Não compre BBAS3 agora: ação do Banco do Brasil está barata, mas o JP Morgan avisa que é melhor não se deixar levar pelo desconto
Os analistas optaram por manter uma recomendação neutra e revisar para baixo as expectativas sobre as ações BBAS3. Entenda os motivos por trás dessa visão cautelosa

Quem nunca escutou aquela famosa máxima do mercado financeiro: "buy the dip", ou "compre na baixa"? Com a queda acentuada das ações do Banco do Brasil após os resultados decepcionantes do primeiro trimestre de 2025, muitos investidores podem ter ficado tentados a seguir esse conselho e colocar BBAS3 na carteira. Mas, para o JP Morgan, essa pode não ser a melhor jogada agora.
É verdade: o BB teve o pior desempenho entre os grandes bancos tradicionais em 2025, com uma queda de 5% desde o início do ano, enquanto o Ibovespa subiu 15% no mesmo período.
Todo esse movimento de queda levou o valuation do Banco do Brasil a patamares descontados. Mas os analistas afirmam que você não deveria se deixar levar apenas pelo preço.
Aliás, o banco norte-americano decidiu manter uma recomendação neutra e reduzir as expectativas para as ações BBAS3.
Os analistas cortaram o preço-alvo de R$ 31,00 para R$ 28,00 para dezembro de 2025. Mesmo com a redução, a nova cifra ainda prevê uma potencial valorização de 27% em relação ao fechamento de ontem.
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Por que BBAS3 se tornou tão popular recentemente?
Apesar de ainda apresentarem queda no acumulado de 2025, as ações do Banco do Brasil (BBAS3) conseguiram reduzir significativamente as perdas nas últimas semanas. O que gerou esse súbito interesse do mercado, então?
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De acordo com os analistas, há alguns fatores que ajudam a explicar esse movimento.
O primeiro deles é justamente o preço: após uma queda expressiva na bolsa brasileira, o valuation das ações do Banco do Brasil ficou atraente, com o papel negociado a um múltiplo de 0,7 vezes o patrimônio líquido.
O segundo fator é técnico. Em meio à incerteza sobre o futuro do banco, muitos investidores começaram a apostar contra as ações, criando um alto percentual de posições vendidas (“short interest”).
Caso o cenário mude, isso poderia gerar uma pressão positiva para BBAS3, com a busca por cobertura dessas posições vendidas, o que resultaria em um "short squeeze" e, consequentemente, uma valorização expressiva.
Numa espécie de “profecia autorrealizável”, esse cenário poderia desencadear um gatilho positivo para BBAS3 caso alguma mudança de conjuntura levasse a uma busca por cobertura dessas posições, no chamado short squeeze.
A expectativa de um trade eleitoral também aparece no radar. As ações do Banco do Brasil são frequentemente vistas como uma forma de exposição ao cenário eleitoral. Com as eleições de 2026 se aproximando, muitos investidores acreditam que uma mudança de governo poderia ser o catalisador que a ação precisa.
Porém, nada disso foi suficiente para convencer o JP Morgan de conceder um selo de compra à BBAS3.
Os motivos para não cair na tentação com as ações do Banco do Brasil, segundo o JP Morgan
Apesar dos potenciais gatilhos para a valorização das ações BBAS3, o JP Morgan permanece cauteloso. Para os analistas do banco norte-americano, a incerteza sobre o futuro do Banco do Brasil é palpável, especialmente no que diz respeito à qualidade dos ativos.
“As discussões sobre a sustentabilidade dos lucros do Banco do Brasil não são novidade, e o 1T25 trouxe camadas adicionais de incerteza”, disse o banco.
Lembrando que a inadimplência pesou forte sobre o balanço do 1T25, pressionada pelo aumento dos calotes e das recuperações judiciais no agronegócio. Combinada aos impactos da nova resolução 4.966 do Banco Central, a performance do setor agrícola levou a um aumento estrondoso nas provisões do BB.
Por isso, apesar do apelo das ações no curto prazo, o JP Morgan recomenda esperar por uma maior visibilidade em termos de resultados — e o segundo trimestre será crucial para determinar se a recuperação do BB é viável ou não.
“Os problemas de qualidade dos ativos dos bancos geralmente demoram para serem digeridos. Acreditamos que o 2T25 será importante para revelar as novas estimativas de lucro para 2025 e para entender melhor a magnitude do problema no agronegócio”, pontuaram os analistas.
ROE e dividendos: os desafios do Banco do Brasil
A rentabilidade, que historicamente foi um ponto forte do Banco do Brasil, também tem apresentado sinais de fraqueza, segundo os analistas.
O ROE médio dos últimos 10 anos foi de 17%. Mas os analistas avaliam que esse retorno têm se deteriorado há algum tempo. No primeiro trimestre deste ano, o indicador veio abaixo do esperado, chegando a 16,7%.
Nas contas do JP Morgan, inclusive, esse indicador teria sido ainda menor se realizados ajustes necessários para “mensurar o real poder de lucro” do Banco do Brasil. Em termos ajustados, os analistas apontam para um ROE de 13% no 1T25.
“Isso levanta preocupações sobre a capacidade do banco de manter um payout de dividendos de 40% a 45% do lucro e, mais criticamente, coloca em dúvida a sustentabilidade do nível atual de ROE”, disseram os analistas.
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Para os analistas, a equação de payout do BB parece insustentável com o crescimento atual dos empréstimos rurais prolongados e renegociados. Nas contas do banco, um payout de 20% a 30% é mais razoável.
Em relação ao agronegócio, o JP Morgan acredita que o problema é cíclico, mas que a normalização não será rápida. A própria CEO do BB, Tarciana Medeiros, afirmou que o agronegócio não deve oferecer trégua para as finanças do banco nos próximos meses.
“Os agricultores precisam regularizar suas dívidas para se qualificar para novos empréstimos, o que parcialmente justifica a confiança do banco na normalização do cenário. No entanto, não estamos certos de que a recuperação será tão suave quanto o BB sugere. Historicamente, quando os bancos enfrentam problemas de inadimplência, o processo de normalização costuma levar mais tempo”, concluíram os analistas do JP Morgan.
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