Ações da Tesla caem com lucro 37% menor e tarifas de Trump pressionando os resultados
Lucro da empresa de Elon Musk despencou no trimestre comparado ao ano passado, com custos em alta e o fim de subsídios fiscais pesando sobre o desempenho

Parece que a Tesla (TSLA) ainda enfrenta uma maré ruim nos negócios. As ações da montadora de carros elétricos de Elon Musk caíram mais de 3% no after market em Wall Street após a empresa divulgar ontem à noite (22) lucros aquém das estimativas do mercado no terceiro trimestre (3T25). Há pouco, os papéis recuavam cerca de 1,5%.
Isso porque, embora a montadora tenha visto aumento das vendas, elas foram compensadas por custos mais altos. E os próximos trimestres não parecem promissores: a montadora projeta uma desaceleração da demanda nos Estados Unidos após o vencimento de um crédito fiscal para veículos elétricos.
- Segundo a Investopedia, o benefício foi criado em 2009 durante o governo de Barack Obama. A política surgiu como parte de uma estratégia para incentivar a adoção de veículos elétricos e híbridos plug-in nos Estados Unidos.
Após a sua posse, Trump anunciou a reversão de subsídios, corte de créditos fiscais e interrupção de projetos de energia limpa. O prazo para os americanos usufruírem da vantagem financeira, segundo o InsideEVs, terminou no dia 30 de setembro.
Lucro abaixo do esperado
A Tesla registrou lucro líquido de US$ 1,37 bilhão no terceiro trimestre deste ano, 37% abaixo do ganho de US$ 2,17 bilhão apurado em igual período do ano passado, segundo balanço divulgado na última quarta-feira (22).
Com isso, o lucro por ação (LPA) da montadora foi de US$ 0,50, abaixo da previsão de analistas consultados pela FactSet, de US$ 0,56.
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Por outro lado, a receita somou US$ 28,1 bilhões entre julho e setembro, um avanço de 12% na comparação com igual intervalo de 2024. Essa métrica ficou acima da expectativa dos analistas, que era de US$ 26,54 bilhões.
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O que afetou o balanço da Tesla (TSLA)?
Em nota, a Tesla afirmou que é “difícil medir os impactos das mudanças no comércio global e de políticas fiscais” sobre a cadeia de oferta automotiva e de energia.
A fabricante de veículos do bilionário Elon Musk disse que está investindo em negócios para o seu crescimento, mas que os resultados dependerão de muitos fatores, como o ambiente macroeconômico e a aceleração da produção autônoma em suas fábricas.
O total de entregas no terceiro trimestre aumentou 7% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a 497.098 veículos.
Aumento das vendas anulado pelos custos operacionais
As vendas foram impulsionadas pelo crédito fiscal de US$ 7,5 mil (por carro) para a compra de veículos elétricos, que expirou no final do mês passado. No entanto, o aumento nas vendas foi anulado por despesas operacionais mais altas.
As margens brutas (excluindo créditos), uma métrica bastante observada pelo mercado, ficaram em 17%, praticamente inalteradas em relação ao ano anterior.
Analistas enxergam que as margens sofreram um impacto das políticas tarifárias de Donald Trump — tanto diretamente, através de custos de material mais altos, quanto indiretamente, por forçar um gerenciamento de estoque.
Ações da montadora já haviam caído neste mês após a divulgação dos novos carros mais baratos
No início de outubro, a Tesla havia revelado no X, rede social do CEO Elon Musk, as prometidas versões de seus dois principais veículos, o sedã Model 3 e o SUV Model Y, com preço mais baixo. Após o anúncio, as ações da montadora recuaram cerca de 4%.
De acordo com a marca, o novo Model 3 Standard custará US$ 38.630 (cerca de R$ 218 mil), com taxas de entrega e cobranças administrativas. O veículo custa US$ 5.500 (em torno de R$ 31 mil) a menos que a versão Premium, que, segundo a CNN, até então era o modelo mais barato.

Já o Model Y Standard terá preço inicial de US$ 41.630 (aproximadamente R$ 235 mil), também com as taxas extras inclusas. O valor é de US$ 5 mil (cerca de R$ 28 mil) a menos que a versão Premium e estará disponível em novembro ou dezembro.
De acordo com a CNN, a queda nas ações da Tesla que seguiu o anúncio dos novos carros se deu porque, aparentemente, os investidores esperavam preços mais competitivos — não “apenas” cerca de US$ 5 mil a menos.

Projeção de vendas até o fim do ano e produção em 2026
Na teleconferência de resultados realizada ontem (22), como aponta a Reuters, Vaibhav Taneja, diretor financeiro da Tesla, disse que as despesas de capital aumentariam substancialmente em 2026. A companhia ainda afirmou que está a caminho de iniciar a produção em massa do seu robotáxi Cybercab, do caminhão Semi e da bateria Megapack 3 em 2026.
De acordo com a agência de notícias, a projeção de entregas da Tesla para 2025 é de cerca de 1,61 milhão, em torno de 10% abaixo de 2024, de acordo com a Visible Alpha. Para atingir tal previsão, a montadora precisará entregar 389.498 veículos no trimestre de dezembro.
No anúncio do balanço realizado ontem (22), segundo a Reuters, a Tesla não divulgou uma projeção de produção para o ano inteiro. No entanto, Musk disse que a companhia poderia expandir a fabricação de automóveis, devido a sua confiança no software de direção autônoma.
No início de outubro, a empresa iniciou o lançamento em etapas da nova versão 14 de seu software Full Self‑Driving (FSD), considerada a mais avançada até agora, segundo o Motor Show.
O fundador também disse que espera que os robotáxis, lançados em junho deste ano, operem sem motoristas de segurança em grandes partes de Austin, Texas, neste ano. Até o final de 2025, como indica o bilionário, os robotáxis estarão operando em oito a dez áreas metropolitanas.
Cenário de concorrência
De acordo com a BBC, a crescente concorrência frente às montadoras chinesas é um dos fatores que têm balançado a companhia.
A BYD, por exemplo, como indica a AutoPapo, superou a Tesla em vendas globais de veículos 100% elétricos no terceiro trimestre de 2025. Esse registro consolidou a liderança da chinesa com cerca de 15,7% de participação mundial, o que indica uma vantagem de quase 400 mil veículos.
Além disso, segundo a CNN, espera-se que outras montadoras lancem versões mais baratas de seus veículos elétricos para compradores americanos. Entre elas, Ford, GM, Stellantis. Já no início de outubro, a Hyundai havia anunciado veículos elétricos até US$ 9.800 (cerca de R$ 55 mil) abaixo do preço das versões anteriores.
Em meio a este cenário, a Tesla, segundo a Reuters, supostamente planeja fabricar uma versão de menor custo do seu best-seller Model Y em Xangai, com início de produção em massa na fábrica previsto para 2026.
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