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Cyrela, Cury, Direcional, Even, MRV, Moura Dubeux e Tenda publicaram dados de lançamentos, vendas e geração de caixa do segundo trimestre na semana passada
A temporada de balanços brasileira só deve esquentar a partir da semana que vem para a maioria das ações da bolsa — confira aqui o calendário de resultados. Mas, no caso dos papéis de construtoras e incorporadoras da B3, a temperatura já está elevada em meio à divulgação das prévias operacionais.
Ao longo da semana passada, alguns dos principais nomes da construção como Cyrela (CYRE3), Cury (CURY3), Direcional (DIRR3), Even (EVEN3), MRV (MRVE3), Moura Dubeux (MDNE3) e Tenda (TEND3) publicaram dados de lançamentos, vendas e geração de caixa do segundo trimestre.
Os números movimentaram as cotações das ações e também os analistas do setor. Os especialistas de bancos de investimentos liberaram uma série de relatórios avaliando os resultados operacionais e as recomendações para os papéis das companhias.
Direcional, Cyrela, Even e Tenda, por exemplo, publicaram os resultados no mesmo dia: todas escolheram a última quinta-feira (11) para colocar os números no ar. Por isso, o Itaú BBA também optou por analisar as quatro prévias “em uma tacada só”.
Na opinião do banco, expressa em um relatório divulgado na sexta-feira (12) pela equipe de real estate, a Direcional apresentou um dos melhores resultados entre o quarteto.
A companhia reportou a maior cifra de vendas líquidas trimestrais de sua história: R$ 1,6 bilhão, alta de 68% ante o segundo trimestre de 2023. A soma também é 24% superior ao recorde anterior, registrado entre janeiro e março deste ano.
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De acordo com os analistas, o desempenho reitera a visão positiva para a companhia e reforça a confiança do banco na performance do restante do ano.
A Direcional também é uma queridinha de longa data do BTG Pactual, que acredita que a construtora está “no caminho certo” para entregar resultados sólidos no futuro.
“Combinados com um valuation atrativo e dividendos generosos, [as perspectivas] nos fazem manter nossa recomendação de compra”, cita o banco. O preço-alvo é de R$ 27 por papel DIRR3.
A Tenda também reportou, na visão do Itaú BBA, resultados fortes, mas o banco optou por manter a recomendação neutra para as ações TEND3.
Já o BTG Pactual apontou que a velocidade de vendas da companhia foi um destaque. O indicador, que é uma métrica importante para o setor imobiliário pois indica o ritmo de absorção dos empreendimentos, atingiu 35,8% no consolidado do trimestre.
O banco de investimentos relembra ainda que a companhia já alcançou 56% da faixa superior do guidance para 2024 ainda no primeiro semestre e recomenda compra para as ações.
“Continuamos confiantes de que a Tenda recuperará a lucratividade e, como o valuation é muito atraente, ela continua sendo nossa principal escolha entre as construtoras de baixa renda”, afirmam os analistas do BTG. O preço-alvo é de R$ 18 por papel.
Ainda considerando o quarteto, a Cyrela, que reportou um recuo nas vendas e lançamentos no segundo trimestre, foi quem viu as ações reagirem mais negativamente ao resultado. Os papéis CYRE3 tiveram a segunda maior queda do Ibovespa no último pregão da semana passada.
A companhia registrou um Valor Geral de Vendas (VGV) lançado de R$ 1,4 bilhão, um recuo de 58% ante o VGV do mesmo período do ano passado.
De acordo com o Goldman Sachs, o indicador foi afetado pelas enchentes no Rio Grande do Sul entre abril e maio. As inundações, consideradas a maior catástrofe climática da história do estado, levaram a companhia a adiar os lançamentos por lá.
A menor oferta de produtos novos teve como consequência vendas 5% menores do que no segundo trimestre de 2023, com R$ 2,3 bilhões contratados.
“Embora possa haver alguma fraqueza nas ações, continuamos positivos em relação à Cyrela dada a capacidade da empresa de impulsionar o crescimento das vendas devido ao seu forte posicionamento no segmento de média e alta renda”, disse o Goldman Sachs, que manteve a recomendação de compra para o papel e preço-alvo de R$ 31.
O Santander também indica que as ações CYRE3 são uma boa opção para a carteira, principalmente considerando que a virada na curva de juros brasileira levou o ativo a cair nos últimos meses.
“Vemos a fraqueza recente como uma oportunidade de compra, pois continuamos a acreditar na forte execução da empresa e no diferencial da sua força de vendas”, afirmam os analistas do banco, que estabeleceram um preço-alvo de R$ 33 para os papéis.
Finalizando as avaliações do quarteto que divulgou as prévias em bloco na quinta-feira (11), a Even apresentou resultados sólidos, segundo o Santander. Os lançamentos alcançaram R$ 1,1 bilhão no trimestre, acima dos R$ 887 milhões reportados no 2T23.
As vendas, por outro lado, ficaram em R$ 486 milhões, abaixo dos R$ 541 milhões da mesma base de comparação, mas com crescimento de 63% nas comercializações de estoque.
O banco manteve a recomendação de compra para os papéis e o preço-alvo de R$ 9,50 com base em três fatores:
O Itaú BBA, por outro lado, considerou os números neutros. De acordo com os analistas do banco, não houve “grandes surpresas”, já que o lançamento do empreendimento Faena, o grande projeto do trimestre, já era amplamente previsto. Assim, o banco manteve a recomendação neutra para o papel EVEN3.
Entre as companhias que publicaram os resultados mais perto do início da semana, um dos destaques é a MRV. BTG Pactual, Santander e Itaú BBA analisaram os números da construtora e a conclusão foi unânime: vendas líquidas recordes e lançamentos foram fortes, mas a geração de caixa ainda preocupa.
A divisão brasileira da companhia gerou R$ 9 milhões no período, abaixo dos R$ 25 milhões reportados no trimestre imediatamente anterior. Além disso, o número foi impulsionado pela venda de recebíveis, prática recorrente na operação.
Por outro lado, o braço de incorporação nos Estados Unidos, a Resia, voltou a apresentar uma forte queima de R$ 370 milhões. Não foram vendidos projetos no trimestre, mas a MRV espera ter boas notícias nesse sentido nos próximos meses, o que pode ajudar a evitar novas baixas no caixa.
Vale relembrar que, quando anunciou projeções para este ano, em março, a MRV afirmou que a Resia tem uma regra de ouro: não queimar caixa em 2024.
“Não irá capital da MRV Brasil para a Resia e a expectativa é gerar caixa neste ano. Essa companhia terá muito valor para capturar quando começar a queda de juros dos EUA”, afirmou, na ocasião, Rafael Menin, copresidente do grupo.
Mas, mesmo com a companhia ainda longe de atingir a meta estabelecida pela matriz, os três bancos de investimento seguem recomendando compra para a MRV.
O BTG estabeleceu um preço-alvo de R$ 17 para as ações, enquanto Santander e Itaú BBA são mais conservadores, com projeções de R$ 14 e R$ 10, respectivamente.
Já a Cury reportou mais um trimestre de indicadores operacionais recordes. O VGV lançado ultrapassou R$ 1,7 bilhão, mesmo volume registrado em vendas líquidas no segundo trimestre.
No caso das vendas, a cifra representa alta de 46,5% ante o mesmo período do ano passado e o maior valor já registrado nos 61 anos de história da companhia. A velocidade de vendas (VSO) líquida também bateu recorde e avançou 50,5%.
O BTG Pactual destacou que os resultados foram positivos em todas as frentes. Por isso, apesar de não enxergar mais o valuation da empresa como “uma barganha”, manteve a recomendação de compra para CURY3, com preço-alvo de R$ 21.
Já o Santander ainda considera os múltiplos descontados e também recomenda compra, com preço-alvo de R$ 27. “Acreditamos que os fortes números apresentados pela empresa deverão, em algum momento, traduzirem-se em revisões de lucros mais positivas e sustentar o sólido desempenho de suas ações”.
Vale relembrar ainda que Ronaldo Cury, diretor de Relações com Investidores da construtora, conversou com Seu Dinheiro. O executivo falou sobre o desempenho operacional da construtora, a performance das ações e o que esperar da Cury daqui para a frente. Confira aqui os principais destaques da entrevista.
Por fim, a Moura Dubeux abriu a divulgação dos números operacionais com chave de ouro na semana passada. A construtora líder de mercado no Nordeste publicou a melhor prévia operacional de sua história.
Os lançamentos saltaram 83,8% ante o primeiro trimestre do ano e alcançaram os R$ 637 milhões. Já as vendas líquidas cresceram 32,1% na mesma base de comparação e se aproximaram dos R$ 500 milhões.
Para o Santander, no entanto, a grande surpresa positiva da prévia foi outra: a reversão da queima de caixa de quase R$ 70 milhões no primeiro trimestre do ano em uma geração de R$ 18,7 milhões entre abril e junho.
“Como consequência, estimamos que a empresa deva encerrar o trimestre com um balanço sólido”, diz o banco. O Santander manteve a recomendação de compra para os papéis MDNE3 e o preço-alvo de R$ 18.
O Seu Dinheiro também conversou com o CEO da companhia, Diego Villar, a respeito do desempenho do segundo trimestre, o que esperar do balanço. O executivo revelou que a previsão para a primeira distribuição de dividendos da Moura Dubeux será antecipada — confira os detalhes aqui.
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