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Dani Alvarenga

Repórter de fundos imobiliários e finanças pessoais no Seu Dinheiro. Estudante de Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP).

O CÉU É O LIMITE?

Ibovespa bate novo recorde de fechamento com corte de juros nos EUA; mais cedo, índice chegou a romper os 146 mil pontos

Principal índice da bolsa brasileira fechou em alta de 0,93%, a 145.404,61 pontos; dólar teve leve alta de de 0,06%, a R$ 5,3012

Dani Alvarenga
17 de setembro de 2025
11:33 - atualizado às 18:11
Foguete voando na frente da bolsa; Ibovespa em alta
Montagem com foguete decolando na frente da sede da B3. - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O Ibovespa vem batendo um recorde atrás do outro nas últimas semanas. E quem apostou que as turbulências geopolíticas roubariam o fôlego do principal índice da B3 errou feio: a bolsa brasileira voltou a renovar máximas nesta quarta-feira (17), em meio a mais uma Super Quarta — como o mercado local costuma chamar a data na qual as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos coincidem.

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Ao longo do pregão, o índice rompeu pela primeira vez a marca dos 146 mil pontos, mas fechou o dia com uma alta de 0,93%, a 145.404,61 pontos, novo recorde para o fechamento. O dólar, por sua vez, encerrou as negociações quase no zero a zero, com leve alta de 0,06%, a R$ 5,3012.

O bom humor dos investidores vem na esteira do anúncio do Federal Reserve (Fed), que finalmente iniciou o ciclo de cortes nos juros dos EUA, o que tende a abrir espaço para cortes na Selic

O banco central norte-americano cortou as taxas em 0,25 ponto percentual. Assim, os juros passam da faixa dos 4,25% e 4,50% ao ano para o intervalo de 4% a 4,25% ao ano.

Já no cenário doméstico, a expectativa é que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a Selic em 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas. No entanto, o início do afrouxamento monetário nos EUA abre espaço para que os juros caiam também por aqui, a partir do fim deste ano ou início do ano que vem.

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Como a expectativa de corte de juros nos EUA mexe com Ibovespa e dólar

No caso do dólar, não dá para esquecer que os juros nos EUA funcionam como uma espécie de aspirador de dinheiro no mundo, uma vez que balizam o rendimento dos Treasurys, os títulos da dívida do Tesouro norte-americano

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Esses papéis são considerados os investimentos mais seguros do mundo, por isso seus juros servem como uma espécie de “piso” para os demais ativos globais.

A expectativa de taxas mais altas nos EUA atrai investidores estrangeiros, elevando a demanda por dólar. O efeito contrário acontece quando há expectativa de cortes pelo Fed: o diferencial de retorno entre os juros dos Treasurys e os dos títulos de dívida de outros países diminui e, com isso, a atratividade do dólar perde força. 

Nesse cenário, moedas de países emergentes que ainda oferecem juros altos, como o real brasileiro, se tornam mais interessantes.

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No caso das bolsas, juros mais baixos motivam os investidores a saírem dos ativos mais seguros, como os Treasurys, em busca dos ativos de risco, o que inclui as ações dos países emergentes, como o Brasil.

Os destaques do Ibovespa

Na ponta positiva do principal índice da B3, o destaque ficou por conta da RD Saúde (RADL3), que subiu mais de 6%, com Magazine Luiza (MGLU3) no segundo lugar:

NomeCódigoVariação (%)Preço (R$)
Raia DrogasilRADL36,06%R$ 18,55
Magazine LuizaMGLU35,31%R$ 11,31
Assaí ASAI34,55%R$ 10,57
CosanCSAN33,62%R$ 8,01
BradescoBBDC43,06%R$ 17,51

Já os destaques na ponta negativa foram:

NomeCódigoVariação %Preço (R$)
C&ACEAB3-2,28%R$ 17,99
MarfrigMRFG3-1,96%R$ 26,98
Pão de AçúcarPCAR3-2,17%R$ 4,06
BraskemBRKM5-1,11%R$ 8,93

Bolsas em NY fecham sem direção única

Em Wall Street, os principais índices de ações fecharam sem direção única nesta quarta. O Dow Jones chegou a atingir máxima intraday histórica após o anúncio, mas arrefeceu e fechou com alta de 0,57%, a 46.018,32 pontos. Já o S&P 500 caiu 0,10% aos 6.600,35 pontos, enquanto Nasdaq encerrou o pregão em queda de 0,33%, aos 22.261,33 pontos.

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Nos mercados, o gráfico de pontos e as sinalizações do presidente do Fed, Jerome Powell, foram lidos por uma ótica relativamente hawkish (duras contra a inflação e a favor de uma política monetária mais restritiva), o que contribuiu para a falta de ímpeto das ações.

Ainda assim, as sinalizações do Fed e do próprio Powell foram na direção de confirmar as expectativas majoritárias do mercado de mais dois cortes de juros ainda neste ano.

A decisão do comitê de política monetária do Fed não foi unânime. Stephen Miran — recém-empossado e indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump — votou por um corte maior, de 0,50 p.p., enquanto os demais diretores concordaram com 0,25. O presidente norte-americano vem defendendo publicamente a queda dos juros, além de criticar Powell publicamente.

Embora uma queda mais acentuada nos juros seja, de maneira geral, positiva para ativos de risco, como as ações, a perspectiva de que o Fed tenha a sua independência abalada pelas indicações de Trump — que no ano que vem serão mais numerosas — é algo que acende temores nos investidores.

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