Vingança de Putin? A exigência da Rússia para reabrir o corredor crucial para a exportação de grãos da Ucrânia
Pacto expirou nesta segunda-feira (17) e coloca o mundo de novo à beira de uma disparada de preços de alimentos e da fome

Quando os EUA autorizaram o envio para a Ucrânia das controversas cluster bombs — armas de fragmentação proibidas em mais de 100 países —, a Rússia só observou. Exatos dez dias depois do anúncio do governo norte-americano, o presidente Vladimir Putin deu sua resposta: fechou o corredor de exportação de grãos usado por Kiev.
O acordo que permitia à Ucrânia retomar grande parte de suas exportações de grãos por um corredor no Mar Negro expirou nesta segunda-feira (17) e agora alimenta preocupações sobre um importante elo na cadeia global de distribuição de trigo, milho e óleo de girassol, entre outros produtos.
Para se ter uma ideia da importância desse corredor, no ano comercial de 2023-2024 (julho-junho), a Ucrânia e a Rússia juntas devem responder por quase 27% do comércio global de trigo.
Além disso, dado do Departamento de Agricultura dos EUA mostram que a Ucrânia sozinha pode fornecer quase 10% dos embarques globais de milho.
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Essa não é a primeira vez…
Quando a Rússia invadiu a Ucrânia no início do ano passado, esse mesmo corredor chegou a ser fechado, o que contribuiu para o aumento dos preços globais de alimentos e gerou temores de que a guerra poderia levar milhões de pessoas no mundo à fome.
Na ocasião, para resolver a questão, um acordo entre Rússia, Ucrânia e Turquia — facilitado pela Organização das Nações Unidas (ONU) — foi assinado em Istambul em julho do ano passado, permitindo que os ucranianos retomassem as exportações.
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Os embarques foram retomados em agosto de 2022 e a Ucrânia exportou cerca de 32 milhões de toneladas de alimentos desde então.
- Leia também: Putin ameaça usar bombas proibidas em 120 países se Ucrânia também utilizar o armamento explosivo que recebeu dos EUA
O que a Rússia quer?
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse a jornalistas nesta segunda-feira (17) que o acordo foi encerrado, mas que a Rússia voltaria a participar se suas exigências fossem atendidas.
A Rússia vinha ameaçando revogar o acordo nos últimos meses, exigindo que o Ocidente facilitasse suas próprias exportações de alimentos e fertilizantes.
"O acordo de grãos foi encerrado. Assim que a parte russa for cumprida, retomaremos imediatamente a implementação do acordo", disse Peskov.
O foco principal da demanda russa é a retomada do fornecimento de amônia via oleoduto que passa pela Ucrânia e vai até o porto de Odesa, no Mar Negro, que está inativo desde 2022.
“Havia cláusulas deste acordo com a ONU, segundo as quais era necessário levar em consideração os interesses russos. Nada, quero enfatizar isso, nada foi feito”, disse Putin.
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*Com informações da Agência Tass e da Dow Jones
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