CVC sai da rota do prejuízo com lucro trimestral de R$ 14,4 milhões; Itaú BBA e BTG comentam
Despesas operacionais recorrentes da empresa no terceiro trimestre somaram R$ 239 milhões, valor 30% abaixo do registrado no ano anterior

A CVC (CVCB3) parece estar pegando novamente o rumo certo para sair do vermelho. Após 20 trimestres de prejuízo contábil, a companhia registrou um lucro líquido de R$ 14,4 milhões no terceiro trimestre, um belo incremento contra os R$ 88 milhões negativos reportados no mesmo período de 2023.
No trimestre anterior, a empresa foi prejudicada pelo fechamento do aeroporto do Rio Grande do Sul, frente às tragédias climáticas do estado, além da situação econômica delicada da Argentina que retraiu as vendas da região (que estima-se serem responsáveis por quase metade das vendas da empresa em toda América Latina).
Ainda assim, os esforços de cortes de gastos e despesas feitos pela CVC tiveram um reflexo positivo nos resultados.
As despesas operacionais recorrentes da empresa no terceiro trimestre somaram R$ 239 milhões, valor 30% abaixo do registrado no ano anterior. Contribuiu para isso o número menor de provisões para devedores duvidosos e menores despesas de vendas na Argentina.
As saídas mais baixas impactaram positivamente o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da empresa, que atingiu R$ 125 milhões de julho a setembro, acima dos R$ 97 milhões do mesmo trimestre de 2023.
O indicador também ficou acima do previsto pelos analistas do BTG, de R$ 102 milhões, que viram o balanço trimestral da empresa com certo otimismo. “Renegociações de dívidas, ganhos cambiais na Argentina, parcialmente compensados por efeitos de hedge e maiores juros sobre recebíveis descontados contribuíram para o resultado”, comentaram os analistas em relatório.
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CVC: lucro acima do esperado
Para os analistas do Itaú BBA, os resultados do 3T24 da CVC mostraram uma melhora sequencial nas tendências de reservas consolidadas (embora ainda suaves), com um resultado positivo após mais de 4 anos.
Ainda que a receita líquida tenha caído 3% ano contra ano para R$ 364 milhões, o dado ficou 4% acima da estimativa do banco, segundo relatório. O lucro líquido da empresa também ficou o dobro acima do que o Itaú BBA projetava.
“Prevemos uma retomada do crescimento nas reservas consolidadas no 4T24, impulsionada pela melhora sequencial e gradual na Argentina, retomada das operações no aeroporto do Rio Grande do Sul e um sólido plano de abertura de lojas. Portanto, reiteramos nossa classificação de desempenho superior para as ações”, disseram os analistas no relatório sobre a CVC.
A companhia encerrou o terceiro trimestre com uma posição de caixa de R$ 383 milhões, R$ 1,1 bilhão em recebíveis, R$ 512 milhões em pagamentos antecipados a fornecedores, R$ 817 milhões em dívida bruta e outros R$ 1,39 bilhão em vendas antecipadas de pacotes de viagem.
Vale lembrar que em setembro deste ano a empresa anunciou a renegociação de dívidas, o que incluiu também um alongamento na carência e no prazo de vencimento das debêntures para outubro de 2028.
“Vemos a tão esperada reestruturação da dívida anunciada em setembro como positiva. Desde o segundo semestre, esperamos consistentemente que o resultado final da empresa retorne ao território positivo, o que foi só se materializou no terceiro tri. Mantemos nossa confiança, dados os esforços bem-sucedidos da empresa nos últimos trimestres”, traz o relatório do Itaú BBA.
Ainda assim, o relatório do BTG Pactual classifica a ação da empresa como Neutra. “Saudamos a recuperação em andamento (com melhores sinais no 3T24), mas nossa classificação é baseada nos grandes desafios futuros, como o progresso da desalavancagem, bem como o crescimento e competição online”, afirmam os analistas no documento.
Expansão de lojas físicas
No terceiro trimestre, 90 novas unidades foram inauguradas, 72 delas no Brasil e 18 na Argentina, todas franqueadas. No total, desde junho de 2023, a companhia inaugurou 250 lojas, com a estratégia de seguir em expansão do modelo para aproximar a marca dos clientes.
A maior capilaridade impulsionou o aumento de 10,3% das reservas confirmadas no segmento B2C na comparação anual. No balanço, a empresa atribui esse crescimento ao plano de expansão de lojas, produtos mais competitivos e à estratégia de diversificação de canais de venda.
O indicador de Vendas nas Mesmas Lojas, apresentou estabilidade na comparação anual, no entanto, o índice teve um crescimento da ordem de 5% ao segregar as lojas fora das grandes capitais. Isso explica por que 56% das novas lojas aconteceram fora de capitais.
No relatório sobre a empresa, a BTG comemora os bons sinais mostrados no último balanço, mas mostra preocupação com a rapidez com que a empresa pode trazer melhores resultados.
"A CVC continua a mostrar tendências de reservas enfraquecidas, mas a empresa conseguiu publicar melhorias na lucratividade operacional. Depois de atingir o fundo do poço em 2020 e 2021, a CVC pode se beneficiar da recuperação na demanda por viagens com a fragmentada indústria hoteleira e companhias aéreas", afirmam os analistas.
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