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Na noite anterior, a companhia apresentou os dados operacionais do segundo trimestre — mas há mais por trás da queda dos papéis desta quarta-feira (17)
A Vale (VALE3) passou boa parte da manhã entre as maiores quedas do Ibovespa, chegando a recuar mais de 1% e perdendo R$ 2,5 bilhões em valor de mercado depois do relatório operacional do segundo trimestre de 2024 — mas esse não é o único vilão da mineradora hoje.
Apesar de a produção e as vendas terem superado as expectativas, o Citi e o Goldman Sachs destacam que os preços realizados pela mineradora ficaram aquém do esperado.
E é justamente o preço do minério de ferro que contribui com a pressão sobre as ações da Vale — e acabam pesando também sobre o desempenho do principal índice da bolsa brasileira. A commodity recuou 2% em Dalian e Cingapura.
Segundo o Goldman Sachs, os investidores domésticos parecem ter reduzido, ou ao menos mantiveram uma baixa exposição à Vale devido a uma visão pessimista em relação ao minério de ferro e a uma percepção cautelosa sobre o momento operacional.
Entre os investidores internacionais também há uma percepção de baixa exposição, devido a uma clara preferência pelo cobre dentro dos metais.
"Vemos o valuation atual em níveis atrativos e acreditamos que as razões para não investir eventualmente se tornarão razões para comprar", disse o Goldman em relatório.
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O Goldman destacou que o relatório de produção e vendas da Vale mostrou que os preços realizados foram impactados pelo maior conteúdo de sílica e consequentes prêmios mais baixos. Ainda assim, o banco destaca que a produção do minério de ferro veio 3% acima do esperado.
Em relatório, o Goldman destaca que o crescimento de 7% nas vendas, em comparação com o mesmo período do ano anterior, foi inesperado.
O Citi chamou atenção para a sólida produção da Vale, que ficou 5% acima das previsões do banco, mas que acabou sendo ofuscada por preços realizados ligeiramente baixos (US$ 98 versus US$ 103).
Já o BTG Pactual aponta que a Vale apresentou um relatório de produção e vendas em linha com o esperado no segundo trimestre do ano.
Segundo o banco, a estabilidade da produção é um fator tranquilizador, embora haja problemas de qualidade, especialmente relacionados aos embarques de minério de ferro.
"Notamos que os embarques de minério de ferro foram taticamente impulsionados por um material de menor qualidade (alto teor de sílica), o que deprimiu as realizações de preço médio no trimestre (um pouco abaixo das nossas expectativas)", disse o BTG em relatório.
Diante do desempenho da Vale no segundo trimestre, o Goldman acabou diminuindo a projeção para o Ebitda da mineradora em 5%, de US$ 4,1 bilhões para US$ 3,9 bilhões.
O banco prevê um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF) da Vale de 9% para 2025, além de um rendimento adicional único de 5% como resultado da venda de uma participação de 10% no negócio de metais básicos.
O Goldman, no entanto, manteve a recomendação de compra da Vale, com preço-alvo de US$ 15,90 para o American Depositary Receipt (ADR), o que representa um potencial de valorização de 38% sobre o último fechamento.
O Citi também manteve a recomendação de compra para os ADRs da Vale, com preço-alvo de US$ 15,00 — um potencial de valorização de 26% sobre o último fechamento.
O BTG, por sua vez, seguiu com a recomendação neutra para os ADRs da companhia, com preço-alvo de US$ 16,00, o que corresponde a um potencial de valorização de 39%.
Para Ruy Hungria, analista da Empiricus, os números da Vale vieram mistos, com bom volume de produção de minério de ferro reafirmando o otimismo com o guidance, apesar de uma pequena piora do mix.
"Por menos de 4x Valor da Firma/Ebitda, entendemos que muito pessimismo já esteja precificado, com boa margem de segurança e um dividend yield de quase dois dígitos. Por esses motivos, VALE3 segue na carteira Vacas Leiteiras da Empiricus", disse Hungria.
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