Dólar livre na Argentina: Banco Central do país anuncia regras para aliviar controle sobre moeda norte-americana
Um dos objetivos da gestão Milei é unificar essas cotações em uma só e adotar o modelo de câmbio flutuante, como o do Brasil

Um dos objetivos da atual gestão do presidente da Argentina, Javier Milei, é liberar o cepo cambial, uma série de restrições para compra de dólares. E o Banco Central da Argentina (BCRA) deu mais um passo nessa direção com o anúncio desta quarta-feira (24).
Recapitulando a história do “cepo”, no início do segundo mandato de Cristina Kirchner, em 2011, as restrições começaram como uma maneira forçada de fazer a economia argentina reter dólares e evitar a saída em massa da moeda norte-americana.
Assim, o Diretório do BCRA decidiu permitir que pessoas que receberam algum tipo de auxílio do Estado durante a pandemia ou que se beneficiam de subsídios para serviços públicos possam realizar operações cambiais por meio de títulos em moeda estrangeira.
Na prática, isso significa que as pessoas podem comprar tanto o dólar bolsa (MEP) quanto a cotação “Cable”, também chamado de dólar CCL. Vale dizer que a Argentina possui múltiplas cotações de dólar, ou seja, nem sempre os preços estarão atrativos.
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Dólar na Argentina: panorama geral
Recapitulando, a Argentina adota múltiplas cotações de dólares na tentativa de favorecer diversos setores. O problema é que isso acabou gerando múltiplas cotações e, inclusive, preços paralelos para a moeda norte-americana, como o dólar blue, que seria algo próximo ao preço real do dólar contra o peso argentino.
Um dos objetivos da gestão Milei é unificar essas cotações em uma só e adotar o modelo de câmbio flutuante, como o do Brasil.
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Acontece que a Argentina não possui dólares em caixa para conseguir retirar o cepo — ao menos, não sem impactar diretamente na inflação e piorar ainda mais o panorama econômico do país.
Impacto limitado
Analistas ouvidos pelo portal argentino Ámbito Financiero avaliam que o impacto da medida do Banco Central da Argentina deve ser limitado. “Porém”, continuam, “qualquer tentativa de levantar o cepo cambial já é vista com bons olhos pelo mercado”.
Isso porque liberar a negociação de dólares sem qualquer tipo de regulamentação pode estimular uma fuga da moeda para fora do círculo econômico local. Em outras palavras, pioraria a situação cambiária no país.
Nesta quarta-feira, o dólar blue era negociado a 1.445 pesos argentinos, uma diferença de 478 pesos da cotação oficial, utilizada pelas empresas do país, de 967 pesos.
Essa chamada “brecha cambiária” é acompanhada de perto pelo mercado para avaliar o quão distante o país está de unificar as cotações — e o sonho de um “dólar único” ainda parece estar distante.
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