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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

O REI DOS DIVIDENDOS

Uma espiada na carteira do Warren Buffett brasileiro: Luiz Barsi revela duas ações atraentes na B3 — e uma delas pode subir na bolsa a qualquer momento

Uma das apostas é uma seguradora que já subiu 19% na bolsa desde janeiro e ainda tem potencial para mais. A outra é uma ação para o longo prazo.

Camille Lima
Camille Lima
31 de outubro de 2024
15:03 - atualizado às 13:54
O megainvestidor Luiz Barsi Filho.
O megainvestidor Luiz Barsi Filho, em evento. - Imagem: Luiza Camejo/Divulgação

De frente para mais de 400 investidores pessoa física ávidos por uma “espiadinha” na carteira de um dos maiores nomes do mercado financeiro brasileiro, Luiz Barsi Filho, o rei dos dividendo da B3 — cuja fortuna é estimada em R$ 4 bilhões —, revelou uma dupla de ações atraente e que atualmente compõe seu portfólio.

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Uma delas é um papel do setor de seguros que já subiu 19% desde janeiro e ainda teria potencial de disparar no futuro, nas projeções do bilionário. A outra é uma ação para quem quer apostar no longo prazo sem grandes preocupações.

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“Eu estou comprando ações de um setor de atividade em que o cidadão paga pelo produto e deseja que nada aconteça. Na verdade, ele torce para não acontecer: o seguro. Nesse sentido, estou investindo na Caixa Seguridade (CXSE3), porque eu acho que ela vai subir”, disse Barsi, durante evento organizado pela AGF na última quarta-feira (30).

Criada em 2019 pela herdeira Louise Barsi, a plataforma AGF oferece uma estratégia baseada nos investimentos do “Warren Buffett brasileiro”: a busca por uma carteira de renda passiva mensal com dividendos.

Por que o rei dos dividendos está otimista com a ação da Caixa Seguridade (CXSE3)

O principal motivo por trás do otimismo de Barsi com a Caixa Seguridade é a recente oferta subsequente de ações (follow-on) — e a razão pela qual a dona da empresa, a Caixa Econômica Federal, decidiu realizá-la agora, entre tantos momentos.

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Deixe-me explicar. Há anos, a seguradora esteve na mira da B3 por não cumprir com uma das principais regras do Novo Mercado, o nível mais alto de governança corporativa da bolsa de valores brasileira.

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O objetivo do Novo Mercado é aumentar o padrão de governança corporativa das companhias com ações listadas na B3 e reduzir as diferenças entre controladores e acionistas minoritários das empresas.

É por isso que o segmento requer uma série de regras para as companhias — e uma delas é que as empresas mantenham pelo menos 20% do capital social em circulação no mercado (no chamado free float), a fim de proteger os minoritários de grandes volatilidade de preços.

No entanto, o free float da Caixa Seguridade estava abaixo desse mínimo desde a estreia na bolsa, em abril de 2021. Atualmente, apenas 17,25% do total de ações CXSE3 são livres do controle da Caixa.

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A bolsa ainda permite que uma empresa mantenha só 15% de free float, desde que tenha um volume financeiro médio diário de negociação igual ou superior a R$ 20 milhões. Outra vez, esse não era o caso da Caixa Seguridade, que negocia uma média de pouco mais de R$ 3 milhões.

“Há anos, a Caixa vem sendo pressionada pela bolsa para completar esses 20% de ações no free float, mas foi só agora que a empresa decidiu obedecer. Quando eu me pergunto então por que ela não tinha feito isso até agora, eu suponho que é porque ela estava esperando o preço ser conveniente para colocar essas ações no mercado”, disse Barsi.

Foi depois de três anos “fugindo” do regulamento da B3 que a Caixa enfim decidiu, em meados deste mês, autorizar o follow-on para incrementar esse percentual e voltar a atender aos critérios do Novo Mercado.

A expectativa de Barsi é que essa decisão signifique que a própria Caixa espera que os papéis CXSE3 possam subir a qualquer momento na bolsa.

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“Eu não sei que nível de preço seria conveniente para lançar mais ações na bolsa, mas com certeza já esteve cotada a R$17,00 e não foi. Então, para mim, é possível que possa estar valendo futuramente acima desse patamar. Hoje, vale R$14,00, então estou comprando baseado nesse fundamento e expectativa”, afirmou.

Afinal, para o megainvestidor, o mercado de ações se resume a isso: tentar comprar expectativas favoráveis, que tenham em seu DNA o investimento, crescimento, receitas e distribuições permanentes.

O investimento de Luiz Barsi em longo prazo

Questionado sobre uma dica de investimentos para aqueles que sonham em montar uma carteira vencedora para os filhos para os próximos 30 anos, Barsi elegeu a Klabin (KLBN11) como aposta no longo prazo.

Existem dois pontos principais que fazem as ações brilharem aos olhos do megainvestidor: os dividendos e a cotação. 

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Segundo o bilionário, a Klabin é uma empresa “preocupada em remunerar o acionista com visão de longo prazo” — e o próprio CEO, Cristiano Teixeira, deixou claro que não pretende abandonar essa missão.

“A família Klabin construiu um patrimônio espetacular. É uma empresa que, com 125 anos, tem uma vertente de crescer, investir em novos projetos, melhorar e distribuir parte daquele lucro que obtém trimestralmente. Então, eu acho que ela vai durar bastante”, projetou o investidor.

Além dos proventos, a Klabin é uma ação barata, hoje negociada na casa dos R$ 20. Como o papel possui um preço mais baixo em comparação com gigantes como a Vale (VALE3) — hoje cotada a R$ 61 —, o investidor precisaria desembolsar uma quantia muito menor para construir uma boa posição na empresa.

Na visão de Barsi, o acionista consegue comprar um volume maior de ações — e, em longo prazo, pode receber um rendimento melhor pela fatia na companhia.

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