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Carros custam entre R$ 28 mil e R$ 31 mil a menos, mas investidores esperavam preços mais competitivos; lançamento ocorre em meio a cenário desafiador para a montadora

A espera acabou com a divulgação dos novos carros mais baratos da Tesla. No entanto, parece que as expectativas do mercado foram frustradas. Na última terça-feira (7), a empresa revelou no X, rede social do CEO Elon Musk, as prometidas versões de seus dois principais veículos, o sedã Model 3 e o SUV Model Y, com preço mais baixo. Após o anúncio, como aponta a BBC, as ações da montadora despencaram cerca de 4%.
De acordo com a Tesla, o novo Model 3 Standard custará US$ 38.630 (cerca de R$ 218 mil), com taxas de entrega e cobranças administrativas. O veículo custa US$ 5.500 (em torno de R$ 31 mil) a menos que a versão Premium, que, segundo a CNN, até então era o modelo mais barato. Ele estará disponível a partir de dezembro ou janeiro.
Já o Model Y Standard terá preço inicial de US$ 41.630 (aproximadamente R$ 235 mil), também com as taxas extras inclusas. O valor é de US$ 5.000 (cerca de R$ 28 mil) a menos que a versão Premium e estará disponível em novembro ou dezembro.
Como aponta a CNN, o anúncio do lançamento ocorre após o término do crédito fiscal de US$ 7.500 (em torno de R$ 42 mil) para a compra de carros elétricos nos Estados Unidos.
Após a sua posse, Trump anunciou a reversão de subsídios, corte de créditos fiscais e interrupção de projetos de energia limpa. O prazo para os americanos usufruírem da vantagem financeira, segundo o InsideEVs, terminou no dia 30 de setembro.
Durante uma teleconferência com investidores em abril, de acordo com a CNN, o CFO Vaibhav Taneja, havia afirmado que o modelo mais barato estaria amplamente disponível no quarto trimestre deste ano, conciliando com o término do benefício.
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“Iniciamos a produção do modelo de menor custo, conforme planejado, no primeiro semestre de 2025. No entanto, dado o nosso foco em construir e entregar o maior número possível de veículos antes do vencimento do crédito para veículos elétricos e a complexidade adicional de lançar um novo produto, a produção ocorrerá (no quarto) trimestre, mais lentamente do que o inicialmente previsto”, havia mencionado o executivo.
Como mencionado anteriormente, de acordo com a BBC, as ações da Tesla haviam caído cerca de 4% uma hora após a divulgação dos novos carros mais baratos. Isso porque, segundo a CNN, aparentemente os investidores esperavam preços mais competitivos — não “apenas” cerca de US$ 5.000 a menos.
A BBC indica que a Tesla, em meio a um cenário de concorrência crescente, perdeu terreno porque não tem sido capaz de oferecer veículos novos e mais acessíveis tão rapidamente.
"Elon tem esse jeito de fazer as pessoas realmente se concentrarem no futuro. E hoje é o lado negativo disso. É um EV [veículo elétrico] de baixo custo que todo mundo já esperava", disse à BBC James Stanley, analista macro da empresa de serviços financeiros StoneX, sobre a reação de Wall Street.
Segundo a CNN, o Model 3 Standard e o Model Y Standard têm uma autonomia intermediária de aproximadamente 517 quilômetros. Isto é, não conseguem rodar tanto com uma carga completa quanto as duas versões Premium dos dois carros. No entanto, conseguem rodar um pouco mais do que o modelo Performance, topo de linha, focado em alto desempenho.
Além disso, como indica o Euronews, os modelos Standard terão menos alto-falantes e um interior em tecido comum ao invés do microsuede aveludado que imita a camurça.

Os carros mais baratos também levarão mais tempo para ir de 0 a 100 km/h do que o modelo mais caro, e terão "amortecedores passivos", ou seja, que usam componentes mecânicos fixos como molas e cilindros hidráulicos. O objetivo é controlar vibrações, absorver impactos e suavizar o movimento do carro.
No caso dos modelos Premium, os amortecedores são dependentes de frequência, conhecidos também como “suspensão adaptativa”. Esse sistema ajusta a rigidez conforme o tipo de terreno, a velocidade ou a situação de condução, tornando os amortecedores mais "macios".
Como aponta a Bloomberg, no início de outubro, a Tesla havia reportado vendas recordes no terceiro trimestre. O veículo relaciona este crescimento com a pressa dos compradores para concluir uma compra em tempo de utilizar crédito fiscal de US$ 7.500, disponível até 30 de setembro —, como anteriormente mencionado.

No entanto, de acordo com a BBC, em julho deste ano, a montadora havia registrado uma queda de 12% no segundo trimestre, com US$ 22,4 bilhões. Segundo a emissora, a maior queda em pelo menos uma década, seguida da redução de 14% nas entregas de veículos no período.
A BBC também afirma que analistas ligam o pico das vendas no terceiro trimestre à corrida para comprar veículos antes do fim do subsídio governamental.
A suspensão do apoio aos carros elétricos por parte do governo americano, não é a única maré que a Tesla enfrenta. De acordo com a BBC, a crescente concorrência frente às montadoras chinesas e a reação negativa dos consumidores no início deste ano contra o envolvimento de Musk no governo Trump também têm balançado a companhia.
A BYD, por exemplo, como indica a AutoPapo, superou a Tesla em vendas globais de veículos 100% elétricos no terceiro trimestre de 2025. Esse registro consolidou a liderança da chinesa com cerca de 15,7% de participação mundial, o que indica uma vantagem de quase 400 mil veículos.
Além disso, a CNN aponta que a Tesla enfrentou reações negativas devido às atividades políticas do CEO Elon Musk. Entre elas, seu papel no Departamento de Eficiência Governamental do governo Trump e seu apoio a alguns candidatos políticos de direita na Europa. Segundo o veículo, esses envolvimentos provocaram protestos generalizados em concessionárias da Tesla nos Estados Unidos e na Europa, bem como atos de vandalismo.
A CNN indica ainda que a subsequente dissolução da parceria política e empresarial entre Musk e Trump não ajudou o cenário. A separação, de acordo com o canal de notícias, pode ter alienado os apoiadores de Trump, que antes viam os carros da Tesla com mais bons olhos.
Segundo a Reuters, a Tesla supostamente planeja fabricar uma versão de menor custo do seu best-seller Model Y em Xangai, com início de produção em massa na fábrica de previsto para 2026.

Além disso, segundo a CNN, espera-se que outras montadoras lancem versões mais baratas de seus veículos elétricos para compradores americanos. Entre elas, Ford, GM, Stellantis.
Já no início de outubro, a Hyundai havia anunciado veículos elétricos até US$ 9.800 (cerca de R$ 55 mil) abaixo do preço das versões anteriores.
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