O tempo virou para o Bradesco — e agora é para melhor: Mais um banco eleva a recomendação para as ações. É hora de comprar BBDC4?
Lucro maior, ROE em alta e melhora na divisão de seguros embasam a recomendação de compra

Em meio a uma onda de revisões positivas, o Bradesco (BBDC4) acaba de ganhar um voto de confiança de peso. O Itaú BBA elevou a recomendação para as ações do banco de neutro para “outperform” — ou seja, equivalente à compra.
Além da nova recomendação, os analistas ajustaram o preço-alvo das ações para R$ 20 até o fim de 2025, o que representa um potencial de valorização de 23% em relação ao último fechamento.
Os papéis do bancão já acumulam uma alta de cerca de 50% no ano, bem acima dos 13% do Ibovespa no mesmo período.
“Embora tenhamos perdido o rali inicial pós-resultados, ainda vemos um crescimento atraente e valuations atrativos, com as ações negociadas a 0,9 vezes o valor patrimonial (P/VPA) e 6,1 vezes o lucro estimado para 2026”, disse o Itaú BBA.
Os analistas inclusive elegeram a ação BBDC4 como uma das principais escolhas no mercado financeiro brasileiro.
“Da perspectiva bancária da América Latina, o nome se destaca muito em termos de crescimento de lucros e avaliações”, avaliou o banco de investimentos.
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Por trás da visão otimista para o Bradesco (BBDC4)
A reviravolta na visão dos analistas vem da leitura de que o Bradesco (BBDC4) atravessa um momento mais equilibrado — com melhora simultânea nos resultados da operação bancária e da área de seguros.
“Agora, tanto as operações do banco quanto as de seguros estão melhorando simultaneamente. O crescimento do lucro provavelmente acelerará no final de 2025 e 2026”, projetaram os analistas.
Do lado do crédito, o Bradesco tem sido mais cauteloso com precificação, funding e gestão de risco. Ao mesmo tempo, o banco avança no controle das despesas operacionais — e os analistas preveem uma aceleração da eficiência ao longo do ano que vem.
“Isso deve ajudar o banco a navegar pela deterioração gradual do crédito que ainda é esperada. Enquanto a rentabilidade (ROE) bancária melhora de níveis abaixo de 10%, a de seguros deve se aproximar de 25%.”
Na avaliação do Itaú BBA, a perspectiva mais forte de rentabilidade (ROE) ajuda a compensar as preocupações com capital para crescimento — e sustenta a elevação do rating para as ações BBDC4.
Projeções atualizadas
Após o balanço forte do primeiro trimestre, os analistas revisaram as projeções para os resultados do Bradesco.
A estimativa de lucro para 2025 subiu 15%, chegando a R$ 24,8 bilhões. Já a expectativa para o ROE neste ano foi ajustada para 15%.
Os analistas projetam uma rentabilidade consolidada de 15% a 16% no segundo semestre de 2025.
“Essencialmente, a trajetória de curto prazo de 12% em 2024 para um ROE de longo prazo de 16% a 17% será mais íngreme do que o esperado. As operações de seguros do Bradesco têm sustentado o banco enquanto seu ROE era escasso”, destacaram os analistas.
Na visão do BBA, essa trajetória mais robusta de rentabilidade ajuda a compensar as dúvidas sobre o capital necessário para sustentar o crescimento — e embasa a recomendação de compra para BBDC4.
A força da Bradesco Saúde
Um ponto estrutural da tese otimista do Itaú BBA com as ações BBDC4 é a Bradesco Saúde — um segmento significativo de receita de R$ 45 bilhões, emergindo de baixa lucratividade com impulso operacional.
Na leitura dos analistas, o setor de planos de saúde está vivenciando um ambiente mais estável após vários períodos turbulentos.
Agora, as seguradoras e operadoras estão apresentando melhores índices de sinistralidade médica e lucratividade devido à melhor precificação e ao rigoroso controle de custos.
No caso do Bradesco, as melhorias de margem se destacaram positivamente em relação aos pares nos últimos trimestres.
Para o Itaú BBA, esse sucesso pode ser atribuído ao enfrentamento de “ineficiências operacionais”, ao controle de reembolsos, ao uso extensivo de dados e à gestão de custos mais eficaz.
“Embora tenha havido um crescimento mais lento na base de beneficiários, isso não levou à redução das receitas, e as margens operacionais dispararam. A partir de uma base de custos agora ajustada, esperamos que o crescimento da receita também acelere”, projetou.
Os analistas estão mais otimistas que o consenso de mercado para os resultados de seguros, com expectativa de um crescimento de dois dígitos de lucros e um ROE de cerca de 25% para este ano.
“O crescimento dos lucros com seguros agora está contribuindo para a recuperação bancária, em vez de apenas compensá-la”, destacaram.
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