Por trás do lançamento do Haul, nova aposta da Amazon que vende tudo a menos de US$ 20 para concorrer com a Temu e a Shein nos EUA
Área exclusiva para dispositivos móveis foi lançada em novembro e é voltada para produtos com preços extremamente baixos

Pouco antes da Black Friday, a gigante do marketplace Amazon lançou uma nova seção em seu app, sem fazer muito alarde. Batizada de Haul, essa área é exclusiva para dispositivos móveis e é voltada para produtos com preços extremamente baixos, a maioria vinda diretamente da China.
O Haul é a aposta da Amazon para competir com o sucesso de chinesas como a Temu e a Shein. Segundo a Amazon, o Haul já recebeu milhões de visitas únicas desde o seu lançamento, em novembro.
Preços baixos e frete grátis
Assim como a Temu, o Haul oferece uma série de produtos a preços super acessíveis, como tênis por US$ 9,98, utensílios de cozinha por US$ 5,99 e capas de celular por US$ 2,99.
A diferença é que o Haul limita o preço de cada item a US$ 20 (US$ 121) e oferece frete grátis para compras acima de US$ 25. Além disso, há descontos progressivos conforme o valor do carrinho, incentivando o consumidor a comprar mais de uma vez – e é daí que vem o nome “Haul” (que significa “grande carga”).
Embora os preços sejam muito baixos, o frete do Haul é mais demorado do que os serviços tradicionais da Amazon. Em vez de enviar os produtos em um ou dois dias, como é comum para membros do Amazon Prime, os itens comprados no Haul podem levar de uma a duas semanas para chegar da China.
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Como o Haul mantém os preços baixos
Vale destacar que a Amazon já trabalha com vendedores chineses, que enviam os produtos diretamente para os EUA. A companhia costuma armazenar esses itens em depósitos nos Estados Unidos, o que acelera a entrega, mas também aumenta os custos, que acabam sendo repassados ao consumidor.
Tanto o Haul quanto a Temu conseguem manter os preços baixos utilizando uma isenção de impostos, chamada de "de minimis", que permite que itens com valor inferior a US$ 800 sejam importados no país sem o pagamento de tarifas ou impostos.
Esse modelo resulta em preços baixos, mas também em prazos de entrega mais longos, algo que muitos consumidores parecem aceitar, dado o crescente sucesso do Temu nos EUA desde seu lançamento em 2022. Atualmente, o Temu é o aplicativo gratuito mais baixado da Apple Store por dois anos seguidos.
Críticas e polêmicas
Todo esse sucesso, no entanto, não ocorre sem controvérsias. Empresas como Shein e Temu enfrentam críticas por suas práticas trabalhistas e ambientais, com alegações de que violam direitos humanos.
Em 2023, um relatório da Câmara dos Representantes dos EUA revelou que alguns produtos vendidos no Temu vinham da região de Xinjiang, na China, onde o trabalho forçado tem gerado acusações de genocídio contra o povo uigure.
Em resposta, a Temu afirmou estar comprometida com “práticas comerciais éticas, humanas e legais” e que seus parceiros devem cumprir “estritos padrões de trabalho, segurança e proteção ambiental”.
Investigação sobre a Amazon
Além disso, a Amazon também está sendo investigada pelo governo federal devido às altas taxas de acidentes de trabalho em seus centros de distribuição. Uma decisão judicial recente também determinou que a gigante do e-commerce pode ser responsabilizada por recalls de produtos defeituosos.
Embora o Haul ainda esteja em versão beta, a demanda pelos produtos parece estar superando a oferta. Durante uma promoção de 50% de desconto na Black Friday, muitos itens se esgotaram rapidamente.
A Amazon anunciou que está expandindo sua seleção e, nas próximas semanas, oferecerá centenas de milhares de produtos em diversas categorias.
*Com informações da CNBC.
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