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A empresa afirma que até o dia seguinte ao evento climático extremo, a energia já havia sido restabelecida para cerca de 80% dos consumidores afetados

A italiana Enel publicou na manhã desta segunda-feira (28) os resultados do terceiro trimestre referentes aos 24 municípios que atende em São Paulo.
A companhia tomou as manchetes nas últimas semanas após um apagão na cidade de São Paulo durar mais quatro dias em vastas extensões da capital.
Os números referem-se ao trimestre iniciado em julho e encerrado em setembro.
Ou seja, como o histórico vendaval aconteceu no começo de outubro, os resultados não captam os potenciais efeitos adversos do apagão no balanço, como aumento de provisões e contratação emergencial de pessoal. Leia mais adiante o comentário da empresa sobre o tema.
Com isso, o lucro líquido da empresa atingiu os R$ 330 milhões, um crescimento de 58,6% em relação ao mesmo trimestre de 2023.
As receitas também avançaram, à ordem de 12,7% em relação aos últimos 12 meses e atingiram os R$ 5,411 bilhões no terceiro trimestre deste ano.
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Por último, o Ebitda — métrica do mercado financeiro para avaliar a geração de caixa de uma empresa — também cresceu 13,3%, atingindo os R$ 1,046 bilhão.
Outra linha do balanço da Enel que chama a atenção é o Capex, como é conhecida a sigla para capital expenditure (despesas de capital, em tradução livre), que nada mais é do que o montante que uma empresa investe em aquisição, atualização e manutenção de ativos físicos de longo prazo.
O capex pode incluir propriedades, equipamentos, tecnologia e infraestrutura, que são essenciais para a operação e crescimento da empresa. Na visão do mercado, esse número avalia se a companhia investe em novos projetos, expande a operação ou melhora a eficiência dos negócios.
No balanço da Enel, o Capex cresceu 54,4% nos últimos, para R$ 574 milhões. Porém, a própria Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reconhece que a resposta da empresa ao evento climático extremo foi “insatisfatória”.
Chama a atenção também a linha de provisões para riscos fiscais, cíveis e trabalhistas, que cresceram 67,0% em relação ao trimestre anterior, atingindo o patamar de R$ 37,4 milhões.
Ainda de olho nos resultados da empresa, os indicadores de duração equivalente de interrupção por unidade consumidora e de frequência equivalente de interrupção por unidade consumidora (DEC e FEC, respectivamente) também chamam a atenção.
Em termos simples, os indicadores medem a qualidade do fornecimento de energia do sistema de distribuição da companhia. Enquanto o DEC apresentou um crescimento de 7,4%, enquanto o FEC teve redução de 1,2%, atingindo os 4,90%, ambos comparados com o terceiro trimestre de 2023.
“O crescimento observado do DEC reflete, principalmente, os eventos climáticos ocorridos em novembro e no início do ano, além das interrupções no fornecimento de energia ocorridos no início do ano na região central da cidade de São Paulo”, escreve a empresa no documento de resultados.
Por fim, a Enel afirma que os níveis de DEC e FEC registrados no período estão dentro dos limites regulatórios estabelecidos na revisão tarifária, de DEC a 7,12% e FEC a 4,90%.
No que diz respeito ao apagão que se iniciou na sexta-feira, 11 de outubro, a Enel afirma que a área de concessão da companhia enfrentou “uma tempestade considerada o mais grave evento climático na Região Metropolitana de São Paulo nos últimos 30 anos.”
Foram cerca de 3,1 milhões de clientes afetados só naquele dia. “Até o fim do dia 12 de outubro, a energia já havia sido restabelecida para cerca de 80% dos consumidores afetados”, declara a companhia.
Por último, a Enel afirma que aumentou em 24% a força de trabalho de eletricistas próprios nos últimos 12 meses (até 10 de outubro) e segue com o plano de aumento do número de profissionais para atuação em campo. Até março de 2025, a companhia pretende adicionar um total de 1,2 mil novos funcionários.
No entanto, a Aneel emitiu um termo de intimação na última segunda-feira (21) contra a Enel em razão do descumprimento do plano de contingência proposto junto à própria Aneel e a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo).
Ainda, a Agência cita a “reincidência quanto ao atendimento insatisfatório aos consumidores em situações de emergência”. Isso porque a Aneel já havia aplicado a maior multa administrativa do órgão na empresa, de R$ 165 milhões, em razão do apagão ocorrido em novembro do ano passado.
O pagamento da multa, contudo, está suspenso por decisão judicial.
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