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Este promete ser apenas o início do ciclo de cortes na taxa básica de juros, o que reduzirá o retorno das aplicações mais conservadoras
Após um ano estagnada em 13,75% ao ano, a Selic finalmente começou a ceder nesta quarta-feira (02), conforme já era esperado pelo mercado.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) efetuou um corte de 0,50 ponto percentual na meta da taxa básica de juros, que passou agora para 13,25% ao ano.
A magnitude da redução correspondeu às expectativas de parte dos investidores, mas as principais apostas, desta vez, estavam divididas entre 0,25 ou 0,50 ponto percentual.
E mesmo dentro do colegiado do BC não houve unanimidade: foram cinco votos pela redução de 0,50 ponto percentual – incluindo o do presidente da autarquia, Roberto Campos Neto – a quatro votos pelo corte de 0,25.
Seja como for, para o investidor pessoa física o início do esperado ciclo de cortes na Selic – que deve continuar nas próximas reuniões – significa que os investimentos de renda fixa indexados à taxa básica e ao CDI, como as aplicações mais conservadoras, vão passar a render menos.
Em outras palavras, a rentabilidade da sua reserva de emergência vai diminuir.
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Com a Selic em 13,25% ao ano, teremos as seguintes rentabilidades mensais e anuais líquidas nas principais aplicações financeiras conservadoras:
| Investimento | Retorno líquido em 1 mês* | Retorno líquido em 1 ano** |
| Poupança | 0,66% | 8,19% |
| Tesouro Selic 2026 (via Tesouro Direto) | 0,78% | 10,78% |
| CDB 100% do CDI ou fundo Tesouro Selic de taxa zero | 0,80% | 10,85% |
| CDI bruto | 1,03% | 13,15% |
Porém, como você já deve saber, a Selic não deve ficar estagnada em 13,25% por muito tempo, pois são esperados novos cortes pelo Banco Central nas próximas reuniões do Copom.
Segundo a última edição do boletim Focus do BC, por exemplo, as instituições financeiras esperam que a meta da taxa básica termine 2023 em 12,00% e chegue a 9,25% ao final de 2024.
Ou seja, a rentabilidade das aplicações conservadoras dentro de um ano, a partir de agora, deve ser ainda menor do que os cerca de 11% projetados na tabela anterior.
Importante notar ainda que mesmo a rentabilidade da poupança deve cair daqui para frente. Não que a Selic vá recuar abaixo de 8,50% ao ano, que é o patamar que ativa a mudança na regra de remuneração da caderneta; é que, com a redução da taxa de juros, a TR também deve cair.
Assim, para dar uma ideia melhor de como ficará a rentabilidade dos investimentos conservadores daqui para frente, vamos simular diferentes prazos de aplicação utilizando as estimativas futuras do mercado para a Selic e o CDI nos próximos 12 e 24 meses.
Vale frisar, no entanto, que essas projeções agora podem mudar a partir da decisão do Copom de hoje, bem como das sinalizações do Banco Central para as próximas reuniões. Além disso, as projeções para a poupança continuam considerando a TR de julho, mas esta taxa também deve cair daqui para frente.
| Investimento | Retorno líquido em 1 ano* | Retorno líquido em 2 anos** |
| Poupança | 8,19% | 17,05% |
| CDB 100% do CDI ou fundo Tesouro Selic de taxa zero | 9,40% | 19,90% |
| Tesouro Selic 2026 (via Tesouro Direto) | 9,56% | 20,10% |
| LCI 90% do CDI | 10,20% | 21,07% |
Veja, na tabela a seguir, quanto você teria, ao final de cada período, caso aplicasse R$ 1 mil em cada um desses investimentos, nas circunstâncias da simulação anterior:
| Investimento | Quanto você teria após 1 ano | Quanto você teria após 2 anos |
| Caderneta de poupança | R$ 1.081,89 | R$ 1.170,49 |
| CDB ou fundo Tesouro Selic 100% do CDI | R$ 1.094 | R$ 1.198,98 |
| Tesouro Selic 2026 | R$ 1.095,59 | R$ 1.201,02 |
| LCI 90% do CDI | R$ 1.102 | R$ 1.210,69 |
As aplicações mais conservadoras de renda fixa vão passar a render menos, mas elas não devem sair da sua carteira – sobretudo da sua reserva de emergência. Esse tipo de investimento é fundamental em qualquer portfólio, pois tem baixo risco, pouca volatilidade e liquidez diária, deixando os seus recursos disponíveis sempre que você precisar deles.
Além disso, a redução da Selic não se dará da noite para o dia. Uma taxa básica de juros de dois dígitos ainda é bastante alta, resultando num retorno mensal de cerca de 1%.
A queda dos juros deve, por outro lado, favorecer os investimentos de mais risco. Dentro da renda fixa, os títulos prefixados e indexados à inflação, que tendem a se valorizar quando os juros caem; na renda variável, ações e fundos imobiliários.
Para quem pretende comprar títulos de renda fixa prefixada ou atrelada à inflação, entretanto, quanto antes fizer isso, melhor. Ainda é possível contratar remunerações elevadas, garantidas para quem levar os títulos até o vencimento. À medida que o ciclo de corte de juros avançar, essas rentabilidades para novos aportes tendem a recuar junto.
A vantagem fiscal não deve ser o único benefício de um título de crédito — o risco também deve ser remunerado, e nem toda renda fixa está pagando essa conta
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