FMI elogia ‘progresso’ da Argentina sob Javier Milei, mas deixa a ele um alerta
O superávit fiscal primário de US$ 1,45 bilhão em fevereiro, anunciado pelo ministro da Economia, Luis “Toto” Caputo, contrasta com a pobreza atingindo 57,4% da população

A profunda crise na economia da Argentina está longe do fim. No entanto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que o país fez um “progresso impressionante” desde que Javier Milei assumiu a presidência em dezembro do ano passado.
O rumo econômico e as consequências imediatas da implementação do plano de desregulamentação da economia foram elogiados por Rodrigo Valdés, diretor do departamento do hemisfério ocidental do fundo.
Contudo, há um longo caminho pela frente. O superávit fiscal primário de US$ 1,45 bilhão em fevereiro, anunciado pelo ministro da Economia, Luis “Toto” Caputo, contrasta com a pobreza atingindo 57,4% da população.
“O BCRA [Banco Central da República da Argentina] está recompondo suas reservas internacionais, a inflação está baixando em um ritmo mais rápido do que esperávamos e a diferença no câmbio segue caindo”, afirmou Valdés.
Contudo, o representante do FMI, que foi ministro das Finanças do Chile entre 2015 e 2017, não deixou a cautela de lado, apesar do afago aos planos de Milei.
Isso porque os dados dos primeiros meses da gestão do novo presidente ainda são primários e há que se ter cautela daqui em diante.
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Valdés ainda afirmou: "devemos manter os esforços para dar apoio aos mais vulneráveis, para que o peso do ajuste não caia desproporcionalmente nas famílias trabalhadoras".
O representante do FMI destaca que o fundo acompanha a evolução das pautas do governo no Congresso, como a Ley Ómnibus, o Decreto de Necesidad y Urgencia (DNU) e o Pacto de Mayo.
As medidas são bastante impopulares entre a população, o que se reflete em uma série de protestos que o país vem enfrentando.
Além disso, a falta de articulação política do La Libertad Avanza (LLA), partido de Milei, também é um entrave para a aprovação das propostas.
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Alívio daqui até o fim do ano
Não apenas isso, mas Valdés afirmou que o alívio monetário dos Estados Unidos “é importante para a região”.
Após a decisão de juros da mais recente Super Quarta, o comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) manteve a projeção de três cortes de juros este ano.
A expectativa da maioria dos investidores é que essa previsão poderia cair para duas reduções em 2024.
Dado que a dívida argentina chegou a quase 90% do PIB antes da eleição de Milei, uma evidente implosão das contas públicas de uma economia parcialmente dolarizada, o alívio dos juros por lá poderia ajudar a Argentina a voltar aos trilhos.
Por fim, vale relembrar que o plano de Milei é extinguir o BCRA e o peso, tornando o dólar a moeda oficial do país, mas essas propostas ainda permanecem no plano das ideias dada a dificuldade de articulação do LLA no Congresso.
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