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Mas tem país do Mercosul de olho em um acordo bilateral com Pequim, ainda que isso signifique quebrar as regras do bloco; descubra qual

Quando o presidente da França, Emmanuel Macron, saiu da reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no sábado (2) dizendo que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) é antiquado e contraditório, o petista sofreu um forte revés por ser um dos principais defensores do tratado.
Mas não demorou nem uma semana para que o Brasil e o bloco mandassem um recado para os europeus: se Macron não quer, tem quem queira.
O Ministério das Relações Exteriores brasileiro informou nesta quinta-feira (7) que um acordo de livre comércio entre o Mercosul e Cingapura havia sido assinado durante a cúpula do bloco.
Esse é o primeiro instrumento dessa natureza firmado com um parceiro da região Ásia-Pacífico, marcando a retomada da agenda de negociações extrarregionais do Mercosul 12 anos depois da assinatura do último acordo de livre comércio pelo bloco.
Cingapura é um dos principais destinos das exportações do Mercosul e importante parceiro de investimentos do bloco.
A corrente de comércio Mercosul-Cingapura, em 2022, foi de aproximadamente US$ 10 bilhões, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores brasileiro.
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No comércio com o Brasil, Cingapura foi, em 2022, o 7º principal destino das exportações, com vendas de US$ 8,4 bilhões.
Além disso, Cingapura foi o segundo principal mercado das exportações brasileiras na Ásia, atrás apenas da China.
Em termos de investimentos, em 2021, Cingapura ocupou a 12ª posição como origem de investimento estrangeiro direto no Brasil.
"O acordo Mercosul-Cingapura abre oportunidades comerciais e de investimentos, ao mesmo tempo em que salvaguarda o espaço para a formulação de políticas de interesse público", disse o MRE em nota.
"Entre outros temas, o acordo possui compromissos em matéria de comércio de bens e serviços, investimentos, micro e pequenas empresas, compras governamentais, propriedade intelectual e medidas sanitárias e fitossanitárias."
Nos últimos meses, diplomatas do Mercosul e da UE intensificaram ainda mais os esforços para assinar um acordo. A pressa se dá porque a Argentina elegeu um presidente, que é contra o tratado — Javier Milei toma posse no domingo (10).
Só que a troca da guarda em Buenos Aires beneficia um outro país do bloco: o Uruguai — justamente por Milei não ter simpatia pelo multilateralismo, tirando o conservador Lacalle Pou do isolamento dentro do bloco.
De olho nessa janela de oportunidade, o governo uruguaio defendeu ontem, na véspera da Cúpula do Mercosul, o direito de seu país fechar um acordo bilateral com a China, driblando as regras do bloco que exigem negociações multilaterais e a aprovação de todos os membros.
"Queremos todo o Mercosul com a China. Mas, se o Uruguai puder avançar primeiro, acreditamos que também serve ao conjunto", disse o chanceler uruguaio, Omar Paganini.
Montevidéu tem buscado acordos bilaterais para destravar o comércio, mas esbarra na Tarifa Externa Comum (TEC) sobre as importações.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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