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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

BALANÇO DO TD

Ranking do Tesouro Direto do mês: retorno dos títulos públicos vira para o vermelho na reta final de novembro com pacote de corte de gastos

Títulos prefixados e indexados à inflação caminhavam para fechar o mês em alta, mas viraram para queda após anúncio de Haddad

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
28 de novembro de 2024
18:19
Gráfico de queda
Imagem: Shutterstock

Os títulos públicos prefixados e indexados à inflação vendidos no Tesouro Direto acumulavam alta no mês na maioria dos vencimentos até a manhã da última quarta-feira (27). Mas da tarde de ontem para cá, o tempo virou: de valorizações modestas, os papéis passaram a apresentar queda em novembro, e devem fechar o período no vermelho mais uma vez, novamente com os títulos mais longos na lanterna do ranking do Tesouro Direto.

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O motivo desta vez foi bastante claro: o anúncio do pacote de cortes de gastos no valor de R$ 70 bilhões feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, entre a noite de ontem e a manhã desta sexta-feira (28), que foi considerado insuficiente pelo mercado.

Mas a principal razão para a reação negativa do mercado foi a escolha do governo de anunciar, junto com o pacote, a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.

Embora a medida fosse uma promessa de campanha do presidente Lula e já fosse esperado que uma reforma no imposto de renda fosse nessa direção, a escolha do momento do anúncio foi mal recebida pelo mercado, que entendeu que isso passa a mensagem de que o governo não está realmente comprometido com a responsabilidade fiscal.

Como consequência, o dólar disparou, chegando a furar pela primeira vez a barreira dos R$ 6, e os juros futuros subiram forte, o que derrubou os preços dos títulos públicos prefixados e indexados à inflação. Assim, o rendimento que vinha positivo no mês, virou para o negativo.

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Agora, somente os papéis Tesouro Selic apresentam desempenho positivo em novembro, beneficiados pela Selic em alta. Veja o desempenho dos títulos públicos ainda disponíveis para compra no Tesouro Direto nos últimos 30 dias:

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Ranking do Tesouro Direto em novembro

TítulosÚltimos 30 diasNo ano12 meses
Tesouro Selic 20290,93%10,20%11,31%
Tesouro Selic 20270,89%10,16%11,22%
Tesouro Prefixado 2027-1,00%--
Tesouro IPCA+ 2029-1,17%0,42%3,03%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035-1,73%-2,97%0,52%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2040-2,25%-4,63%-0,45%
Tesouro IPCA+ 2035-2,46%-7,14%-2,88%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2055-2,67%-8,51%-3,31%
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2035-3,25%--
Tesouro IPCA+ 2045-3,50%-14,90%-9,51%
Tesouro Prefixado 2031-3,53%--
Fonte: Tesouro Direto

O avanço dos juros, por outro lado, elevou os retornos dos títulos, levando a rentabilidade dos papéis Tesouro IPCA+ com vencimento em 2029 a superarem os 7% ao ano mais IPCA, rendimento que costuma ser visto realmente apenas em momentos de crise.

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