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ORIENTE MÉDIO

Uma guerra em larga escala vem aí? Irã ameaça retaliar Israel após assassinato de líder do Hamas em Teerã; petróleo dispara

Ataque atribuído a Israel eleva temores de que a situação saia de controle no Oriente Médio; EUA negam envolvimento em morte de líder do Hamas

Hamas era o grupo político dominante na Faixa de Gaza antes da invasão de Israel.

A tensão no Oriente Médio escalou a níveis alarmantes nas últimas 24 horas. Ações militares admitidas por ou atribuídas a Israel e aos Estados Unidos desataram ameaças de retaliação por parte do Irã e de grupos radicais da região.

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Na terça-feira (30), Israel bombardeou Beirute, a capital do Líbano. O ataque resultou na morte de Fouad Shukar, comandante do braço armado do Hezbollah, principal agrupamento político xiita do Líbano, estreitamente vinculado ao Irã.

Israel atribui a Shukar a responsabilidade por um ataque de mísseis que matou 12 crianças drusas e feriu mais de 40 pessoas nas Colinas do Golã no início da semana. O Hezbollah nega responsabilidade pelo atentado.

Horas depois do ataque a Beirute, fontes militares norte-americanas confirmaram à agência de notícias Reuters que os Estados Unidos promoveram uma ação militar contra a base de uma milícia também ligada a Teerã no Iraque, provocando a morte de quatro pessoas.

Na manhã desta quarta-feira (31), um bombardeio atribuído a Israel provocou a morte de Ismail Haniyeh, líder político e diplomático do grupo islâmico Hamas.

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Haniyeh vivia exilado no Qatar, mas o assassinato ocorreu em Teerã, onde horas antes ele acompanhou a posse do novo presidente do Irã. O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, também esteve na cerimônia.

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A escalada lança de volta à estaca zero o arremedo de negociação entre Israel e o Hamas por um cessar-fogo em troca da libertação dos mais de cem reféns israelenses ainda em poder do grupo extremista.

Temores de que a situação saia de controle no Oriente Médio fazem com que os contratos de petróleo mais negociados subam cerca de 3% nesta quarta-feira. Por volta das 11h30, o petróleo do tipo Brent era cotado a US$ 79,25.

Quem era Ismail Haniyeh

Principal expoente político e diplomático do Hamas, Hanyieh era o interlocutor da organização nos contatos com Israel.

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Também era considerado por negociadores como um dos poucos vestígios de diplomacia no alto escalão de uma organização qualificada como terrorista por Israel, pelos EUA e parte de seus aliados.

Ao mesmo tempo, Haniyeh figurava entre os líderes do Hamas jurados de morte pelo governo israelense pelos atentados promovidos pelo grupo extremista em 7 de outubro do ano passado, nos quais 1.197 pessoas morreram.

Em retaliação, Israel invadiu e ocupou a Faixa de Gaza, onde o número de palestinos mortos já passa de 40 mil nos últimos nove meses.

Israel não reivindicou assassinato de líder do Hamas

Israel ainda não se pronunciou abertamente sobre a morte de Haniyeh, mas parece haver poucas dúvidas de que o governo de Benjamin Netanyahu levou a cabo a ameaça.

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Uma postagem feita pela assessoria de imprensa do governo em sua página no Facebook traz uma foto de Haniyeh em close com a inscrição “ELIMINADO!”

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, disse que Israel “preparou o terreno para atrair para si uma dura punição”.

Vale notar que, em meio à crescente tensão dos últimos meses, o Irã enviou enxames de drones em direção a Israel.

O episódio também atraiu advertências de aliados de Israel.

A Rússia qualificou o assassinato de Haniyeh como “inaceitável” e nocivo às incipientes negociações.

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A China manifestou preocupação com uma nova escalada do conflito no Oriente Médio.

Na Turquia, o presidente Recep Tayyip Erdogan foi além: “É uma tentativa desprezível de minar a causa palestina, a gloriosa resistência de Gaza e a luta legítima de nossos irmãos palestinos, com a intenção de desmoralizá-los, intimidá-los e eliminá-los”.

A Turquia integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar liderada pelos Estados Unidos.

Assassinato de líder do Hamas isola Israel

Mesmo que Israel não venha a assumir publicamente a responsabilidade pelo assassinato de Haniyeh, analistas geopolíticos especializados em Oriente Médio consideram que o episódio isola ainda mais o governo de extrema-direita chefiado por Benjamin Netanyahu.

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Contestado internamente e criticado internacionalmente, Netanyahu é acusado de usar a guerra para se manter no poder e se esquivar de investigações de corrupção em seu governo.

Há quem qualifique o assassinato de Haniyeh como mais uma tentativa de Netanyahu de transformar o conflito com o Hamas em uma guerra regional que atraia uma intervenção direta dos EUA. É o caso de Abbas Aslani, pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos sobre o Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, os acontecimentos das últimas 24 horas levantam suspeitas de que, ao visitar Washington na semana passada, Netanyahu tenha recebido a bênção norte-americana para os assassinatos de Shukar e Haniyeh.

Para o governo do Irã, o apoio incondicional dos EUA a Israel transforma o governo norte-americano em corresponsável pelo episódio.

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Em passagem por Cingapura, o secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, viu-se obrigado a negar o envolvimento norte-americano na morte de Haniyeh. Também afirmou ser “imperativo” um cessar-fogo na região. Só não disse com quem negociá-lo agora.

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