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Banco Central cortou a taxa básica em mais 0,50 ponto percentual nesta quarta; veja como a rentabilidade dos investimentos conservadores deve reagir
Conforme já era amplamente esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu mais uma vez, nesta quarta-feira (1º), a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual. Assim, a Selic agora passa de 12,75% para 12,25% ao ano.
Para o investidor pessoa física, o novo corte nos juros representa mais uma redução na remuneração dos investimentos de renda fixa indexados à taxa básica e ao CDI, como as aplicações mais conservadoras.
Em outras palavras, a rentabilidade da sua reserva de emergência vai diminuir ainda mais. Além disso, com este novo patamar de Selic, o CDI mensal deve voltar a cair abaixo da "marca psicológica" de 1,00% ao mês.
Com a Selic em 12,25% ao ano, teremos as seguintes rentabilidades mensais e anuais líquidas nas principais aplicações financeiras conservadoras:
| Investimento | Retorno líquido em 1 mês* | Retorno líquido em 1 ano** |
| Poupança | 0,61% | 7,61% |
| Tesouro Selic 2026 (via Tesouro Direto) | 0,72% | 9,91% |
| CDB 100% do CDI ou fundo Tesouro Selic de taxa zero | 0,74% | 10,02% |
| CDI bruto | 0,96% | 12,15% |
Embora a expectativa do mercado em relação ao ciclo de cortes da Selic esteja menos otimista do que na última reunião do Copom, em setembro, em razão da disparada dos retornos dos títulos do Tesouro americano, a taxa básica de juros deve continuar caindo nas próximas reuniões.
Sendo assim, a Selic não deve ficar estagnada em 12,25% por muito tempo. Segundo a última edição do boletim Focus do BC, por exemplo, as instituições financeiras esperam que a meta da taxa básica termine 2023 em 11,75% e chegue a 9,25% ao final de 2024.
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Ou seja, a rentabilidade das aplicações conservadoras dentro de um ano, a partir de agora, deve ser ainda menor do que os valores projetados na tabela anterior.
Importante notar ainda que mesmo a rentabilidade da poupança vem caindo. Não que a Selic vá recuar abaixo de 8,50% ao ano, que é o patamar que ativa a mudança na regra de remuneração da caderneta; é que, com a redução da taxa de juros, a TR também tende a reduzir com o tempo.
Assim, para dar uma ideia melhor de como ficará a rentabilidade dos investimentos conservadores daqui para frente, vamos simular diferentes prazos de aplicação utilizando as estimativas do mercado para a Selic e o CDI nos próximos 12 e 24 meses (DI futuro).
Vale frisar, no entanto, que essas projeções podem mudar a partir da decisão do Copom de hoje, bem como das sinalizações do Banco Central para as próximas reuniões. Além disso, as projeções para a poupança continuam considerando a TR de setembro, mas esta taxa também pode cair daqui para frente.
| Investimento | Retorno líquido em 1 ano* | Retorno líquido em 2 anos** |
| Poupança | 7,61% | 15,80% |
| CDB 100% do CDI ou fundo Tesouro Selic de taxa zero | 9,29% | 19,82% |
| Tesouro Selic 2026 (via Tesouro Direto) | 9,19% | 19,63% |
| LCI 90% do CDI | 10,08% | 20,76% |
Veja, na tabela a seguir, quanto você teria ao final de cada período caso aplicasse R$ 10 mil em cada um desses investimentos, nas circunstâncias da simulação anterior:
| Investimento | Quanto você teria após 1 ano | Quanto você teria após 2 anos |
| Caderneta de poupança | R$ 10.760,91 | R$ 11.579,73 |
| CDB ou fundo Tesouro Selic 100% do CDI | R$ 10.928,95 | R$ 11.982,29 |
| Tesouro Selic 2026 | R$ 10.919,40 | R$ 11.962,60 |
| LCI 90% do CDI | R$ 11.007,94 | R$ 12.076,33 |
Com o ciclo de reduções esperadas para a Selic, as aplicações mais conservadoras de renda fixa devem render cada vez menos, mas elas não devem sair da sua carteira – sobretudo no caso da sua reserva de emergência.
Investimentos conservadores e pós-fixados (indexados às taxas de juros) são fundamentais em qualquer portfólio, pois têm baixo risco, pouca volatilidade e, em muitos casos, liquidez diária, deixando os seus recursos disponíveis sempre que você precisar deles.
Além disso, a redução da Selic não se dará da noite para o dia. Uma taxa básica de juros de dois dígitos ainda é bastante alta.
A queda dos juros deve, por outro lado, favorecer os investimentos de mais risco. Dentro da renda fixa, os títulos prefixados e indexados à inflação, que tendem a se valorizar quando os juros caem; na renda variável, ações e fundos imobiliários.
Para quem pretende comprar títulos de renda fixa prefixada ou atrelada à inflação, entretanto, quanto antes fizer isso, melhor. Ainda é possível contratar remunerações elevadas, garantidas para quem levar os títulos até o vencimento. À medida que o ciclo de corte de juros avançar, essas rentabilidades para novos aportes tendem a recuar junto.
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