Oi (OIBR3) recebe proposta de R$ 5,683 bilhões por negócio de fibra, mas não vai ver nem um real em dinheiro; entenda
A operadora de rede neutra V.tal, que tem a Oi como sócia, foi a única participante do leilão da ClientCo

Parte crucial no processo de recuperação judicial da Oi (OIBR3), a segunda rodada do leilão para venda da ClientCo, a unidade de banda larga da operadora, aconteceu nesta quarta-feira (25).
Em audiência realizada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), a empresa de telecomunicações recebeu uma única proposta: a V.tal ofereceu R$ 5,683 bilhões.
Foi uma oferta de certo modo “caseira”, já que a Oi é acionista minoritária da V.tal. Mas a proposta apresentada pela operadora de rede neutra não envolve o pagamento de dinheiro vivo. A “moeda” envolve a troca de ações, perdão e dívida de compromissos da operadora.
A V.tal pretende emitir R$ 4,99 bilhões em ações pela ClientCo. A oferta inclui ainda R$ 375 milhões a partir de créditos extraconcursais detidos pela V.tal contra a Oi; e R$ 308 milhões em debêntures.
Conforme previsto no plano de recuperação judicial da Oi, a proposta será enviada para avaliação dos credores, que terão dez dias corridos para analisar a oferta.
O resultado da segunda rodada do leilão pela ClientCo já era esperado pelo mercado.
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Isso porque a V.tal firmou em abril deste ano um compromisso com os credores da tele para apresentar uma oferta nesta segunda rodada, caso não houvesse outro interessado pelo negócio de fibra da operadora.
Enquanto isso na B3, as ações da Oi (OIBR3) fecharam em queda de 0,19%, a R$ 5,29.
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Relembre a primeira rodada do leilão
Vale relembrar que a primeira rodada, realizada no mês de julho, rendeu apenas um lance. A Ligga Telecomunicações ofereceu R$ 1,05 bilhão pela antiga Oi Fibra.
Mas o plano de recuperação judicial da Oi, aprovado em abril, estabelecia um valor mínimo de R$ 7,3 bilhões para o negócio.
O objetivo da venda é justamente fortalecer o caixa da companhia para o cumprimento do plano.Como a cifra foi muito inferior à prevista, a rodada do leilão foi suspensa para que a administração judicial da companhia apresentasse a oferta para análise e deliberação dos credores, que a rejeitaram no final de julho.
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V.tal versus Ligga Telecom
Embora a V.tal tenha sido a única empresa a apresentar uma proposta, a Ligga Telecom também estava no páreo na disputa pela unidade de banda larga da Oi, mesmo após ter sua proposta rejeitada na primeira rodada do leilão.
Nesta semana, a Justiça do Rio de Janeiro autorizou a participação da Ligga no novo certame. No entanto, antes do leilão na tarde de hoje, a Justiça reviu a decisão e retirou a empresa do páreo, atendendo a um pedido da V.tal.
A companhia do empresário Nelson Tanure havia solicitado que não fosse obrigada a apresentar documentos de declaração de concordância e adesão aos termos do plano de recuperação judicial da operadora e ao edital do novo leilão.
A Justiça concordou com o argumento da V.tal de que a segunda rodada é diferente da primeira e, portanto, a declaração da Ligga de conformidade com as regras do edital no primeiro certame não tem a mesma validade.
*Matéria atualizada para incluir a decisão sobre a Ligga
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