Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Felipe Miranda: Como era verde meu vale do silício

Na semana passada, o mitológico investidor Howard Marks escreveu um de seus icônicos memorandos com o título “Baratas na mina de carvão” — uma referência ao alerta recente de Jamie Dimon, CEO do JP Morgan, sobre o mercado de crédito

10 de novembro de 2025
19:57 - atualizado às 0:17
Imagem: Fernando Arcos/Pexels

Entre as várias cenas marcantes de “Como era verde meu vale”, duas em particular atinam os sentimentos mais profundos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na primeira delas, vemos o banho coletivo, em que homens passam minutos esfregando com força e repetição seus corpos tentando limpar-se, sob o alerta do narrador de que parte do carvão irá com eles para o resto da vida.

Certas experiências humanas deixam marcas indeléveis na pele e na alma. A pequena vila de Rhondda, no país de Gales, perderia sua beleza natural para assumir a tonalidade preta e cinza de toda a atividade circunscrita às minas de carvão.

O segundo ato é talvez o mais intenso e expressivo do filme. Ao voltar do trabalho duro na mina, o filho mais novo escorrega sobre a neve, caindo no rio de água de algas congelantes. Num cenário improvável, o garoto consegue sobreviver, mas perde os movimentos das pernas.

“Como era verde meu vale” levou o Oscar de melhor filme na cerimônia de 1942, desbancando o favorito “Cidadão Kane” e a obra-prima "Relíquia Macabra”, rendendo a John Ford o fato inédito de ganhar duas estatuetas sucessivas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Alguns acidentes são totalmente inesperados, frutos de um escorregão fortuito, por exemplo, pertencente ao escopo dos riscos não-mapeados por uma distribuição de probabilidades normal. Outros, principalmente em minas de carvão, são razoavelmente passíveis de serem contemplados ex-ante.

Leia Também

Daí nasce a expressão “o canário na mina de carvão”, pois o pequeno pássaro, por ser mais sensível ao monóxido de carbono e a outros casos tóxicos, era levado às minas para alertar sobre a possível necessidade de evacuação da área.

Na semana passada, o mitológico investidor (e ainda melhor escritor) Howard Marks escreveu um de seus icônicos memorandos com o título “Baratas na mina de carvão”. Era, claro, uma referência ao ditado do canário e também ao alerta recente de Jamie Dimon, CEO do JP Morgan, ao apontar sobre outras fontes potenciais de perigo no mercado de crédito, além daqueles já descritos em sua última divulgação de resultados trimestrais com First Brands e Tricolor.

Os problemas ali descritos podem não ser necessariamente o início de uma tendência sistêmica, nem uma condenação de todo o mercado de dívida sem grau de investimentos; mas servem como lembrete dos riscos muitas vezes subdimensionados nos títulos de crédito. O rigor e o critério acabam diminuindo depois de anos de trajetória positiva.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Como resume Marks, "as condições em tempos de bonança geralmente levam a uma redução dos padrões de empréstimo, dando origem a inadimplências elevadas e fraudes ocasionais. É absolutamente essencial sempre equilibrar o desejo de colocar o dinheiro para trabalhar com a necessidade de prudência.”

Também na semana passada, Ray Dalio fez um post em seu LinkedIn batizado “Estimulando dentro da bolha”. O ponto principal era de que, ao flertar com o abandono do aperto monetário quantitativo (enxugamento do balanço do Fed) e o início de um afrouxamento quantitativo, o Fed acaba estimulando ainda mais a liquidez global, num momento em que as ações ligadas à inteligência artificial já se encontram no terreno das bolhas especulativas, de acordo com sua metodologia proprietária.

Ambos os textos vieram na sequência de alertas dos CEOs de Morgan Stanley, Goldman Sachs e Capital Group, sobre potenciais excessos nos valuations das big techs. Seria natural algum tipo de correção, talvez até saudável, depois de tudo que isso subiu.

Como acaba de lembrar Michael Hartnett, do Bank of America Merrill Lynch, ciclos de euforia e bolhas especulativas costumam terminar com avisos de “tomem cuidado” ou “caiam fora antes do estouro”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Já há uma série de indicadores potencialmente alarmantes na nossa frente: a concentração das Mag7/IA supera 40% do market cap geral, valuations esticados (megacaps de inteligência artificial negociando acima de 45x lucros), compras globais sucessivas, entrada vigorosa do investidor de varejo (fluxo comprador recorde para tech nos últimos dois meses).

Não considero apropriados os paralelos com 1999, quando os valuations estavam muito desapegados às realidades operacionais, correndo bem à frente dos lucros corporativos. Hoje, há balanços sólidos, barreiras à entrada, muita geração de caixa, presença global das big techs, muito acesso a dados, crescimento contratado por anos, entre outros.

Contudo, as diferenças entre os períodos não podem ser confundidas com a assunção desmedida de riscos. Parece haver grande complacência com os spreads de crédito e a trajetória da dívida pública nos EUA — depois de uma semana de realização importante com as techs, o otimismo volta a contagiar o segmento nesta segunda-feira.

Sob a esperança do fim do shutdown do governo norte-americano, o Nasdaq aparece como destaque de alta nesta segunda-feira, subindo 1,4% em seus contratos futuros. Isso acontece mesmo depois da sinalização de que Donald Trump estaria prometendo um cheque de US$ 2 mil para os norte-americanos necessitados, a partir do dinheiro levantado com as tarifas. Vamos resolver o problema da dívida dos EUA com…. mais dívida!

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em meio a um ano de retornos muito vigorosos, talvez seja a hora de buscar algum tipo de proteção para as big techs nos EUA. Não significa shortear (vender a descoberto). Como diria Nassim Taleb, só há um idiota maior do que aquele que compra tulipas (em referência à bolha clássica na Holanda): aquele que shorteia tulipas. Se a bolha traz uma alta de, sei lá, 500%, por que ela não pode ir a 1.000%? Qual o limite da exuberância irracional?

Perseguir, no entanto, algumas puts (opções de venda) fora do dinheiro pode ser uma prescrição interessante. Depois de uma boa e saudável correção, as big techs podem oferecer uma clássica oportunidade de uma vida. Mas esse é assunto pra depois.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Um CEO para salvar o CrossFit: como a chegada de Bruce Edwards pode reverter queda da marca fitness

9 de maio de 2026 - 9:00

As quedas e polêmicas na agenda do novo gestor; e o “enfant terrible” do Tour de France

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O preço do sucesso da Cimed, a verdade sobre a Smart Fit (SMFT3), resultado do Magalu (MGLU3) e o que mais movimenta os mercados

8 de maio de 2026 - 8:36

Conheça os números da Cimed e entenda tudo o que está por trás da estratégia agressiva de inovação da companhia e qual é o preço que ela está pagando pelo seu sucesso

SEXTOU COM O RUY

Uma mentira contada várias vezes não vira uma verdade, e a forte alta da Smart Fit (SMFT3) deixa isso claro

8 de maio de 2026 - 6:01

Nesta semana, o humor com Smart Fit finalmente começou a melhorar, após a divulgação dos temidos resultados do 1T26. Ao contrário do que se pensava, a companhia mostrou forte expansão de margem bruta.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

FII favorito dos analistas, conflito no Oriente Médio, temporada de balanços e mais: veja o que agita os mercados hoje

7 de maio de 2026 - 9:07

Com a chegada da gestora Patria no segmento de shopping centers, o fundo Patria Malls (PMLL11) ganhou nova roupagem e tem um bom dividend yield. Entenda por que esse FII é o mais recomendado do mês de maio

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Guerra do Irã — amargo mel, fogo gelado e caos organizado

6 de maio de 2026 - 20:49

Entre previsões frustradas, petróleo volátil e incerteza global, investidores são forçados a conviver com dois cenários opostos ao mesmo tempo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A carteira recomendada para maio, resultados do Itaú e Bradesco, e o que mais move a bolsa hoje

6 de maio de 2026 - 8:57

Na seleção da Ação do Mês, análise mensal feita pelo Seu Dinheiro com 12 bancos e corretoras, os setores mais perenes e robustos aparecem com frequência

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como bloqueios comerciais afetam juros e inflação, e o que analisar na ata do Copom hoje

5 de maio de 2026 - 8:48

Veja como deve ficar o ciclo de corte de juros enquanto não há perspectiva de melhora no cenário internacional

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Petróleo caro, juros presos e a ilusão de controle: ciclo de cortes encurta enquanto a realidade bate à porta

5 de maio de 2026 - 7:14

O quadro que se desenha é de um ambiente mais complexo e menos previsível, em que o choque externo, via petróleo e tensões geopolíticas, se soma a fragilidades domésticas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

BradSaúde sai do casulo no balanço da Odontoprev, conflito entre EUA e Irã, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

4 de maio de 2026 - 8:20

Odontoprev divulga seu primeiro balanço após a reorganização e apresenta a BradSaúde em números ao mercado; confira o que esperar e o que mais move a bolsa de valores hoje

DÉCIMO ANDAR

Alta do risco no mercado de crédito impacta fundos imobiliários e principalmente fiagros; é hora de ficar conservador?

3 de maio de 2026 - 8:00

Fiagros demandam atenção, principalmente após início da guerra no Irã, e entre os FIIs de papel, preferência deve ser pelo crédito de menor risco

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O paladar não retrocede: o desafio da Ferrari em avançar sem perder a identidade

2 de maio de 2026 - 9:00

Na abertura do livro O Paladar Não Retrocede, Carlos Ferreirinha, o guru brasileiro do marketing de luxo, usa o automobilismo para explicar como alto padrão molda nossos hábitos.  “Após dirigir um carro automático com ar-condicionado e direção hidráulica, ninguém sente falta da manivela para abrir a janela.”  Da manivela, talvez não. Mas do torque de um supercarro, […]

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que é ser rico? Veja em quanto tempo você alcança a independência financeira

1 de maio de 2026 - 10:04

Para ser rico, o segredo está em não depender de um salário. Por maior que ele seja, não traz segurança financeira. Veja os cálculos para chegar lá

SEXTOU COM O RUY

No feriado do Dia do Trabalho, considere colocar o dinheiro para trabalhar para você

1 de maio de 2026 - 7:01

Para isso, a primeira lição é saber que é preciso ter paciência pois, assim como acontece na vida real (ou deveria acontecer, pelo menos), ninguém começa a carreira como diretor

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os recados do Copom e do Fed, a derrota do governo no STF, a nova cara da Natura, e o que mais você precisa saber

30 de abril de 2026 - 8:40

Entenda como a Natura rejuvenesceu seu negócio, quais os recados tanto do Copom quanto do Fed na decisão dos juros e o que mais afeta o seu bolso hoje

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nada como uma Super Quarta depois da outra 

29 de abril de 2026 - 17:30

Corte já está precificado, mas guerra, petróleo e eleições podem mudar o rumo da política monetária

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Selic e a expectativa para o futuro, resultados da Vale (VALE3) e Santander (SANB11) e o que mais move os mercados hoje

29 de abril de 2026 - 8:25

Entenda por que a definição da Selic e dos juros nos EUA de hoje é tão complicada, diante das incertezas com a guerra e a inflação

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Super Quarta no meio da guerra entre EUA e Irã, os resultados da Vale (VALE3), e o que mais move os mercados hoje

28 de abril de 2026 - 8:20

A guerra no Irã pode obrigar a Europa a fazer um racionamento de energia e encarecer alimentos em todo o mundo, com aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Super Quarta em meio ao caos da guerra: Copom e Fed sob a sombra de Ormuz

28 de abril de 2026 - 7:38

Guerras modernas raramente ficam restritas ao campo militar. Elas se espalham por preços, cadeias produtivas, inflação, juros e estabilidade institucional

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A maratona dos bancos brasileiros, Super Quarta, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

27 de abril de 2026 - 8:09

Entenda o que esperar dos resultados dos maiores bancos brasileiros no 1T26; investidores estarão focados nos números que mais sofrem em ciclos de crédito mais apertado e juros maiores

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Fogo na cozinha de Milei: Guia Michelin e o impasse da alta gastronomia na Argentina

25 de abril de 2026 - 9:01

Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia