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STARTUPS EM APUROS?

Entenda o caso do SVB Financial, banco do Vale do Silício que está espalhando ondas de choque pelos mercados globais

Depois de registrar perda de US$ 1,8 bilhão com liquidação de títulos, SVB tenta levantar US$ 2,25 bilhões

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10 de março de 2023
11:17 - atualizado às 11:19
corrida bancária no SVB Financial Group
SVB Financial Group - Imagem: Reprodução/LinkedIn

As ações de empresas do setor financeiro amanheceram em queda ao redor do mundo nesta sexta-feira. O motivo é a crise - revelada na véspera - do SVB Financial, um banco conhecido por financiar empresas cujos riscos são considerados elevados demais por atores mais tradicionais do setor.

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O SVB, sigla para Silicon Valley Bank, é considerado fundamental pelas startups de tecnologia. Além de fornecer serviços bancários tradicionais, ele já entrou com bilhões e bilhões de dólares em capital de risco para projetos e empresas.

A trajetória do SVB Financial teve início há 40 anos. Ao longo das décadas, a proximidade com o setor de tecnologia tornou o banco particularmente sensível aos ciclos de alta e baixa do setor.

E essa situação ganhou uma nova amostra de ontem para hoje.

O que aconteceu com o SVB Financial

O SVB viu-se forçado a liquidar títulos, descarregando US$ 21 bilhões em suas participações em empresas. A liquidação resultou em perda de US$ 1,8 bilhão.

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Paralelamente, o banco anunciou a necessidade de levantar US$ 2,25 bilhões para tapar o buraco. Quase imediatamente, a General Atlantic se dispôs e entrar com US$ 500 milhões.

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Diante dos desdobramentos, a ação da SVB derreteu 60% no Nasdaq na quinta-feira e chegou a cair mais de 40% no pré-mercado em Wall Street nesta sexta-feira antes de se estabilizar.

Momento delicado para startups de tecnologia

Os problemas com o SVB Financial ocorrem em um momento particularmente delicado para as empresas do Vale do Silício.

A atividade de negócios de capital de risco caiu mais de 30% em 2022, para US$ 238 bilhões, de acordo com a PitchBook.

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Embora essa ainda seja uma cifra historicamente elevada, a escassez de ofertas públicas iniciais e a queda contínua nas avaliações de empresas que já foram grandes sugerem mais problemas pelo caminho em 2023.

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Força estabilizadora

Por se tratar de um grande banco regulamentado, o SVB costuma ser visto como uma força estabilizadora no mercado de venture capital. No entanto, suas últimas manobras financeiras estão despertando o alarme entre a base de clientes da empresa.

“Psicologicamente, é um golpe porque todo mundo percebe como as coisas podem ser frágeis”, disse Scott Orn, chefe operacional da Kruze Consulting, empresa que assessora startups com serviços tributários, contábeis e de recursos humanos.

Em entrevista à CNBC, Orn qualificou o SVB como uma “jóia da coroa do Vale do Silício” e uma “marca forte” e manifestou a expectativa de que o banco supere as dificuldade, mas não descartou a possibilidade de que venha a ser adquirido por uma instituição financeira maior.

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Para seus clientes, que chegam às centenas, a crise pode resultar em crédito mais caro no futuro. “Perder um importante financiador do mercado de dívida de risco pode aumentar o custo dos fundos”, disse Orn.

Queima de caixa por clientes impactou SVB

A crise enfrentada pelas startups tecnológicas tem levado as empresas a queimarem caixa. E há sinais de que isso tenha impactado consideravelmente a quantidade de recursos depositados no banco.

De acordo com um relatório financeiro intermediário, um dos principais problemas enfrentados pelo banco tem a ver com a quantidade de dinheiro que seus clientes estão gastando.

O total de depósitos de clientes acumula cinco trimestres de queda apesar da desaceleração no investimento de risco.

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“O consumo de caixa do cliente permanece aproximadamente duas vezes maior do que os níveis anteriores a 2021 e não se ajustou ao ambiente de captação de recursos mais lento”, informa o SVB.

Em janeiro, o SVB projetava que os depósitos médios para o primeiro trimestre ficassem entre US$ 171 bilhões e US$ 175 bilhões. Essa previsão agora caiu para entre US$ 167 bilhões e US$ 169 bilhões.

Ao mesmo tempo, o SVB espera que os clientes continuem queimando caixa praticamente na mesma velocidade do último trimestre de 2022.

O que esperar do SVB a partir de agora

Analistas da DA Davidson escreveram em um relatório na quinta-feira que, em termos de gastos, “as empresas não se ajustaram ao ambiente de captação de recursos mais lento”. A casa de análise tem uma classificação neutra para as ações da SVB.

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A agência de classificação de risco S&P baixou sua classificação do SVB de BBB para BBB-, apenas um degrau acima de sua classificação de calote.

Na quarta-feira, a Moody's cortou a nota do banco de A3 para Baa1, refletindo "a deterioração das condições de financiamento, liquidez e lucratividade do banco, o que levou o SVB a anunciar ações para reestruturar seu balanço".

No mercado, a preocupação de momento é com um potencial efeito de contágio.

*Com informações da CNBC.

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