Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Oportunidade

Mesmo com a Selic em queda, taxas do Tesouro Direto subiram e voltaram aos níveis de outubro de 2023; vale a pena investir agora?

Títulos públicos mais longos acumulam queda neste início de ano; no caso do Tesouro IPCA+ remuneração voltou a se aproximar dos 6% ao ano mais inflação

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
21 de março de 2024
6:00 - atualizado às 10:55
titulos publicos
Imagem: Shutterstock

Desde meados do ano passado, a taxa básica de juros vem passando um ciclo de cortes que ganhou um novo capítulo na última quarta-feira (20). O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) fez uma nova redução de 0,50 ponto percentual na Selic, derrubando-a a 10,75% ao ano.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Bem antes do início do afrouxamento monetário, porém, as taxas de remuneração dos títulos públicos prefixados e indexados à inflação, sobretudo os de prazos mais longos, já vinham passando por uma forte redução, embutindo a expectativa de queda da Selic.

Afinal, elas guardam relação com os contratos de juros futuros, ativos que representam as expectativas do mercado para a taxa de juros e que geralmente se antecipam aos movimentos do Banco Central.

Assim, se em março de 2023 os títulos Tesouro IPCA+ estavam pagando acima de 6% ao ano mais IPCA, ao final do ano passado, quem comprasse esses papéis no Tesouro Direto só conseguiria contratar um retorno mais próximo de 5% ao ano mais IPCA.

Como resultado, vimos títulos de diversos vencimentos se valorizarem por volta de 20% ou mais no ano passado – lembre-se de que quando as taxas dos prefixados e indexados à inflação caem, os papéis se valorizam e vice-versa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Acontece que, neste início de ano, enquanto a Selic já passou por dois cortes de 0,50 ponto percentual, os retornos dos títulos prefixados e indexados à inflação do Tesouro Direto subiram, num movimento que pode parecer contraintuitivo para o investidor não profissional.

Leia Também

Quem comprar esses papéis atualmente vai contratar, para o vencimento, taxas próximas das remunerações vistas em outubro do ano passado, quando os juros futuros tiveram um repique, levando a uma forte desvalorização dos títulos públicos. Estes porém, se recuperaram de novembro em diante, quando houve uma descompressão nas taxas.

Taxas dos títulos prefixados e indexados à inflação disponíveis para compra no Tesouro Direto

Título públicoRentabilidade anual
Tesouro Prefixado 202710,10%
Tesouro Prefixado 203110,93%
Tesouro Prefixado com juros semestrais 203510,94%
Tesouro IPCA+ 2029IPCA + 5,66%
Tesouro IPCA+ 2035IPCA + 5,77%
Tesouro IPCA+ 2045IPCA + 5,88%
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2035IPCA + 5,76%
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2040IPCA + 5,77%
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2055IPCA + 5,82%
Fonte: Tesouro Direto, em 20/03/2024

O que está acontecendo com os títulos do Tesouro Direto?

O motivo para a alta das rentabilidades dos títulos públicos agora é parecido com aquele que levou as taxas a dispararem em setembro e outubro do ano passado: a política monetária americana.

“A movimentação da nossa curva de juros é 100% ligada ao que está acontecendo nos Estados Unidos”, diz Lais Costa, analista de renda fixa da Empiricus.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em setembro de 2023, o comunicado que acompanhou a decisão de juros do Federal Reserve, o banco central americano, veio mais duro que o esperado, levando o mercado a acreditar que os juros permaneceriam elevados por mais tempo que o previsto inicialmente.

Isso provocou uma disparada nos juros dos Treasurys, os títulos do Tesouro americano, afetando também as taxas dos títulos públicos brasileiros. Com os juros nos EUA na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano, os bancos centrais de países emergentes, como o Brasil, ficam sem muito espaço para baixar seus juros básicos – até porque juros americanos e dólar elevados são fatores que pressionam a inflação no mundo todo.

Neste início de ano, o mercado vem novamente levando baldes de água fria dos dados econômicos americanos, que ainda mostram uma atividade forte e inflação persistente.

As falas do presidente do Fed, Jerome Powell, e dos diretores da instituição têm mantido o tom cauteloso, embora ontem o BC americano tenha confirmado a expectativa do mercado de três cortes de juros ainda neste ano, o que foi bem recebido pelos investidores.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
  • [Relatórios gratuitos] Analistas fazem recomendações semanais de renda fixa – e você pode receber todo esse conteúdo diretamente no seu e-mail. Clique aqui.

No final do ano passado, contudo, os investidores esperavam que o BC americano iniciasse o ciclo de cortes de juros ainda em março de 2024, mas essa expectativa veio se mostrando excessivamente otimista.

À medida que o tempo foi passando, os investidores foram jogando para frente suas expectativas para o primeiro corte de juros nos EUA, que passou para maio e agora já está em junho ou além.

Essas frustrações de expectativas impulsionaram os juros dos Treasurys e dos títulos públicos brasileiros novamente para cima – consequentemente, nossos papéis acumulam desvalorização no ano.

Retorno dos títulos prefixados e indexados à inflação em 2024

Títulos públicosRentabilidade em 2024
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 20242,76%
Tesouro IPCA+ 20242,74%
Tesouro prefixado 20242,35%
Tesouro prefixado 20252,11%
Tesouro prefixado com juros semestrais 20252,10%
Tesouro prefixado 20261,41%
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 20261,30%
Tesouro IPCA+ 20261,13%
Tesouro prefixado com juros semestrais 20271,03%
Tesouro prefixado com juros semestrais 2029-0,05%
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2030-0,22%
Tesouro IPCA+ 2029-0,36%
Tesouro prefixado 2029-0,83%
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2032-0,94%
Tesouro prefixado com juros semestrais 2031-1,04%
Tesouro prefixado com juros semestrais 2033-1,46%
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2035-1,72%
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2040-2,36%
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2045-2,98%
Tesouro IPCA+ 2035-3,20%
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2050-3,54%
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2055-4,08%
Fonte: Tesouro Direto, em 20/03/2024

Mas há também um fator local para esse fenômeno: o fato de o Brasil já estar se aproximando do fim do ciclo de cortes de juros. Com a perspectiva de início dos cortes nos EUA empurrada para frente, o mercado já começou a temer que o BC afinal não terá muito espaço para um afrouxamento monetário maior.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os investidores passaram a temer também um endurecimento do discurso do Banco Central na decisão de juros, o que realmente aconteceu ontem, quando o Copom passou a prever somente mais uma redução de 0,50 ponto percentual, para a próxima reunião.

Não se sabe ainda se os cortes parariam por aí ou se poderia haver cortes menores ou maiores nas próximas reuniões.

A expectativa dos economistas ouvidos pelo último Boletim Focus do Banco Central é de que a Selic termine o ano em 9,00% ao ano. Essa perspectiva pode mudar agora, com a alteração das previsões do Banco Central, mas pelo menos as notícias que vieram dos Estados Unidos na tarde de ontem animaram os mercados e derrubaram os juros futuros.

Vale a pena comprar títulos públicos agora?

Dito isto, é possível dizer que as taxas dos títulos do Tesouro Direto estão atrativas? A resposta é sim. Taxas próximas dos 6% ao ano mais inflação para Tesouro IPCA+, por exemplo, são historicamente elevadas, marcando em geral um bom ponto de entrada para o investidor.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Os títulos Tesouro IPCA+ estão com taxas nos níveis de quando o Brasil tinha muito mais risco fiscal, que é o parâmetro para os títulos mais longos. Então nesses títulos eu acho que tem ‘gordura’”, diz Lais Costa, da Empiricus.

Ela lembra que o CDS do Brasil – derivativo que funciona como um “seguro” contra o risco-país – está hoje em um dos seus menores níveis históricos, mostrando que a percepção de risco fiscal do país por parte dos investidores está baixa.

Para a analista, os títulos Tesouro IPCA+ mais longos se mostram neste momento mais interessantes até mesmo que as debêntures incentivadas, que também são indexadas à inflação, porém emitidas por empresas.

Mesmo com a isenção de imposto de renda para a pessoa física, os retornos desses papéis foram achatados pela forte demanda recente, diante de mudanças em títulos incentivados implementadas pelo CMN neste início de ano.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quem investir em Tesouro IPCA+ por agora, assim, tem a chance de garantir uma remuneração elevada até o vencimento do papel ou lucrar com a possível valorização do título quando os juros futuros caírem novamente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
CRÉDITO (IN)SEGURO

As agências de rating erraram? O que as revisões bruscas das notas de empresas encrencadas revelam sobre o papel da classificação de risco

9 de abril de 2026 - 6:05

Os casos de recuperações judiciais e extrajudiciais se avolumam a cada dia e trazem à tona o papel das agências de classificação de risco, que ficaram atrás de alguns eventos, como Raízen e Banco Master

RENDA FIXA

Empresas estão ‘perdendo a vergonha’ de pôr credor para pagar a conta, diz sócio da Vinland, diante de enxurrada de recuperações

8 de abril de 2026 - 19:30

Em evento do Bradesco BBI, executivo defendeu uma lei de falência mais pró-credor, ante tantas recuperações judiciais e extrajudiciais

RENDA FIXA + ETFS

Proteção contra a inflação e uma mesada: este ETF de renda fixa investe em Tesouro IPCA+ de um jeito diferente e ainda paga dividendos

1 de abril de 2026 - 19:02

O AREA11, do BTG Pactual, estreou faz pouco tempo e traz duas novidades para o investidor que gosta de dividendos, mas quer se manter na renda fixa

BALANÇO DO MÊS

Tesouro Selic e CDI: só ganharam em março os investimentos que nunca perdem

31 de março de 2026 - 19:40

Bitcoin e dólar também fecharam o mês no azul, mas com um caminho bem mais tortuoso do que o rentismo garantido de um juro em 15% ao ano

DEBÊNTURES E BONDS

Renda fixa privada: juro alto é a pedra no sapato dos títulos de dívida de empresas brasileiras; mas no exterior, investidor pode ousar mais

31 de março de 2026 - 18:50

É hora de ser cauteloso em relação ao crédito privado de maior risco no mercado local, mas no exterior há boas oportunidades, dizem gestores

NÃO FORAM SÓ AS AÇÕES

Títulos de renda fixa de Hapvida, CSN e Assaí também refletem momento difícil das empresas e veem forte queda no mercado

23 de março de 2026 - 19:04

Excesso de dívida e queima de caixa preocupam investidores, que exigem prêmio maior para manter papéis na carteira

RENDA FIXA

Tesouro Nacional reduziu o pânico, mas taxas dos títulos públicos devem continuar altas em resposta ao cenário global

20 de março de 2026 - 19:45

Tesouro fez recompras de títulos públicos ao longo da semana para diminuir a pressão vendedora, mas volatilidade deve continuar com escala da guerra no Oriente Médio

MEDO NO AR

Renda fixa: títulos públicos do mundo inteiro disparam com a expectativa de uma nova onda de aumento dos juros

20 de março de 2026 - 17:25

Preocupação com inflação levou o principal título da Inglaterra a oferecer 5% de juro, maior nível desde 2008; nos EUA, o Treasury de 30 anos chegou a 4,95%

SIMULAÇÃO

Renda fixa: quanto rendem R$ 10 mil no CDB, na LCA, no Tesouro Selic e na poupança com os juros em 14,75% ao ano?

18 de março de 2026 - 19:42

O Copom reduziu a taxa Selic, mas o retorno da renda fixa continua o mais atrativo do mercado; confira as rentabilidades

RENDA FIXA

Tesouro Direto: Prefixado a 14% e IPCA + 8% aqui não! Tesouro Nacional vai às compras e isso é bom para a sua carteira

17 de março de 2026 - 19:32

Iniciativa do Tesouro acalmou o mercado de títulos públicos e tende a diminuir preços e taxas diante da crise com a guerra no Oriente Médio

RENDA FIXA

O que vai acontecer com a renda fixa? Situação da Raízen (RAIZ4) e corte na Selic são motivos de alerta para gestores de fundos

16 de março de 2026 - 19:48

Fundos de crédito começam a registrar resgates pelos investidores, mas volume ainda é pequeno — o risco é aumentar nos próximos meses

CRÉDITO EM CRISE

Raízen (RAIZ4): como ficam as debêntures, bonds e CRAs após o pedido de recuperação extrajudicial?

11 de março de 2026 - 18:33

Alterações em prazos, juros ou conversões para ações podem afetar os títulos de dívida que têm a Raízen como devedora

ISENTO DE IR

Renda fixa: LCAs mais rentáveis de fevereiro pagam até 94,5% do CDI, sem imposto de renda; veja prazos e emissores

10 de março de 2026 - 19:45

As emissões com taxas prefixadas ofereceram 11,59% de juro ao ano — quase 1% ao mês isento de IR

CARTEIRA RECOMENDADA

Corte na taxa Selic e guerra no Oriente Médio: como investir em Tesouro Direto e outros títulos de renda fixa em março?

10 de março de 2026 - 14:01

Incerteza global mexeu nas taxas dos títulos públicos e interrompeu os ajustes na precificação dos títulos de renda fixa pela perspectiva de corte nos juros

ESTRATÉGIA DO GESTOR

Paradoxo da Selic: corte nos juros tende a diminuir risco de calote na renda fixa, mas Sparta alerta para outro risco no horizonte

9 de março de 2026 - 15:32

Ciclo de queda da taxa básica de juros tende a aumentar a volatilidade no mercado secundário de crédito privado e lembrar ao investidor que renda fixa não é proxy de CDI

CRÉDITO PRIVADO

Os juros vão cair, e esses são os melhores setores para investir na renda fixa com a taxa Selic menor

23 de fevereiro de 2026 - 19:04

Relatório da Empiricus com gestores de crédito mostra quais são as apostas dos especialistas para um corte maior ou menor nos juros; confira

ESTRATÉGIA DO GESTOR

Renda fixa sem IR: é hora de investir em CRAs ou em debêntures incentivadas? A Sparta responde

23 de fevereiro de 2026 - 14:01

A vantagem fiscal não deve ser o único benefício de um título de crédito — o risco também deve ser remunerado, e nem toda renda fixa está pagando essa conta

OPORTUNIDADE NO CRÉDITO

Não é hora de sair da renda fixa? Moody’s prevê bilhões em emissões no primeiro semestre

12 de fevereiro de 2026 - 18:58

Com R$ 117 bilhões em títulos para vencer, empresas devem vir a mercado para tentar novas emissões, a taxas ainda atraentes para o investidor

RENDA FIXA

CDBs dos bancos Pleno, Original e Pine estão entre os mais rentáveis de janeiro, pagando até 110% do CDI; vale a pena investir?

10 de fevereiro de 2026 - 16:15

Levantamento da Quantum Finance mostra quais emissões ficaram com taxas acima da média do mercado

SEM CONFIANÇA

Raízen (RAIZ4) non grata: investidores vendem debêntures da empresa com prejuízo, diante de maior percepção de risco

9 de fevereiro de 2026 - 14:01

Depois dos bonds, debêntures da Raízen derretem no mercado secundário, com abertura de até 40 pontos percentuais em taxas

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia