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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

ECONOMIA DOS DUENDES?

Problema de bilhões: Irlanda tem R$ 52 bilhões sobrando no orçamento — e não sabe o que fazer com o dinheiro

Graças a uma explosão em receitas fiscais provenientes de empresas multinacionais, o governo de Dublin deve encerrar o ano com recorde de excedente orçamental de 10 bilhões de euros

Camille Lima
Camille Lima
24 de setembro de 2023
15:00 - atualizado às 10:00
Irlanda
Irlanda - Imagem: Getty Images

O governo da Irlanda encontra-se com um problema fiscal que pode parecer incomum para quem vive no Brasil: o país tem muito dinheiro “sobrando” — e não sabe o que fazer com o montante.

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Graças a uma explosão em receitas fiscais provenientes de empresas multinacionais, o governo de Dublin deve encerrar o ano com recorde de excedente orçamental.

Nas contas do governo, existem 10 bilhões de euros — equivalente a R$ 52,5, nas cotações atuais — “a mais” no orçamento irlandês.

Para o próximo ano, o excedente deve aumentar ainda mais: a previsão é que os lucros extraordinários atinjam a marca dos 16 bilhões de euros no fim de 2024.

O número foi impulsionado pelo aumento dos lucros inesperados e receitas fiscais corporativas, especialmente do setor de tecnologia e farmácia. 

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Isso porque, durante anos, os baixos níveis de impostos sobre sociedades na Irlanda atraiu multinacionais — como Google e Meta — a abrir subsidiárias no país. Atualmente, estas subsidiárias são tributadas a uma taxa de 11,5%.

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O que a Irlanda vai fazer com o “dinheiro sobrando”

Agora, o principal problema da Irlanda é decidir o que fazer com a montanha de dinheiro que sobrará ao fim do ano. 

O governo atualmente considera cinco principais opções para gastar os valores:

  • Guardar o dinheiro para o futuro; 
  • Quitar dívidas do país; 
  • Investir em habitações necessárias ou em infraestruturas como hospitais, escolas e um sistema de metrô para Dublin; 
  • Doar os valores na forma de cortes de impostos e pagamentos de suporte à população.

Acontece que, ainda que todas as opções pareçam positivas, a escolha de qualquer um dos benefícios deverá gerar dor de cabeça ao governo irlandês, segundo a mídia local.

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“O que quer que façam, algumas pessoas ficarão muito mal-humoradas”, disse Cliff Taylor, colunista de negócios do jornal irlandês The Irish Times

“Existem conversas sobre colocar o dinheiro em um fundo soberano, para ajudar a apoiar o aumento dos custos das pensões à medida que a população envelhece. Mas se o governo fizer isso, outras pessoas dirão que nós precisamos urgentemente gastar dinheiro hoje em coisas como habitação e transportes e saúde, além de mudar o nosso sistema energético para lidar com as mudanças climáticas."

De acordo com uma pesquisa do Irish Times, 40% dos entrevistados prefere que o dinheiro extra seja gasto em “transportes públicos, habitação, hospitais e escolas”.

Outros 25% são a favor de gastos em serviços públicos como saúde e educação, enquanto 9% desejam que o governo use o montante para reduzir os impostos. 

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Uma parcela menor, que não chega a 5% dos entrevistados, prefere que o valor excedente seja usado para o pagamento da dívida nacional ou guardado para custear pensões futuras.

Os problemas de infraestrutura na Irlanda

Vale destacar que a situação habitacional na Irlanda é uma questão de preocupação para os analistas de mercado. 

Com uma das populações que mais cresce na Europa, o país encontra-se em uma verdadeira escassez de casas e apartamentos disponíveis. 

Os preços elevados de moradia ainda causaram uma evasão de jovens, que passaram a procurar novos lugares para viver. Por sua vez, o número de pessoas em situação de rua segue em crescimento na Irlanda.

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Mas, mesmo que a Irlanda decidisse usar o dinheiro para investir em infraestrutura, os grandes projetos do país costumam ser concluídos com atraso — e muito acima do orçamento, segundo o New York Times (NYT).

Em 2015, um novo hospital infantil em Dublin foi projetado para abrir até 2020, com um custo de 650 milhões de euros. Acontece que a data de inauguração já foi adiada — e ainda não há previsão para a abertura. 

Não bastasse o atraso, o custo da obra também se multiplicou: agora, o valor está estimado em quase 2,2 bilhões de euros, o que poderia tornar a construção o hospital mais caro do mundo, em termos de custo por leito.

Desde 2000, a capital irlandesa ainda planeja abrir uma linha de metrô para o aeroporto de Dublin. Na época, o projeto era estimado em 3,5 bilhões de euros.

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Após 23 anos de adiamentos e modificações, o plano mais recente prevê cerca de dez anos de construção a um custo entre 7 bilhões e 12 bilhões de euros.

Outra preocupação entre os políticos é por quanto tempo esses ventos positivos, com lucros inesperados de empresas e orçamento excedente, vão durar.

No ano passado, o Conselho Fiscal da Irlanda alertou que o país é extremamente dependente destes impostos “excessivos” sobre as empresas.

*Com informações de The New York Times e Irish Times

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