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O lucro de R$ 216 milhões entre julho e setembro não foi capaz de ofuscar outra linha do balanço, que é para onde os investidores estão olhando: a da rentabilidade

A M. Dias Branco (MDIA3) está esfarelando na bolsa nesta segunda-feira (10), com desvalorização de quase 11% por volta das 14h30, negociada a R$ 26,05. Os papéis sofrem com a reação do mercado ao balanço do terceiro trimestre, divulgado nesta manhã.
Mesmo que o lucro da companhia tenha crescido 73% na base anual, para R$ 216 milhões, o que os investidores estão olhando mesmo é para outra linha: a da rentabilidade, segundo o Bradesco BBI.
De acordo com o banco, os resultados frustraram as expectativas, uma vez que o mercado esperava sinais mais claros de recuperação da rentabilidade.
A receita líquida da M. Dias Branco no período ficou em R$ 2,8 bilhões — avanço de 16% frente ao mesmo intervalo do ano passado, mas 4% abaixo do projetado pelo BBI, pressionada por preços mais baixos e piora no mix de produtos.
Segundo o BTG Pactual, despesas maiores também pressionaram a rentabilidade, levando o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) a R$ 324 milhões, 17% abaixo das estimativas do banco, com margem de 11,6% — queda de 0,9 ponto percentual (p.p.) e 2,7 p.p. abaixo do esperado pelo time.
A geração de fluxo de caixa operacional foi sólida, segundo analistas, em R$ 530 milhões, sustentada por um destravamento de capital de giro de R$ 205 milhões, esperado diante da queda nos preços das commodities, e maior monetização de tributos recuperáveis.
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Segundo o BTG, antes de olhar para os números, é importante contextualizar os últimos anos na companhia, que passou a depender mais de aumentos de preços — uma estratégia que os analistas sempre questionaram, dada a baixa força de marca e o poder limitado de precificação da categoria.
Segundo o time de análise, as consequências ficaram claras: desde 2018, movimentos focados em preço pressionaram os volumes, culminando em um terceiro trimestre difícil, quando preços acima dos concorrentes levaram a uma queda de 17% trimestral nos volumes de vendas.
Ou seja, o avanço de mais de 70% no lucro também é menos impressionante quando vemos que a base de comparação anual é mais fraca.
No período que se encerrou em setembro, os volumes subiram 5,6% frente aos três meses imediatamente anteriores — em linha com a média sazonal de 10 anos entre o terceiro e o segundo trimestre — enquanto os preços médios caíram 3% frente ao período de abril a junho.
“Como os preços da indústria para biscoitos e massas ficaram praticamente estáveis (+1% e −1%, respectivamente), isso sugere um esforço deliberado para recuperar participação de mercado, assumindo mix constante. As despesas de vendas aumentaram 9,6% trimestre a trimestre, reforçando a visão de que a MDB está adotando uma postura comercial mais assertiva (agressiva?)”, escreve o banco em relatório.
Para o BTG, a M. Dias Branco precisa se provar. “A gestão está reformulando sua estratégia comercial e a empresa entra agora na fase mais difícil: reconstruir a participação de mercado perdida durante os anos de foco em margem”, diz o banco em relatório.
Para os analistas, isso pode pressionar as margens no curto prazo, mas tem chance de melhorar a posição competitiva no longo prazo — desde que a execução se traduza em recuperação de espaço nas gôndolas e em volumes sustentáveis.
“Os próximos trimestres serão essenciais para avaliar se a MDB conseguirá entregar a consistência que faltou. Até termos convicção mais clara sobre essa trajetória e sobre seus impactos nos lucros , nós mantemos a recomendação neutra”, afirma o time.
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