Ação da Light (LIGT3) dispara mais de 30% na B3 em meio a adiamento de assembleia com bondholders
A companhia de energia elétrica anunciou mais um adiamento da assembleia de bondholders que visa a discutir os termos e condições do “scheme of arrangement”

As ações da Light (LIGT3), em recuperação judicial, dominaram o campo positivo da bolsa brasileira nesta quinta-feira (5).
Os papéis chegaram a saltar mais de 34% nas máximas do dia, mas arrefeceram os ganhos para 20,72% no fechamento do pregão, cotados a R$ 8,10.
Sem grandes notícias corporativas no radar, a companhia de energia elétrica anunciou mais um adiamento da assembleia de bondholders — detentores de títulos de dívida corporativa emitidos no mercado internacional.
O objetivo da assembleia era discutir os termos e condições do “scheme of arrangement” em trâmite perante a High Court of Justice da Inglaterra e do País de Gales, no Reino Unido.
Basicamente, o “esquema de arranjo” é um acordo aprovado em tribunal para um ajudar as companhias em dificuldades financeiras a chegar a acordos com seus credores para enfim quitar as dívidas dentro de um período de tempo acordado.
Trata-se do segundo adiamento da reunião de credores ligada ao “scheme”. Inicialmente, o encontro estava previsto para acontecer em 4 de setembro, mas foi posteriormente remarcado para 13 de setembro.
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Agora, a nova data para a assembleia foi marcada para 17 de outubro de 2024, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Segundo a Light, a assembleia continuará a ser feita de forma exclusivamente virtual, por meio da plataforma Zoom.
Além disso, diante do reagendamento da assembleia, a audiência perante a Corte britânica para validação do Scheme of Arrangement passou a ser prevista para o dia 28 de outubro.
Light (LIGT3) em recuperação judicial
Em meados de junho, a Justiça do Rio de Janeiro homologou enfim o plano de recuperação judicial da Light (LIGT3). Os termos já haviam sido acordados com os principais credores e detentores de títulos (bondholders) da Light em maio deste ano.
O plano de recuperação judicial da Light foi apresentado pela primeira vez em 23 de fevereiro, com a previsão de pagamento integral de créditos no valor de até R$ 30 mil reais.
Com isso, serão contemplados cerca de 28 mil credores, ou 60% dos detentores de dívidas da empresa.
Vale lembrar que debêntures da Light chegaram a ser razoavelmente populares entre investidores pessoas físicas, que compraram esses papéis por meio de plataformas de investimento.
Além dos acordos com credores, o plano de recuperação judicial também inclui a injeção de novos recursos na empresa de, no mínimo, R$ 1 bilhão e, no máximo, R$ 3,7 bilhões.
Os acionistas de referência da companhia — Nelson Tanure, Beto Sicupira e Ronaldo Cezar Coelho — vão aportar ao menos R$ 1 bilhão na capitalização. O trio também assumiu o compromisso de subscrever eventuais sobras da operação e aumentar o tamanho do cheque.
A soma restante virá da conversão de dívidas em ações em um montante de até R$ 2,2 bilhões. Vale destacar que, para ter direito a esse pagamento, também é preciso cumprir um compromisso de não litigar — ou seja, não entrar com ações judiciais contra a Light.
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