Um FII para lucrar com a Selic alta por mais tempo e o payroll que pode chacoalhar Wall Street: o que mexe com a sua carteira hoje
A bolsa brasileira reabre após o feriado de olho no payroll dos EUA, enquanto a Selic elevada continua criando oportunidades — inclusive em um FII que está no radar dos analistas

O mês de maio foi de sangria na bolsa de valores. Mas a queda não ficou restrita a ações, e afetou até os títulos públicos. Além disso, o cenário apertado de juros e aumento da inflação, acima das expectativas do mercado, impactou o desempenho do Ifix, principal índice para medir a rentabilidade dos fundos de investimentos imobiliários na bolsa de valores.
Em momentos de queda mais intensa, o investidor mais ansioso pode ser levado a vender seus ativos. É o famoso efeito manada, um erro clássico que leva muitos investidores ao prejuízo.
Em cenários mais atribulados, o desafio é manter a calma e confiante diante das teses que foram montadas. Os especialistas recomendam olhar para além da instabilidade, e dar mais atenção aos fundamentos de cada investimento, o que também vale no caso de FIIs.
Para junho, depois do tombo que os investimentos sofreram no mês passado, a ordem é buscar proteção em ativos fortes. Assim como todos os meses, o Seu Dinheiro traz a lista dos FIIs mais recomendados para investir em junho — e o vencedor do ranking é um desses ativos de proteção, que pode ajudar a segurar o tranco na carteira.
A repórter Dani Alvarenga conta tudo sobre esse FII nesta matéria aqui.
O mercado mudou, e poucos perceberam onde investir em junho
Junho começa com uma mudança importante no humor dos mercados. Depois de meses apostando em uma trajetória mais previsível para os juros, investidores foram obrigados a recalibrar expectativas diante de um cenário mais complexo.
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O Copom cortou a Selic para 14,50%, mas adotou um tom mais cauteloso sobre os próximos passos. Ao mesmo tempo, os juros longos dos Estados Unidos voltaram a pressionar os mercados globais, aumentando a seletividade dos investidores.
O resultado é um mercado menos direcional e muito mais exigente. Não basta mais saber se os juros vão cair, é preciso entender quais ativos continuam capazes de entregar retorno em um ambiente de inflação persistente, juros elevados e maior aversão a risco.
É nesse contexto que a jornalista Paula Comassetto recebe especialistas do mercado na nova edição do Onde Investir. Quer descobrir essas e outras oportunidades para posicionar sua carteira em junho? Então assista ao programa até o final.
Esquenta dos mercados
A bolsa brasileira volta do feriado de Corpus Christi com uma agenda esvaziada e um mercado ainda tentando digerir a forte aversão ao risco que marcou a última sessão. Na quarta-feira (3), o Ibovespa perdeu mais de 3,8 mil pontos, pressionado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e por uma nova ameaça tarifária de Donald Trump contra o Brasil.
Hoje, porém, o foco dos investidores está fora de casa. As atenções se concentram no payroll, o principal relatório de empregos dos Estados Unidos e um dos indicadores mais importantes para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sobre a política monetária.
A expectativa do mercado é de mais uma leitura sólida da economia norte-americana. Para o Bank of America (BofA), o relatório deve reforçar a percepção de que o mercado de trabalho segue resiliente — forte o suficiente para justificar a manutenção dos juros, mas sem sinais de superaquecimento que exijam novas altas.
Enquanto aguardam o dado, os mercados globais operam sem direção clara nesta manhã.
As bolsas asiáticas fecharam em queda, pressionadas pelo recuo das ações de tecnologia e inteligência artificial em Wall Street na véspera. Na Europa, o viés é positivo nesta manhã, enquanto os futuros de Nova York operam sem direção única, com as gigantes de tecnologia ainda sob pressão.
Com poucos gatilhos domésticos no radar e com volume reduzido de negociações, o pregão brasileiro tende a ficar a reboque do humor externo — e, principalmente, a reação dos mercados ao dado de emprego dos EUA, que deve definir o tom dos negócios nesta sexta-feira.
Outros destaques do Seu Dinheiro nesta manhã
MERCADOS
Dow Jones em recorde, petróleo em queda e ouro em alta — um resumo do que mexeu com as bolsas no exterior e o que vem por aí. A B3 fechou nesta quinta-feira (4) por conta do feriado de Corpus Christi, mas os mercados mundo afora não pararam — e teve de tudo: rotação setorial nos EUA, guerra no Oriente Médio e ouro nas alturas.
CÂMBIO
Vai viajar para a Argentina? Saiba o que esperar do dólar e do peso daqui para frente. O BTG Pactual faz uma análise do comportamento do câmbio daqui até o final do ano, e diz o que quem quer tomar um bom vinho ou comer empanadas precisa fazer para não perder dinheiro na viagem ao país vizinho.
SINAL DE FARTURA?
Nubank (ROXO34) abre o caixa e anuncia recompra de ações bilionária — sem frear o crescimento. No anúncio desta quinta-feira (4), o banco diz que os investimentos no Brasil, no México, na Colômbia e nos EUA continuam 100% garantidos — e essa pode ser uma boa notícia para os acionistas.
QUEM FAZ E QUEM TOMA GOL
Copa do Mundo 2026: os setores e as empresas que ganham e perdem dinheiro com o maior evento esportivo do planeta. Goldman Sachs analisou o impacto econômico do torneio e chegou a uma conclusão que pode surpreender: para os países-sede, o benefício é menor do que parece.
QUEBRANDO RECORDES
Alphabet faz história na bolsa, levanta US$ 84,75 bilhões com venda de ações e atrai até Warren Buffett. Para manter balanço saudável e bancar infraestrutura colossal de IA, a dona do Google recorre aos investidores; pacote inclui papéis inéditos que pagam dividendos de 6,25%.
ATAQUE HACKER
Vazamento de dados no iFood atinge 1,2 milhão de usuários do aplicativo — empresa nega exposição de informações financeiras. Plataforma diz que incidente foi pontual e não envolveu senhas ou cartões, mas ANPD cobra explicações após relatos de vazamento muito maior na dark web.
MAIS FÔLEGO
Raízen (RAIZ4) vende operações na Argentina por R$ 7,2 bilhões e reforça caixa em meio à reestruturação. Negócio de US$ 1,42 bilhão faz parte da estratégia para reduzir dívida e simplificar o portfólio em um momento crucial para a companhia.
NOVA FASE?
Braskem (BRKM5) sob nova direção: Petrobras (PETR4) e IG4 assumem controle com Magda Chambriard na presidência do conselho. O acordo de controle compartilhado entre IG4 e Petrobras passa a vigorar de forma efetiva a partir de agora.
ECONOMIA
Selic vai estacionar em 14% ao ano? XP espera um novo cabo de guerra do Banco Central contra a inflação no Brasil. Banco avalia que não há mais espaço para cortes nos juros e prevê que a redução será de apenas 1 ponto percentual no acumulado do ano.
ETAPAS FINAIS
Privatização da Copasa (CSMG3): Aegea abandona processo e deixa área livre para Equatorial (EQTL3). Com a saída do Livorno Participações, a Equatorial foi escolhida como a investidora de referência finalista da privatização.
LADO B
Além do Malbec e Cabernet: os vinhos tintos que os sommeliers de São Paulo querem que você conheça. De uma variedade vulcânica da Sicília a uma casta quase esquecida da América do Sul, oito sommeliers revelam seus segredos de prateleira.
AÇÃO DO MÊS
Vale (VALE3) lidera recomendações para investir em junho com dividendos robustos — e Trump pode dar uma ‘mãozinha’; veja ranking completo. Medida do presidente dos EUA ajuda desempenho da mineradora, mas não é o que sustenta a tese.
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