foco importante do Bradesco nos últimos tempos.
Mesmo assim, o Itaú BBA avalia que a história de recuperação do Bradesco segue no caminho certo e que o forte ritmo da margem financeira líquida cria um momentum positivo para o segundo semestre e para 2026.
Já o BB Investimentos (BB-BI) prevê que a retomada da rentabilidade do Bradesco poderá ser mais visível nos próximos trimestres, à medida que o mix de crédito se torne mais favorável, as despesas continuem controladas e a reestruturação mostre efeitos.
Itaú (ITUB4): o “estado da arte” dos bancos
O Itaú Unibanco (ITUB4) entregou mais um show de resultados no segundo trimestre, com um novo recorde de lucro líquido, expansão da rentabilidade e revisão positiva do guidance para 2025.
De acordo com a XP, os destaques ficaram para a expansão de margens, crescimento da carteira de crédito e a sólida receita de tarifas. A margem financeira com clientes (NIM) foi outro ponto positivo, voltando a níveis de dois dígitos, o que não se via desde 2019.
Para o BTG Pactual, o Itaú está “subindo o sarrafo”, demonstrando outra vez seu forte poder de geração de lucro.
Mesmo com o resultado forte do segundo trimestre, o BTG vê ainda mais potencial de crescimento, especialmente devido à sua transformação digital, que deve reduzir custos, aumentar a eficiência e abrir espaço para crescimento sustentável até 2028.
“Embora esses ganhos de eficiência possam não se traduzir diretamente em um ROE mais alto, preservar retornos elevados enquanto acelera o crescimento e reinveste em tecnologia e experiência do cliente continua sendo um bom resultado, e acreditamos que há espaço para que o preço da ação do Itaú seja reavaliado”, preveem os analistas.
Na leitura do BTG, ainda há muito mais por vir pela frente. Segundo os analistas, estamos nos aproximando de uma mudança na narrativa em relação à eficiência e ao crescimento do banco, cujos ganhos podem levar a ação ITUB4 a atingir novos patamares de preço.
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