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Magda Chambriard deve chefiar a petroleira a partir de agora. Ela foi diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP) durante a gestão de Dilma Rousseff.
O processo de fritura Jean Paul Prates já estava em andamento desde março, quando o pagamento dos dividendos extraordinários colocou o presidente da Petrobras (PETR4) de um lado e o governo de outro. Na noite desta terça-feira (14), ele acabou sendo demitido por Luiz Inácio Lula da Silva — a primeira troca de comando na petroleira feita pelo presidente petista em seu terceiro mandato.
E não deu tempo nem mesmo de a cadeira esfriar: Magda Chambriard deve chefiar a petroleira a partir de agora. Ela foi diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP) durante a gestão de Dilma Rousseff. Chambriard também é consultora na área de óleo, gás e biocombustíveis e trabalhou na Petrobras por mais de 20 anos.
De acordo com fontes ouvidas pelo Broadcast, Chambriard foi indicada para comandar a Petrobras pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa — que, junto com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, era o maior defensor da saída de Prates da Petrobras.
A reação à demissão foi imediata: os ADRs (American Depositary Receipts, recibos de ações) da Petrobras reagem em forte queda no after market em Nova York, com recuo de quase 7%.
Para Ruy Hungria, analista da Empiricus, a troca envia um sinal negativo aos mercados. "A sinalização é muito ruim porque a troca por alguém mais próxima do governo aumenta as chances de interferência política, maior destinação do caixa gerado em investimentos pouco rentáveis e consequente redução dos dividendos."
Frederico Nobre, chefe de análises da Warren Investimentos, disse que foi pego de surpresa pela demissão de Prates e que a saída do executivo a pedido de Lula é negativa. Ele espera uma reação na B3 tão ruim quanto a dos ADRs da Petrobras no after market em Nova York.
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"Essa mudança traz insegurança ainda mais porque a substituição de Prates deve ser por Magda Chambriard, que é uma pessoa com viés ideológico mais próximo do desenvolvimentista e de Aloizio Mercadante, que vem criticando os dividendos da Petrobras. Ela tem um viés diferente do viés dos acionistas e do mercado em comparação com Prates", disse Nobre.
Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Petrobras diz que recebeu uma solicitação de Prates para que o Conselho de Administração da companhia se reúna para o objetivo de deliberar sobre o encerramento antecipado do mandato como presidente “de forma negociada”.
Prates ainda informou que, se a demissão for aprovada, ele pretende renunciar posteriormente ao cargo de membro do conselho da Petrobras.
Mas em comunicado interno ao qual a TV Globo teve acesso, o executivo é contundente sobre a sua saída da estatal: "[A minha missão foi] precocemente abreviada na presença regozijada de Alexandre Silveira e Rui Costa".
Desde o início do governo, Prates e Silveira divergiam sobre os rumos da Petrobras. Os atritos aumentaram quando, em março deste ano, o conselho da companhia resolveu não pagar dividendos extraordinários — Prates defendia pagar metade do valor e reter metade.
Na época, chegou-se a especular sobre a saída de Prates da presidência da Petrobras. No fim de abril, no entanto, após luz verde de Lula e a aprovação dos acionistas, a estatal acabou anunciando o pagamento de 50% dos dividendos extraordinários retidos na reserva de remuneração em uma solução para o impasse.
Prates assumiu a chefia da Petrobras no início do governo Lula, em 2023, e entregou o segundo melhor resultado da história da estatal.
Nesta segunda-feira (13), a companhia divulgou o resultado do primeiro trimestre de 2024 com um desempenho abaixo do esperado pelo mercado. As ações PETR4 chegaram a cair mais de 3% ao longo desta terça-feira (14) e acabaram encerrando o dia com uma baixa menor, de -1,80%, cotadas a R$ 40,87. Os papéis PETR3 baixaram 2,74%, a R$ 42,93.
Prates não participou teleconferência com analistas para explicar o desempenho trimestral da petroleira, mas gravou um vídeo em que dizia que os resultados refletiram a queda da produção que, por sua vez, já era esperada por conta da manutenção programada de plataformas.
O presidente demitido garantiu ainda que essa queda da produção não teria impactos mais prolongados, classificando-a como uma variação de curto prazo.
De acordo com a empresa, a gestão de Reynaldo Passanezi Filho, que deixa o cargo, foi marcada por um ciclo de crescimento da companhia, avanços em eficiência operacional e investimentos em níveis recordes
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