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Em meio à crise, a XP Investimentos chegou a suspender temporariamente as negociações de cinco fundos expostos à companhia negociados em ambiente de balcão
O pedido de recuperação judicial da AgroGalaxy não só fez peso sobre as ações AGXY3, que iniciaram o pregão desta quinta-feira (19) em forte queda de 25%, como também mostrou seus impactos nos fundos de investimento em cadeias produtivas agroindustriais (Fiagros).
Após o anúncio da varejista de insumos agrícolas, diversos Fiagros com exposição a dívidas emitidas AgroGalaxy experimentaram forte volatilidade.
Em meio à crise financeira da empresa, a XP Investimentos chegou a suspender temporariamente as negociações de fundos expostos à companhia negociados em ambiente de balcão.
“Estamos fechando os fundos no mercado secundário temporariamente com o objetivo de garantir uma comunicação clara e eficaz com toda rede, evitando transferência de riquezas entre os clientes”, escreveu a corretora, em comunicado ao qual o Seu Dinheiro teve acesso.
Procurada, a assessoria da XP Investimentos informou que não irá se pronunciar sobre o tema. Mas a reportagem apurou que a corretora retomou as negociações com os Fiagros, após ajustes de deságios.*
A decisão da corretora veio na esteira do fato relevante publicado pela Vert Securitizadora informando o não pagamento da AgroGalaxy da remuneração das debêntures e de uma amortização programada para a última quarta-feira (18).
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Um desses fundos é o JGPT11, gerido pela JGP, que concentra cerca de 6,7% do patrimônio líquido (PL) do fundo no CRA da companhia.
Veja outros Fiagros com posição em CRAs da AgroGalaxy:
Vale lembrar que estes fundos cuja negociação foi suspensa são cetipados, ou seja, não são listados na B3. Isso faz com que a liquidez seja mais restrita que outros títulos negociados na bolsa.
De acordo com a XP, o objetivo é abrir os fundos “o mais rápido possível no mercado secundário, com os respectivos deságios ajustados”, se necessário.
Os cinco fundos mencionados pela XP não foram os únicos expostos ao calote da AgroGalaxy.
Outros seis fiagros listados na B3 também possuem exposição ao papel e devem continuar a sofrer volatilidade em meio aos impactos da inadimplência da companhia. São eles:
| Nome | Ticker | % do PL | Nº de cotistas | Cotação das cotas na B3 | Variação das cotas na B3 |
|---|---|---|---|---|---|
| JGP Crédito Fiagro | JGPX11 | 8% | 7.339 cotistas | R$ 76,21 | -5,14% |
| XP Crédito Agrícola Fiagro | XPCA11 | 7,95% | 104.695 cotistas | R$ 8,15 | -6,21% |
| Capitânia Agro Strategies Fiagro | CPTR11 | 7,0% | 41.380.060 cotistas | R$ 7,90 | -2,95% |
| Exes Araguaia Fiagro | AGRX11 | 5,5% | 21.647 cotistas | R$ 9,71 | -1,22% |
| BB Crédito Fiagro | BBGO11 | 4,78% | 12.593 cotistas | R$ 81,49 | -2,38% |
| AZ Quest Fiagro | AAZQ11 | 0,4% | 29.430 cotistas | R$ 7,77 | -0,77% |
O fundo mais exposto aos CRAs da AgroGalaxy é o JGPX11. No entanto, segundo fato relevante enviado pela JGP, a inadimplência da AgroGalaxy terá um impacto de 1,62% no valor patrimonial do fundo.
A expectativa da gestora é que o evento não deve afetar de forma material a distribuição de dividendos futuros.
Já o fiagro da XP (XPCA11), que possui a segunda maior posição do PL em títulos da companhia, anunciou uma remarcação de 40,95% do CRA Agrogalaxy Sr e de 50% do Agrogalaxy Mz, emitidos pela Opea, e de 50% do ativo Agrogalaxy, emitido pela Vert.
Os dois fundos lideram as perdas da B3 pela manhã, atrás apenas das ações da própria AgroGalaxy (AGXY3). Por volta das 10h35, as cotas do JGPX11 recuavam 5,14% na bolsa, enquanto o XPCA11 caía 6,21% no mesmo horário.
*Matéria atualizada para incluir a informação de que a XP retomou as negociações com os fiagros
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