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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

SD ENTREVISTA

Investidor ainda está machucado e apetite pela bolsa é baixo — e isso não tem nada a ver com a tarifa do Trump, avalia CEO da Bradesco Asset

Apetite por renda fixa já começou a dar as caras entre os clientes da gestora, enquanto bolsa brasileira segue no escanteio, afirma Bruno Funchal; entenda

Camille Lima
Camille Lima
16 de julho de 2025
6:36 - atualizado às 22:08
Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset, fala sobre apostas da gestora para bolsa brasileira, dólar e juros.
Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset, fala sobre apostas da gestora para bolsa brasileira, dólar e juros. - Imagem: Divulgação

Ainda com as cicatrizes dos fracos desempenhos da bolsa brasileira e dos fundos multimercados nos últimos anos, os investidores brasileiros seguem com um apetite contido por ações. E, segundo Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset e ex-secretário do Tesouro Nacional, isso tem mais a ver com o contexto atual do mercado do que com as tarifas de Donald Trump.

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“Ainda não vemos os investidores muito animados com a bolsa. Apesar de as ações locais terem subido bastante em 2025, as pessoas não têm capturado isso, porque não estão comprando. Até o brasileiro está fora da bolsa”, disse, em entrevista ao Seu Dinheiro.

Funchal, responsável por um patrimônio de quase R$ 950 bilhões em ativos, ressalta que o crédito continua sendo o principal motor de crescimento da Bradesco Asset. 

Em 2025, o apetite por renda fixa voltou a ganhar espaço nas carteiras dos investidores, que começaram a abrir posições mais consistentes nesse segmento.

Contudo, a bolsa brasileira segue no escanteio, com posições em renda variável local ainda muito marginais, de acordo com o executivo. 

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“Agora vemos um movimento dos clientes de tomar risco via renda fixa. O próximo passo será multimercado e ações”, afirmou.

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Por que a bolsa brasileira ainda não empolga os investidores?

Para Funchal, a falta de interesse pela bolsa brasileira é resultado de um longo período de incertezas nos mercados.

“Como você teve anos de percepção ruim com a bolsa, não há demanda. Ainda não vemos essa vontade do investidor de voltar a investir em ações. Foram muitos anos de investidores mais cautelosos com bolsas e com multimercados, então não sei se a retomada vai acontecer de uma hora para outra”, afirmou o executivo.

O CEO da Bradesco Asset destaca que o elevado nível de juros aumenta a aversão ao risco, o que reflete diretamente na liquidez da bolsa brasileira. 

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Dada a baixa alocação dos investidores, qualquer pequeno movimento de entrada de recursos estrangeiros já causa um impacto significativo nos preços das ações e faz a bolsa andar bastante. 

“Quando você tem juro alto, o que vai atrair mais é crédito, menos equity. No momento que o juro começar a cair, podemos estar entrando em um bom momento para as ações”, projetou. 

A gestora prevê que os primeiros cortes da Selic aconteçam entre o primeiro e o segundo trimestres de 2026, o que abriria um cenário mais favorável para os ativos de risco, incluindo a bolsa.

Contudo, esse cenário positivo para os juros e a bolsa depende, em grande parte, do desfecho da guerra comercial entre os EUA e o Brasil. 

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Na noite da última terça-feira (15), o escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) iniciou uma investigação comercial contra o Brasil a pedido de Trump, alegando práticas desleais que prejudicam empresas americanas, especialmente no setor de mídia social e comércio digital.

Isso tende a complicar a situação para o Brasil, que perde poder de negociação com os EUA, já que a potência norte-americana sinalizou com a investigação que as tensões poderiam escalar para motivos além do comércio.

E, a depender de como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidir retaliar, as consequências podem ser desastrosas. Um tiro no pé, segundo Funchal.

*A entrevista foi realizada antes de a investigação comercial dos EUA contra o Brasil se tornar pública.

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