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Poupança, Tesouro Direto e CDB: a renda fixa tem chance de reagir com a Selic mantida em 10,50%? Fizemos os cálculos para você

Banco Central manteve a taxa básica de juros inalterada nesta quarta-feira (19); saiba quanto rendem os investimentos conservadores a partir de agora

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19 de junho de 2024
19:05 - atualizado às 14:31
poupança
Imagem: Shutterstock

Em meio a muita pressão do governo para o corte dos juros, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) acabou mantendo nesta quarta-feira (19) a taxa básica em 10,50%, em uma decisão unânime. Para quem investe, a dúvida é se a rentabilidade da renda fixa têm chance de reagir com a Selic no mesmo patamar e o Seu Dinheiro fez os cálculos para você.

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A edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, mostrou que os juros devem continuar em 10,5% em 2024. Embora a expectativa é que a taxa básica siga em patamar elevado até o fim do ano, os retornos da renda fixa ainda podem diminuir no futuro próximo — de acordo com o Focus, novos cortes são esperados para 2025, quando a Selic pode cair a 9,50%. 

A remuneração menor das aplicações conservadoras, entretanto, não significa que elas devam deixar a sua carteira. 

Primeiro porque ter uma reserva de emergência alocada em renda fixa pós-fixada, de liquidez diária e com baixo risco de crédito é sempre fundamental, independentemente do patamar de juros.

Segundo porque, ainda que mais baixa, a taxa básica de juros no Brasil ainda é alta frente à inflação. Nos 12 meses terminados em maio, o IPCA acumulou variação positiva de 3,93%, fazendo com que o retorno real (acima da inflação) das aplicações pós-fixadas sigam atraentes.

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Quanto rendem os investimentos de renda fixa com a Selic em 10,50%?

A taxa básica em 10,50% não é o suficiente para ativar o gatilho que muda a regra de remuneração da caderneta de poupança para 70% da Selic mais Taxa Referencial (TR). Esta mudança só ocorre caso os juros caiam abaixo de 8,50%.

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Assim, a poupança continua pagando o tradicional 0,50% ao mês mais TR e se torna um pouco mais atrativa frente às aplicações financeiras indexadas à Selic e ao CDI.

Com a Selic em 10,50% ao ano (e supondo um CDI um pouco inferior, de 10,40%, como costuma acontecer), veja, na tabela a seguir, quanto você teria ao final de cada período caso aplicasse R$ 100 mil:

Quanto você teria ao final de
1 mês1 ano2 anos
PoupançaR$    100.553,30R$    106.845,43R$    114.159,45
TD Selic 2027R$    100.634,37R$    108.249,38R$    118.389,37
CDB 100% CDIR$    100.641,63R$    110.400,00R$    118.599,36
LCI 95% do CDIR$    100.786,51R$    109.880,00R$    120.736,14
Fonte: Paula Bazzo, planejadora financeira CFP® da Planejar

Parâmetros da simulação

  • Para o cálculo do retorno da poupança, foi considerada a TR média mensal de 2024 (0,0533%) [Fonte: https://www.debit.com.br/tabelas/tr-bacen]
  • A poupança é isenta de imposto de renda
  • Para o cálculo do retorno do Tesouro Selic, foi considerada uma taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre todo o montante investido. Além disso, imposto de renda de 22,5% ao final de 1 mês, 20% ao final do primeiro ano e 15% ao final do segundo ano
  • Existe uma isenção da taxa de custódia para valores aplicados de até R$ 10 mil, o que significa que a rentabilidade do Tesouro Selic, nesses casos, é um pouco maior que a estimada nos cálculos apresentados.
  • Para o cálculo do Tesouro Selic 2027, foi considerada a rentabilidade de SELIC + 0,0882% (https://www.tesourodireto.com.br/titulos/precos-e-taxas.htm)
  • Para o CDB, foi considerando o CDI em 10,4% a.a. (ligeiramente menor que Selic). Para o IR, foi considerado 22,5% ao final de 1 mês, 20% ao final do primeiro ano e 15% ao final do segundo ano
  • Para o cálculo do LCI, foi considerado o CDI em 10,4% a.a. (ligeiramente menor que Selic), portanto a taxa anual de 95% do CDI seria 9,88% a.a. Neste produto não há incidência de imposto de renda

A trajetória da Selic

Nas últimas sete reuniões, a autoridade monetária reduziu a taxa Selic, com seis cortes de 0,5 ponto e um corte de 0,25 ponto, na última reunião. 

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No entanto, com os recentes aumentos nas projeções de inflação para 2025 e 2026, a piora no cenário fiscal, a recente alta do dólar e os juros altos nos Estados Unidos fez com que as apostas majoritárias fossem de uma pausa no afrouxamento monetário pelo Banco Central, embora não fosse possível descartar totalmente a possibilidade de o Copom realizar mais um corte de 0,25 ponto percentual. 

Apesar das projeções, o placar da votação entre os dirigentes do Copom foi o foco do mercado. Isso porque, na última reunião de maio, a decisão do colegiado não foi unânime, o que trouxe a possibilidade de mais uma divisão entre os membros na nova reunião sobre a Selic. 

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