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Dani Alvarenga

Dani Alvarenga

Repórter do Seu Dinheiro, estudante de Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP) com certificação em curso de Mercado Financeiro pela Ibmec. Possui experiência na cobertura de economia, política e internacional. Atualmente, cobre o mercado imobiliário e de FIIs.

ANDANDO COM OS PRÓPRIOS PÉS

Walmart vai vender todas as ações da gigante chinesa JD.Com após 8 anos de investimentos; ações reagem em forte queda em Nova York e Hong Kong

A Walmart era a maior acionista individual da JD.Com, uma das gigantes chinesas do setor de comércio eletrônico da China

Dani Alvarenga
Dani Alvarenga
21 de agosto de 2024
13:31

O Walmart está recalculando a rota e resolveu abrir mão de uma sociedade de oito anos na China. A varejista norte-americana decidiu vender toda a sua participação na gigante do comércio eletrônico chinês, a JD.Com, e tentar fortalecer suas próprias marcas no país.

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Com uma parceria estratégica iniciada em junho de 2016, o Walmart tornou-se o maior acionista individual da gigante de e-commerce e chegou a deter quase 10% dos papéis da companhia chinesa, também conhecida como Jingdong.

Hoje, a empresa norte-americana confirmou a intenção de se desfazer de todas as suas ações da JD.Com.

A transação pode levantar até US$ 3,74 bilhões para o Walmart, que oferece os papéis no valor de US$ 24,85 a US$ 25,85, de acordo com a Reuters.

Os preços ofertados pela empresa representam um desconto de até 11,8% em relação ao preço de fechamento desta terça-feira (21), quando os ativos da Jingdong alcançaram o valor de US$ 28,19.

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Em nota enviada ao canal norte-americano CNBC, o Walmart informou que a venda da participação permitirá que a empresa se concentre em sua própria operação no país (por meio da Walmart China e do Sam’s Club) e redirecione investimentos.

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JD.Com promove programa de recompra

Enquanto o Walmart despeja as ações no mercado, a gigante do e-commerce chinês afirmou nesta quarta-feira (21) que já empenhou US$ 390 milhões na recompra das próprias ações.

A iniciativa faz parte de um plano que prevê a aquisição de US$ 3 bilhões em ativos. O programa de recompras de ações foi aprovado ainda em março deste ano.

No entanto, o anúncio não foi o suficiente para apaziguar o humor dos acionistas. As ações listadas em Hong Kong da JD.Com fecharam em queda de 8,73% hoje. Já os papéis negociados em Nova York caíam a 5,30%, por volta das 13h30 (horário de Brasília).

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Período difícil na China corta o clima

A relação entre o Walmart e a JD.Com, considerada a maior companhia no setor de e-commerce chinês, começou quando a varejista norte-americana vendeu a própria loja de alimentos online, Yihaodian, em troca de 5% de participação na Jingdong.

O objetivo era estimular a colaboração entre as duas companhias, o que rendeu a presença do Walmart e sua rede de negócios exclusivos, o Sam's Club, nas plataformas de comércio eletrônico da JD.Com.

No entanto, o setor de eletrônicos da China vem enfrentando dificuldades. Isso porque a queda na demanda dos consumidores, em conjunto com o aumento da concorrência, tem incentivado uma guerra brutal contra os preços.

E não é só a JD.Com que vem sentindo os impactos. A rival Alibaba, da PDD Holdings, apresentou uma queda de 29% dos lucros líquidos no segundo trimestre deste ano.

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Apesar da disputa por consumidores, a JD.Com apresentou resultados acima dos projetados por analistas. A empresa registrou lucro líquido no valor de 2,6 bilhões yuan chinês, um aumento de 92% na comparação com o mesmo período de 2023.

Porém, as preocupações com o mercado chinês ainda abalam a confiança dos investidores. As ações da Jingdong apresentaram uma queda de quase 22% apenas no último ano.

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O fim dos investimentos do Walmart na JD.Com

Enquanto a ex-parceira sofre no mercado chinês, o Walmart apresenta resultados animadores, impulsionados pelos seus resultados no setor de e-commerce

Durante a temporada de balanços do segundo trimestre de 2024, a varejista norte-americana apresentou receita de US$ 169,3 bilhões, um aumento de 5% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

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Segundo a XP Investimentos, a companhia se beneficia da queda no padrão de consumo, que é causada devido a uma contração monetária e desaceleração da economia dos EUA.

O mesmo vem ocorrendo na China, o que abriu oportunidade para a Walmart tentar um voo solo.

Isso porque a alta dos custos na região está aumentando a popularidade dos produtos da varejista dos EUA, que está investindo cada vez mais no desenvolvimento dos próprios negócios no território asiático.

No último trimestre, o Walmart registrou um aumento de 17,7% na receita anual dos negócios na China, no valor de US$ 4,6 bilhões.

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Com a venda das ações da JD.Com, a varejista planeja dobrar os negócios de depósito exclusivos, como o Sam's Club, na região.

No entanto, a separação não será total. Em comunicado, o Walmart afirmou que está comprometido com um relacionamento comercial contínuo com a empresa chinesa.

Já a JD.Com disse em nota que está "cheia de confiança na futura cooperação entre os dois lados".

*Com informações do Yahoo!Finance, Financial Times, CNBC e Reuters

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