Raízen (RAIZ4) e Braskem (BRKM5) derretem mais de 10% cada: o que movimentou o Ibovespa na semana
A Bolsa brasileira teve uma ligeira alta de 0,3% em meio a novos sinais de desaceleração econômica doméstica; o corte de juros está próximo?

O cenário doméstico dominou a última semana de negociações no Ibovespa. De um lado, uma temporada intensa de balanços do segundo trimestre. Do outro, sinais de que a economia deve esfriar mais do que o previsto anteriormente neste segundo semestre — o que levanta dúvidas sobre o corte dos juros.
E claro, as repercussões das tarifas de Donald Trump, juntamente com o plano de contingência do governo Lula. Ao final de sexta-feira (15), o Ibovespa encerrou com uma ligeira alta de 0,31%, aos 136.341 pontos.
Já o dólar à vista terminou a R$ 5,3980 e caiu 0,70% ante o real na semana. Ao longo dos últimos cinco dias, a divisa atingiu o menor nível em 14 meses, cotada a R$ 5,3870.
Para a próxima semana, o calendário de indicadores do Brasil aponta fraca movimentação. A divulgação mais importante é o IBC-BR de junho, na segunda (18). O índice de atividade desenvolvido pelo Banco Central funciona como uma prévia do PIB e pode indicar a intensidade da fraqueza econômica.
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Nos EUA, a agenda será mais movimentada. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, discursará no simpósio de Jackson Hole, previsto para os dias 21 (quinta) e 22 (sexta). A fala ganha relevância em meio às ameaças de demissão de Donald Trump e à incerteza sobre o início do corte de juros no país.
Agora, vamos aos destaques da semana que movimentaram o Ibovespa.
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Temporada de balanços intensa
A temporada de resultados do segundo trimestre foi o principal gatilho para os preços das ações brasileiras na última semana.
Segundo a compilação de dados feita pela XP, as empresas obtiveram resultados positivos referentes ao período de abril a junho. Das quase 150 empresas sob cobertura da corretora, 57% superaram as estimativas de lucro, 16% ficaram em linha e 27% registraram resultados abaixo.
Entre as principais ações do Ibovespa que divulgaram resultados nesta semana, o Banco do Brasil (BBAS3) gerou maior comoção. A ação terminou a semana com alta de 4,4%, apesar de um trimestre fraco (leia aqui).
Também estiveram na agenda as preocupações com uma desaceleração econômica maior do que o previsto anteriormente no segundo semestre.
A Pesquisa Mensal de Comércio de junho veio abaixo das expectativas, pressionada pelo segmento de varejo sensível aos juros. O dado reforçou os questionamentos sobre quando acontecerá o primeiro corte na taxa Selic.
Em paralelo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a medida provisória com medidas para mitigar os impactos econômicos do tarifaço de Donald Trump. O pacote inclui R$ 30 bilhões em linhas de crédito, aportes de R$ 4,5 bilhões em diferentes fundos garantidores e até R$ 5 bilhões em créditos tributários a exportadores.
Tarifas, inflação e investimentos
No cenário global, o mercado observou de perto os dados de inflação nos EUA. Enquanto o CPI de julho ficou em linha com as expectativas, o PPI gerou preocupações.
O mercado precifica 90% de probabilidade de corte de juros na próxima reunião do Fed. As falas de Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole, ganham força neste momento.
Em relação à política comercial, os governos dos EUA e da China prorrogam a trégua tarifária por mais 90 dias.
Além disso, os EUA anunciaram um acordo com Nvidia e AMD para que o governo federal receba 15% das receitas provenientes da venda de chips por essas duas companhias para a China.
Maiores tombos do Ibovespa
Na ponta negativa, Raízen (RAIZ4) e Braskem (BRKM5) registraram as maiores quedas da semana, com recuos de 16,1% e 12,8%, respectivamente.
O desempenho negativo da Raízen reflete os resultados ruins do segundo trimestre. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 1,8 bilhão no período, revertendo os lucros do mesmo trimestre de 2024.
Além disso, o nível de endividamento preocupa os analistas, assim como fatores conjunturais negativos. Leia aqui.
Já a Braskem enfrenta uma turbulência que parece não ter fim. Fitch e Moody's rebaixaram a classificação de risco da companhia nesta semana.
Além disso, os papéis reagiram à confirmação de que a petroquímica conversa com a Unipar para venda de ativos. As companhias já assinaram um acordo de confidencialidade, mas ainda não há definição sobre os ativos ou as participações que poderão fazer parte de uma potencial transação.
| Empresa | Código | Variação semanal |
|---|---|---|
| Raízen | RAIZ4 | -16,1% |
| Braskem | BRKM5 | -12,8% |
| CVC | CVCB3 | -11,7% |
| Usiminas | USIM5 | -9,5% |
| CSN | CSNA3 | -8,6% |
Fontes: Broadcast e XP.
Maiores altas do Ibovespa
O destaque positivo da semana no Ibovespa ficou com o BTG Pactual (BPAC11), que teve suas ações saltando 10,7%.
O impulso veio dos resultados positivos do banco no segundo trimestre. A reação positiva dos investidores foi tão expressiva que o banco se consolidou como uma das empresas mais valiosas da B3. Seu valor de mercado atingiu R$ 201,5 bilhões na terça-feira (12).
O BTG registrou um novo recorde de lucro líquido ajustado, de R$ 4,18 bilhões, um salto de 42% em relação ao mesmo período do ano anterior. Do lado da rentabilidade, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) atingiu 27,1% no trimestre.
| Empresa | Código | Variação semanal |
|---|---|---|
| BTG Pactual | BPAC11 | 10,7% |
| MRV | MRVE3 | 10,3% |
| Banco do Brasil | BBAS3 | 9,1% |
| Ultrapar | UGPA3 | 7,7% |
| Hapvida | HAPV3 | 7,2% |
Fontes: Broadcast e XP.
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