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Ao Seu Dinheiro, Ruy Alves, gestor da Kinea, avalia que oito papéis devem se sair bem nos próximos meses mesmo com o desempenho mediano da bolsa brasileira
A falta de apetite pela bolsa brasileira se tornou um sentimento quase unânime entre os grandes gestores do Brasil — e a alta da Selic tende a colocar ainda mais pressão sobre a renda variável. Mas, para a Kinea Investimentos, ainda é possível encontrar ações atraentes na B3.
Responsável pelo portfólio macroeconômico global da gestora ligada ao Itaú, Ruy Alves avalia oito papéis que devem se sair bem nos próximos meses, apesar do desempenho “mediano e sem nada de especial” esperado para o Ibovespa.

“Há oportunidades dentro da bolsa, mas o índice como um todo é muito contaminado. Eu recomendaria ao investidor não ir para o Ibovespa, e sim procurar empresas de excelência dentro da B3”, afirmou o gestor, em entrevista ao Seu Dinheiro.
Não à toa, a Kinea encontra-se com posição neutra em bolsa, em meio a preocupações em relação à questão fiscal do Brasil e frente ao desempenho “medíocre” do EWZ, fundo de índice (ETF) de ações brasileiras listado em Nova York, quando comparado a outras bolsas globais.
Dos oito papéis favoritos da Kinea, quatro deles estão no setor de utilidades públicas, que engloba serviços como energia elétrica e saneamento básico e é visto como um dos segmentos mais defensivos da bolsa atualmente.
Para Alves, atualmente existe um potencial relevante de valorização para a Sabesp (SBSP3) após a privatização — especialmente com a chegada da Equatorial (EQTL3) como acionista de referência da companhia.
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“A Sabesp já está a caminho de melhorias operacionais, com fortes cortes de custos, e logo passará por um investimento para aumentar a base de ativos. A ação ainda negocia com desconto em relação ao net equity value (valor líquido patrimonial), então gostamos do papel”, afirmou.
Aliás, a Equatorial (EQTL3) também está presente no portfólio da Kinea. Alves avalia que a empresa negocia a taxa interna de retorno (TIR) real razoável e que, no longo prazo, “entrega constantemente crescimento com melhorias operacionais e aquisições complementares de ativos novos”.
Outras duas empresas do setor de utilities recentemente privatizadas que atraem o olhar da Kinea são a Copel (CPLE6) e a Eletrobras (ELET3).
Além das melhorias que estão acontecendo nas empresas após as desestatizações, as companhias devem se beneficiar do aumento dos preços longos de energia no Brasil, já que atuam no segmento de geração de eletricidade.
Vale lembrar que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) recentemente acionou a bandeira vermelha 1 para o mês de setembro, em meio à escassez de chuvas e ao clima seco com temperaturas elevadas no país.
Segundo a gestora, outro ponto que pode beneficiar a Eletrobras é o avanço da negociação sobre a participação na Eletronuclear com o governo federal, que já se arrasta há cerca de um ano.
Detentora do título de ação que mais subiu na B3 em 2024, a Embraer (EMBR3) acumula ganhos da ordem de 110% desde janeiro. Mas para o gestor da Kinea, ainda que a fabricante de aeronaves tenha dobrado de valor neste ano, há espaço para mais.
“A Embraer está em um período de colheita dos investimentos, com vendas do avião militar KC e do novo E2. Além disso, a empresa está em uma fase muito boa da indústria global, já que a Boeing não consegue mais entregar avião devido à crise financeira”, disse Ruy Alves.
Conhecida como “a fábrica de bilionários da B3”, a Weg (WEGE3) é outra aposta da Kinea em meio à perspectiva favorável para investimentos ligados à eletrificação global.
As outras duas ações que integram a carteira de renda variável da Kinea são o Itaú Unibanco (ITUB4) e o Banco do Brasil (BBAS3).
“Gostamos do setor bancário brasileiro. O segmento está muito barato no momento e vivencia um ciclo de crédito positivo, com carteiras de crédito começando a expandir”, disse.
Ruy Alves ainda revelou um setor para ficar de fora na B3: o de commodities. Atualmente, a Kinea prefere manter distância do segmento na bolsa brasileira, especialmente devido às perspectivas mais fracas para a China.
“Não gostamos do setor de commodities, acreditamos que a China está em um processo de desaceleração que está afetando o segmento na bolsa.”
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