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Você provavelmente está vendo o ciclo dos investimentos se repetir na inteligência artificial: muita promessa e pouca informação de qualidade

Um conhecido seu fala sobre uma ação da empresa X — uma empresa maravilhosa, num mercado maravilhoso, criando soluções maravilhosas. Tudo é maravilhoso e, portanto, ele diz que está “ganhando rios de dinheiro” com a ação dessa empresa.
Considerando que nosso cérebro se mantém eternamente preso entre um jogo de dança das cadeiras e um de batata quente, o medo de ficar sozinho — sem nenhuma cadeira quando a música parar — certamente dispara um shot de adrenalina e cortisol, provocando uma reação de compra da ação. Ou, para os mais íntimos: FOMO (fear of missing out, medo de ficar de fora).
O leitor mais atento do Seu Dinheiro já sabe que a curva de probabilidades de uma compra provocada por FOMO é totalmente desfavorável ao investidor. Grande parte dessa curva passa por eventos negativos: desde a pura desonestidade do seu colega — que só queria companhia no prejuízo —, passando por algum nível de desconhecimento, até o temível “o mercado me odeia”, ou “efeito violino”.
Nesse último caso, o preço do ativo cai com força, seu cérebro — sentindo que a batata vai queimar na sua mão — faz você se livrar dele… apenas para ver o preço subir para um patamar que teria sido lucrativo, caso você tivesse mantido sua posição.
Tenho dúvidas sobre o que dói mais: ver um ex em uma relação saudável, seis números que você já jogou no passado ganhando a Mega da Virada ou um ativo se valorizando depois que você o vendeu.
A única certeza que eu tenho é que, entre essas três situações, a frustração que mais leva à desistência pós-sofrimento é a do investimento malsucedido. Eu, pelo menos, vejo pouca gente desistindo de relacionamentos ou daquela fezinha no fim do ano — mas já vi muita gente deixar de investir depois de um prejuízo.
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O mais interessante é que, com a informação certa em mãos, alguma dedicação, seriedade e um pouquinho de sorte, você tem boas chances de obter bons resultados investindo. E é por isso que o Seu Dinheiro e a Empiricus geram conteúdo de qualidade para ajudar o investidor a tomar melhores decisões.
Estou longe de me julgar competente para dar recomendações de investimento. Meus colegas da casa já fazem isso muito bem. Mas, dentro do meu universo de competências, trago uma segunda reflexão:
Você provavelmente está vendo, ao seu redor — no trabalho, entre amigos e na sociedade em geral —, o mesmo ciclo do mundo dos investimentos se repetir na inteligência artificial (IA): promessas de soluções mágicas, dança das cadeiras, batatas quentes, frustrações, desistências e pouca informação de qualidade disponível.
Foi pensando nesse cenário que procurei o Vinícius Pinheiro, diretor dos portais Seu Dinheiro e Money Times, e fiz a proposta:
“Por que não abordar o uso da inteligência artificial da mesma forma que abordamos o mercado financeiro?”
Afinal, lidamos com muitos dos mesmos elementos: dinheiro e tempo escassos, apetite de risco, retorno esperado, diferentes casos de uso e um dinamismo capaz de destruir uma tese em questão de dias.
Então, por que não ter uma tese estruturada que embase a decisão sobre qual aplicativo de IA um usuário deve usar? Uma carteira recomendada de apps, organizada por caso de uso, retorno esperado, disposição a risco e valor disponível para investir?
É com essa premissa que esta coluna passará a ser escrita mensalmente aqui no Seu Dinheiro por mim, Alex Hisatomi, diretor executivo de Data Analytics na Empiricus e pesquisador de inteligência artificial. A ideia é trazer não apenas as últimas novidades do mundo da IA, mas também informação de qualidade que ajude você a aplicar essas novidades no seu dia a dia — no trabalho e no lazer.
Tenho certeza de que, com esse pouquinho a mais de informação, você não vai ficar sem cadeira no fim da música. Nem vai queimar a mão com a batata quente da IA.
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