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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

ROXO OU VERMELHO?

XP vê risco maior na carteira do Nubank e questiona se resultados são sustentáveis

Melhora no resultado do Nubank veio a partir de uma tomada de risco maior e acende sinal de alerta, de acordo com os analistas da XP

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
7 de março de 2024
10:34 - atualizado às 11:05
Nubank
Nubank - Imagem: Shutterstock

De um ano para cá, o Nubank saiu da condição de incógnita a grande estrela do setor financeiro na bolsa. E não é para menos, já que o banco digital apresentou resultados em crescimento acelerado e uma rentabilidade que deixou os concorrentes tradicionais comendo poeira.

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Os analistas que cobrem o Nubank hoje são praticamente unânimes sobre as perspectivas para o banco digital, até mesmo aqueles que não recomendam a compra das ações.

Mas a XP decidiu destoar do consenso e publicou um relatório no qual questiona a sustentabilidade dos resultados do banco digital do cartão de crédito roxo.

Nos últimos 12 meses, as ações do Nubank acumulam alta de mais de 130% na Bolsa de Nova York (Nyse). A fintech também possui recibos de ações (BDRs) na B3, com o código ROXO34.

Nubank: mais lucro, mais risco

O Nubank deixou a era de prejuízos em 2022 e registrou um lucro líquido de US$ 1,031 bilhão em 2023. A rentabilidade (ROE, na sigla em inglês) atingiu 23% no quarto trimestre de 2023. No Brasil, onde as operações do banco estão mais consolidadas, o ROE já bateu a marca dos 40%.

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Mas esse resultado veio a partir de uma tomada de risco maior. Isso porque o Nubank ampliou a carteira de cartões de crédito exposta a juros, de acordo com a XP.

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Isso significa que uma parcela maior de clientes do banco não paga o valor total da fatura e precisa entrar em algum tipo de modalidade com juros, como o rotativo ou o parcelamento.

O percentual da carteira do Nubank exposta a juros subiu de 20% para 30% ao longo do ano passado. Ao mesmo tempo, a média do sistema financeiro recuou 26% para 23%, ainda de acordo com a XP.

"Essa trajetória inversa para o NU, apesar de gerar mais receita no curto prazo, também acende um sinal de alerta, refletindo maiores riscos de inadimplência no futuro", escreveram os analistas.

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Inadimplência "diferente"

De fato, os índices de inadimplência do Nubank aumentaram em meio ao cenário de juros altos e expansão das operações. Mas o temor de parte do mercado de um descontrole dos calotes até o momento não se concretizou.

Aliás, a inadimplência mostrou enfim estabilidade e encerrou o ano em 6,1%.

Mas a XP chama a atenção para um detalhe: desde junho de 2022, o Nubank começou a baixar os empréstimos inadimplentes após 120 dias, ao contrário dos bancos tradicionais, que mantêm os créditos em atraso por 360 dias no balanço.

"Embora isso esteja totalmente em conformidade com a regulamentação, leva a um índice de inadimplência mais baixo. Assim, essa prática torna a comparação entre eles injusta", escreveram os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Rafael Nobre.

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Por fim, a XP avalia que a administração do Nu pode priorizar os ganhos de curto prazo em detrimento de iniciativas que impulsionariam a criação de valor sustentável. "Não gostamos da assimetria nos níveis de valuation atuais e reiteramos nossa recomendação neutra."

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