Rodolfo Amstalden: Falta pouco agora
Depois de lambermos a lona no início de janeiro, a realidade acabou se mostrando um pouco mais piedosa com o Kit Brasil

Desde a derrocada percebida em dezembro de 2024, estávamos religiosamente alocados em quality de Bolsa brasileira, mas vínhamos também preconizando que 2025 seria um ano desafiador para ativos de risco domésticos.
A rigor, entrando mais em detalhes nas nuances de calendário, manifestávamos uma preocupação maior com o 1S25, dada sua ausência de triggers.
Para o 2S25, em tese, encontraríamos motivos de redenção, liderados pela virada de política monetária e por um certo adiantamento do novo ciclo eleitoral.
Contudo, a primeira metade do ano exigiria muita paciência e algum estômago.
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Kit Brasil
Bem, quem diria?
Depois de lambermos a lona no início de janeiro, a realidade acabou se mostrando um pouco mais piedosa com o Kit Brasil: o real voltou a se valorizar frente ao dólar, nossa curva de juros arrefeceu e a Bolsa local (ex Vale e Petro) sobe em média +15% desde o início do ano.
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Ainda que sem os tais triggers domésticos, fomos beneficiados por tabela, atraindo um pedacinho do fluxo internacional que estava sobrecomprado em EUA.
Na guerra tarifária, sobrou para todo mundo, mas saímos relativamente ilesos e bem posicionados para costurar negociações bilaterais.
É claro que nada disso deve ser confundido com euforia em relação a Brasil. Afinal, tratou-se de um movimento estritamente marginal. Dinheiro gringo fez cócegas por aqui, e o institucional local sequer foi convidado para a festa.
Agora, a onda de verdade de reprecificação brasileira pode ser engatilhada logo mais, com participação efetiva e crescente de todos os tipos de investidores.
Piscamos, o mercado nos ofereceu valiosas e incômodas distrações, e de repente acordamos à beira do fim do 1S25.
O jogo está mudando
Os palpites de Selic terminal vão sendo revisados para baixo.
As forças partidárias não perdem tempo em se preparar para a próxima disputa de poder, com influências bem mais interessantes e modernas do que as que determinaram 2022.
Após um longo inverno, os IBs voltam a se movimentar, visando a preparação de follow ons e IPOs.
Se sobrevivermos a maio e junho, podemos ter uma chance de encerrar o ano com perspectivas construtivas como há muito não se via. Falta pouco agora.
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