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A expectativa por ofertas bilionárias nos EUA concentra a atenção dos investidores, mas o histórico sugere que movimentos desse porte costumam gerar efeitos colaterais sobre a liquidez global

Durante a maior parte da história da humanidade — em praticamente todo o período que precedeu as Revoluções Agrícola e Industrial —, não conseguíamos auferir nenhuma evolução sincera de Produto Interno Bruto (PIB) per capita no mundo.
Por conta disso, muitos dos argumentos que pautavam os estudos seminais de Economia Política remetiam a payoffs do tipo perde-ganha. Para uma das partes sair vencedora em uma transação econômica, a outra parte teria que arcar com algum sacrifício, na mesma medida.
Décadas depois, com o comprovado avanço do Liberalismo Clássico, os argumentos de ganha-ganha tornaram-se hegemônicos. Eles são nobres, virtuosos e sustentam a esperança de um progresso compartilhado, ainda que de forma desigual.
No entanto, sempre que as condições macro e de liquidez se deterioram, somos obrigados a reencarar as lógicas de perde-ganha ou soma zero.
Sob recursos restritos, se um dado tema ou classe de ativos está se dando bem, outros devem ficar em segundo plano.
Mediante a conjuntura atualizada do pós-guerra, e com alguma ajuda dos resultados do 1T26, as histórias de big techs, inteligência artificial (IA) e semicondutores voltaram a drenar liquidez global.
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De maneira correlacionada, vivemos a iminência dos IPOs gigantescos de SpaceX, Open AI e Anthropic, assim como o follow-on bilionário da Alphabet e outro possível follow-on da Meta.
Estão aí os vetores mais sexy do momento, concentrando portfólios e roubando apelo dos veículos complementares.
Porém, esse é um movimento que costuma vir acompanhado de forças reativas, que eventualmente impõem um autoequilíbrio corretivo.
Basta se lembrar do caso de Broadcom na semana passada, em que uma "falha” em elevar o guidance da demanda por IA culminou em tombo de –12% do papel em um único dia.

Hoje à noite (gives me shivers) sai também o balanço da Oracle, que se reposicionou — de maneira alavancada — como uma narrativa de IA, e assim ficou refém também da dinâmica de “é preciso entregar muito para cair pouco”.
Em escala sistêmica, algo parecido pode acontecer depois que passar essa temporada de IPOs cavalares nos Estados Unidos.
Historicamente, há uma ressaca documentada após a realização de ofertas proporcionalmente grandes, e seu impacto costuma ser bem significativo.

Se isso acontecer mais uma vez no segundo semestre, os vencedores podem trocar de lugar com os perdedores.
Eu não gosto da ideia de torcer contra o outro, prefiro torcer a favor de nós. Mas, tudo o mais constante, uma virada desse tipo pode ser boa para o Kit Brasil, resgatando os ventos de popa de janeiro.
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