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Gestora que trava disputa societária na incorporadora quer a interrupção do prazo da assembleia de acionistas da Gafisa até que a autarquia se manifeste sobre o assunto
Em mais um round na disputa societária na Gafisa (GFSA3), a Esh Capital pediu a interrupção do prazo para a convocação da assembleia de acionistas da incorporadora, marcada para 7 de fevereiro.
A gestora de Vladimir Timerman pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para julgar uma possível ilegalidade na inclusão de um item da assembleia que vai avaliar a abertura de uma ação judicial contra a Esh.
Desse modo, a gestora quer a interrupção do prazo para esse item específico da pauta até que a autarquia se manifeste sobre o assunto. Em comunicado, a Gafisa informou que vai avaliar o pedido.
Enquanto isso, as ações da incorporadora na B3 passam por uma extrema volatilidade desde a convocação da assembleia, feita a pedido da própria Esh. O mercado atribui o movimento à compra dos papéis por acionistas que querem votar na AGE.
No pregão desta quarta-feira, as ações da Gafisa (GFSA3) recuavam 0,72%, por volta das 11h20, a R$ 11,00. Para efeito de comparação, os papéis estavam próximos ao patamar de R$ 6,00 antes da disputa mais recente.
A Esh entrou com o pedido de convocação da assembleia de acionistas no fim de dezembro. Conhecida pelo ativismo, a gestora defende a suspensão dos direitos políticos de veículos de investimento supostamente ligados ao empresário Nelson Tanure na companhia.
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Dias depois, contudo, dois acionistas pediram a inclusão na pauta da AGE de um pedido para que a administração da Gafisa "apure e avalie todos os prejuízos causados" pela Esh.
Além disso propõem que a companhia abra uma ação de responsabilidade contra a gestora de Vladimir Timerman, "contemplando pedido de bloqueio das ações".
Um dos autores do pedido é o fundo Estocolmo, que a Esh alega ser um dos veículos por meio dos quais Tanure detém participação na Gafisa.
O outro autor do pedido é o Ravello. Não se sabe quem está por trás do fundo, mas uma consulta à carteira mostra que, além da Gafisa, o Ravello tem posição em ações da Azevedo e Travassos — que também possui Tanure como acionista.
A Gafisa já tentou no ano passado convocar uma assembleia para votar um pedido contra a Esh, mas a CVM determinou que a incorporadora retirasse o item da pauta.
Conhecida pelo ativismo, a Esh Capital entende que Tanure deveria lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações da Gafisa na B3.
O estatuto da incorporadora prevê a realização da uma oferta quando um acionista ultrapassa os 30% do capital. O mesmo estatuto estipula que o acionista pode ter a suspensão dos direitos na companhia caso não faça a OPA.
No entendimento da gestora, o empresário ultrapassou esse limite e, portanto, teria que realizar a oferta aos demais acionistas. Essa participação estaria oculta em veículos sob gestão da Planner Corretora, Trustee DTVM e do Banco Master.
Aliás, esta não é a primeira vez que a Esh pede uma assembleia para tratar do tema. No início do ano passado, os acionistas da Gafisa rejeitaram a proposta de suspender os direitos políticos de Nelson Tanure e outros investidores supostamente ligados a ele.
Na ocasião, as instituições negaram ligações entre si e com Tanure. Agora, a Esh traz novos argumentos que supostamente provariam o vínculo entre os acionistas para embasar o pedido de assembleia. Você pode ler a íntegra da manifestação da gestora aqui.
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