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ALTA COM DESCONFORTO

Mesmo com Ibovespa em níveis recordes, gestores ficam mais cautelosos, mostra BTG Pactual

Pesquisa com gestores aponta queda no otimismo, desconforto com valuations e realização de lucros após sequência histórica de altas do mercado brasileiro

ibovespa ouro bitcoin
O que está por trás do drawdown cada vez mais curto - Imagem: Canva Pro

Apesar de a escalada recente do mercado ter animado parte dos gestores, o investidor brasileiro dá sinais de freio após a disparada do Ibovespa nas últimas semanas. Uma nova pesquisa realizada pelo BTG Pactual junto a agentes do mercado no Brasil mostra que, mesmo sem aversão ao risco, cresce o número de profissionais que enxergam o momento com neutralidade e consideram o valuation mais apertado. 

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Segundo o estudo, há um esfriamento claro no humor do mercado: apenas 48% dos entrevistados se dizem otimistas, bem abaixo dos 66% da última sondagem.

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Ao mesmo tempo em que seguem posicionados para o ciclo de cortes de juros aqui e nos Estados Unidos, muitos começam a realizar lucros e a reduzir exposição. Este movimento revela um desconforto silencioso com os preços atuais e a busca por mais cautela na reta final do ano.

Alta dos mercados 

O Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, superou a marca dos 158 mil pontos, após uma sequência de 15 pregões consecutivos de valorização, encerrada com novo recorde de fechamento na última terça-feira (11).

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O movimento tem despertado a atenção dos agentes de mercado, já que algo semelhante não era visto desde o período entre maio e junho de 1994 — época do lançamento do Plano Real — quando o índice acumulou 15 altas seguidas, entre os dias 17 de maio e 7 de junho.

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A queda dos juros nos EUA, a expectativa de cortes na Selic, a desaceleração da inflação no Brasil e a melhora do ambiente comercial são apontados como o que está por trás deste recente recorde histórico do Ibovespa.

Sinais de cautela 

Após a recente alta dos mercados nas últimas duas semanas, o BTG Pactual observa sinais de cautela. 

“De forma alguma os investidores estão pessimistas ou buscando reduzir significativamente o risco, mas mais gestores relatam que o sentimento agora é neutro (37% dos entrevistados) e que os níveis de valuation [do IBOV] estão cada vez mais justos (42%)”, descreve a instituição. Tal porcentagem indica um sinal de enfraquecimento na percepção da avaliação, visto que anteriormente 35% dos entrevistados avaliavam o Ibovespa de forma justa.

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O banco também observa um número crescente de investidores buscando realizar lucros recentes e reduzir posições. “Para nós, o sinal é claro: os investidores estão menos confortáveis com o valuation após a alta e buscando reduzir o risco até o final do ano”.

A pesquisa aponta ainda que a maioria dos clientes do banco (77%) está relatando fluxos obtidos em seus fundos. De acordo com o BTG Pactual, este resultado “ainda reflete o status de baixa adesão da classe de ativos de ações".

Reação aos ciclos das taxas de juros e sentimento sobre as eleições

A pesquisa do BTG Pactual revela que os investidores continuam se expondo aos ciclos de redução das taxas de juros nos EUA e no Brasil, com as preocupações fiscais praticamente esquecidas por enquanto. 

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Já em relação aos possíveis resultados das eleições do ano que vem, o estudo mostra que a maioria dos investidores vê uma chance de 50% de o presidente Lula vencer. Tal porcentagem, como indica o banco, sugere que os investidores veem a corrida presidencial do próximo ano como um evento ainda incerto. O governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas, é apontado por 87% dos entrevistados como o nome mais provável para representar a oposição.

Posicionamento e negociações consensuais

A pesquisa aponta que o mercado continua concentrado em serviços básicos e financeiros (37% contra 36% anteriormente). Os setores financeiro e imobiliário compartilharam o segundo e o terceiro lugares. Já na tese short (aposta na queda dos preços dos ativos), os investidores continuam apresentando uma alocação baixa em commodities e varejo. 

As principais posições compradas consensuais continuam sendo Equatorial (EQTL3), Axia (AXIA3) e BTG Pactual (BPAC11). Entre as apostas na queda, destacam-se Ambev (ABEV3), Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4). 

Por fim, pela primeira vez, o levantamento perguntou quais ações se beneficiariam mais com uma possível mudança para um governo de centro-direita. As principais escolhas foram as empresas estatais (Banco do Brasil, Petrobras) e XP.

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