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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

SANGRIA NA BOLSA

Ações do Banco do Brasil sentem o peso do balanço fraco e tombam mais de 10% na B3. Vale a pena comprar BBAS3 na baixa?

A avaliação do mercado sobre o resultado foi negativa. Veja o que dizem os analistas

Camille Lima
Camille Lima
16 de maio de 2025
10:34 - atualizado às 16:34
Ações do Banco do Brasil (BBAS3) caem forte na B3 dividendos
Banco do Brasil (BBAS3) - Imagem: Canva Pro / Shutterstock / Montagem Seu Dinheiro

Após entregar um balanço pior que o esperado no primeiro trimestre de 2025 e suspender as projeções (guidance) para o ano, o Banco do Brasil (BBAS3) inicia o pregão desta sexta-feira (16) no vermelho (e como).

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Logo na abertura da sessão, os papéis BBAS3 tombavam 13,88% e chegaram a renovar a menor cotação intradiária desde janeiro, cotados a R$ 25,32. Desde o início do ano, porém, o banco ainda marca valorização da ordem de 8% na B3.

A avaliação do mercado sobre o resultado foi negativa. O BTG Pactual, por exemplo, descreve o 1T25 do BB como uma “grande decepção”. Já o JP Morgan avalia como “pior do que o esperado”.

"O consenso de mercado já apontava para um resultado fraco, com expectativas de que o agronegócio seguisse piorando. No entanto, a realidade foi bem pior", avaliou o analista de ações da Eleven Financial Malek Zein.

Confira os destaques do balanço do Banco do Brasil (BBAS3) no 1T25:

IndicadorResultado 1T25Projeções de consensoVariação (a/a)Evolução (t/t)
Lucro LíquidoR$ 7,37 bilhõesR$ 9,108 bilhões-20,7%-23,0%
ROE16,7%-4,98 p.p -4,16 p.p
ProvisõesR$ 15,45 bilhões+64,2%+66,1%
Margem financeira líquidaR$ 13,73 bilhões-20,1%-21,7%
Carteira de crédito ampliadaR$ 1,27 trilhão+14,4%+1,1%
Fonte: Balanço enviado à CVM.

O que frustrou os analistas?

Em resumo, o mercado entende que o balanço do Banco do Brasil (BBAS3) veio pior que o esperado em diversas linhas, mas o destaque negativo foram os indicadores de lucratividade, rentabilidade, inadimplência e provisões. 

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Na leitura do BTG, o resultado fraco veio principalmente pela deterioração da qualidade dos ativos na carteira de agronegócio, onde o BB tem uma exposição muito maior que seus concorrentes. 

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Mas o peso do agro não foi o único obstáculo, segundo os analistas. As mudanças contábeis pela implementação da nova resolução 4.966 do Banco Central, em vigor desde 1º de janeiro, “também afetaram muito mais o banco do que os pares”. 

“Já esperávamos que a resolução 4.966 mudasse o método de acréscimo de juros para parte do portfólio, impactando negativamente as receitas de crédito. No entanto, a magnitude do impacto foi maior do que o antecipado”, destacou o BTG.

Na avaliação do banco, é muito comum que os bancos concedem períodos de carência no crédito ao agronegócio, o que explica por que o BB foi mais afetado que os pares pela mudança nas regras contábeis. 

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O JP Morgan, por sua vez, avaliou com “grande frustração” os resultados muito fracos do BB, com destaque para o lucro líquido 20% menor na comparação anual. 

“Esperamos uma reação muito negativa das ações, pois acreditamos que o consenso provavelmente precisará de ajustes significativos”, avaliou o banco norte-americano. 

A preocupação dos analistas é que as tendências mais fracas, especialmente no agronegócio, se arrastem para os próximos meses.

“Mesmo que os ajustes contábeis não ajudem, não estamos certos se isso é apenas um episódio passageiro ou se levará mais tempo, já que parte das tendências fracas depende do ciclo de crédito do agronegócio e de outros produtos que continuam a se deteriorar”, escreveram. 

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Segundo o JP Morgan, dado que a rentabilidade (ROE) do Banco do Brasil também encolheu, agora abaixo da marca de 20%, “esse ritmo de crescimento da carteira de empréstimos levanta questões sobre a sustentabilidade do payout de dividendos”.

Para o Goldman Sachs, as principais questões para o BB daqui para frente são como reconstruir a margem financeira líquida antes da eventual queda dos juros no Brasil, a extensão da deterioração da qualidade dos ativos no agronegócio e se o ROE poderá se recuperar próximo de 20%.

Recomendação de compra para BBAS3, mas…

Apesar do balanço fraco, o BTG segue com recomendação de compra para as ações BBAS3 por “fundamentos de valuation”, mas com viés negativo.

“Nosso instinto após olhar os resultados foi pensar em rebaixar a ação. Mas não achamos que isso ajudaria nem a nós nem aos nossos clientes. A mudança contábil provavelmente revela mais cedo que o BB não tem um ROE sustentável acima de 20%. Por outro lado, ninguém precificou a ação para isso, nem de perto”, avaliou o banco.

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Segundo os analistas, o Banco do Brasil ainda possui um valuation atraente, negociado a um múltiplo de cerca de 5,5 vezes o preço/lucro estimado para 2025.

Já o JP Morgan seguiu com recomendação neutra para o BB. “Ao buscarmos mais visibilidade sobre o poder de geração de lucro, mantemos a recomendação”, disse o banco norte-americano. 

O Goldman também possui classificação neutra para as ações BBAS3.

A Genial Investimentos rebaixou as ações do Banco do Brasil, passando de uma recomendação de compra para manter, equivalente à neutra. Os analistas também cortaram o preço-alvo de R$ 40,30 para R$ 31,40, uma valorização potencial de 6,8%. 

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