Em reviravolta, ações da CVC (CVCB3) deixam a ponta negativa do Ibovespa e chegam a subir 6%. Afinal, o resultado do 4T24 é positivo ou negativo?
A empresa saiu das maiores quedas do Ibovespa para as maiores altas, com o mercado avaliando se os pontos negativos foram maiores do que os positivos; saiba o que fazer com as ações agora

A quinta-feira (27) começou vermelha para a CVC (CVCB3). Os papéis da empresa de turismo iniciaram o dia com queda superior a 8%, liderando a ponta negativa do Ibovespa. Mas as ações viraram o jogo e agora sobem mais de 4%, depois de um pico de 6%, figurando entre as maiores altas do principal índice da bolsa brasileira.
A volatilidade dos papéis acompanha os dados mistos do balanço do quarto trimestre de 2024. Se, por um lado, a empresa melhorou o lucro, por outro, o fluxo de caixa piorou. Enquanto no Brasil as reservas avançaram, a operação na Argentina ficou para trás.
Em relatório, os analistas do BTG destacam que a reestruturação iniciada em 2023 segue em andamento e a empresa ainda tem “grandes desafios futuros, como o progresso da desalavancagem e o crescimento/competição online”.
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Os pontos positivos
De modo geral, o ano de 2024 foi positivo para a CVC. Na avaliação do BTG, a reestruturação que começou em 2023 levou a uma melhora na lucratividade da empresa no ano passado. O lucro operacional medido pelo Ebit foi de R$ 90,8 milhões no ano, revertendo o prejuízo de R$ 130,5 milhões de 2023.
Os dados do quarto trimestre também mostraram avanços. O lucro líquido ajustado foi de R$ 8,5 milhões no período, revertendo um prejuízo de R$ 15,4 milhões apurado no quarto trimestre de 2023.
O Itaú BBA destacou as reservas utilizadas no quatro trimestre, que aumentaram 6% na comparação anual. No Brasil, a alta foi de 15% ano a ano, enquanto na Argentina caíram 18% na mesma comparação.
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A receita líquida do Brasil também cresceu 15% em termos anuais, para R$ 309 milhões, enquanto as receitas da Argentina diminuíram 31%, para R$57 milhões.
Ainda assim, o saldo foi positivo, com a receita líquida consolidada crescendo 4% entre outubro e dezembro na comparação anual, para R$ 366 milhões, 7% acima da projeção do BTG.
Embora a tendência mais fraca de Argentina tenha sido um detrator, a análise do BBA foi de que o quarto trimestre marcou um retorno do crescimento consolidado de reservas confirmadas. “Prevemos que essa tendência acelere ainda mais no primeiro trimestre, dadas as comparações mais fáceis no Brasil e na Argentina”, diz o relatório.
Desafios da CVC
Entre os pontos negativos se destacam as despesas e o consumo de fluxo de caixa.
O consumo de caixa da CVC no quarto trimestre foi de R$ 50,7 milhões, uma piora de R$ 47,8 milhões em comparação com um ano antes. O principal motivo teria sido o impacto pela redução em 4 dias do prazo de pagamento da Associação Internacional de Transporte Aéreo para voos regulares.
A empresa argumenta se tratar de um impacto isolado. Desconsiderando este efeito, a geração de caixa do período teria sido de R$ 89,3 milhões.
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As despesas gerais e administrativas caíram 3% no quarto trimestre em comparação com o mesmo período de 2023, para R$ 259 milhões (excluindo R$25 milhões relacionados a despesas não recorrentes, principalmente de um impairment na Argentina), enquanto as despesas com vendas cresceram 12% na mesma base de comparação, para R$ 78 milhões.
Qual o saldo?
“Os resultados do quarto trimestre da CVC mostraram tendências decentes nas reservas no Brasil e melhores sinais na frente de lucratividade, mas o fluxo de caixa foi um destaque negativo”, diz o relatório do BTG.
Os analistas ponderam que, depois de atingir as mínimas em 2020 e 2021, a empresa se beneficia da recuperação da demanda de viagens, ao mesmo tempo em que explora suas fortes relações de longo prazo com o “fragmentado” setor hoteleiro e as companhias aéreas.
A recomendação do BTG se mantém neutra para as ações CVCB3, e os analistas afirmam esperar mais dados que indiquem melhora da desalavancagem e crescimento em relação a concorrentes online.
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O BBA também vê a alavancagem da empresa como um detrator para o preço das ações, mas a visão geral é positiva, com a ação classificada como outperform, equivalente a recomendação de compra.
O preço-alvo é de R$ 5,10, um potencial de valorização acima de 100% considerando os atuais R$ 2,47%.
“Este ano, acreditamos que os investidores se concentrarão em saber se a CVC pode crescer enquanto gera fluxo de caixa positivo e reduz a alavancagem. Se sim, a [ações] CVCB3 podem ter um bom desempenho a partir daqui”, diz o relatório do BBA.
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