Rodolfo Amstalden: Seu frouxo, eu mando te demitir, mas nunca falei nada disso
Ameaçar Jerome Powell de demissão e chamá-lo de frouxo (“a major loser”), pressionando pela queda da taxa básica, só tende a corromper o dólar e alimentar os juros de longo prazo

Depois da guerra das tarifas internacionais, Donald Trump decidiu assinalar seus canhões contra o presidente do Fed.
Quem diria que seus ataques a Jerome Powell fariam a relação entre Lula e Campos Neto parecer romântica?
O mercado não gosta de belicismo, e há um agravante importante entre as Trade Wars e os ataques ao Fed, pois esses últimos soam como as mazelas de uma doença autoimune, agredindo o próprio corpo institucional.
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O Fed é uma conquista fundamental da sociedade americana, e o que há de mais próximo daquilo que podemos chamar de um Banco Central mundial.
Ameaçar Jerome Powell de demissão e chamá-lo de frouxo (“a major loser”), pressionando pela queda dos juros básicos, só tende a corromper o dólar e alimentar os juros de longo prazo.
Trump: quem será o grande perdedor, então?
Feliz ou infelizmente, a cada vez que Trump decide por uma dessas suas “grandes jogadas” de política econômica, parte do seu apoio incondicional de centro-direita vai ficando pelo caminho.
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A tendência natural é de ele se isolar, ou de (oremos ao novo Papa) voltar atrás rumo à moderação – a exemplo do que ocorre no pregão de hoje, quando a demissão de Powell foi aparentemente descartada.

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Para a maioria das pessoas, talvez seja constrangedor mudar radicalmente de ideia de um dia para o outro, mas não é assim que Trump trabalha no modo “art of the deal”.
Sua capacidade de gerar caos segue inigualável. Por outro lado, o retorno à moderação também pode devolver o S&P 500 acima dos 6 mil pontos.
Não é à toa que a Bolsa americana tem alternado entre dias de completa apatia e dias de relativa euforia. Altas e baixas entre 2% e 3% em módulo se tornaram usuais.
Podemos argumentar que esse tipo de volatilidade não é bom, mas isso seria um mero capricho pessoal.
Como investidores antifrágeis, não estamos aqui para gostar ou não da volatilidade, mas sim para tentar utilizá-la a nosso favor, o máximo possível.
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