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Em Davos, Haddad critica a herança deixada por Bolsonaro e diz que o novo governo pretende promover uma mudança estrutural, o que inclui uma reforma tributária
Não é só o mercado financeiro que tem pressa de ver um novo arcabouço fiscal para o Brasil. O governo recém-empossado corre contra o relógio para elaborar uma nova âncora capaz de substituir o teto de gastos. Nesta terça-feira, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, prometeu apresentar uma proposta sobre o tema no máximo até abril.
“Recebemos uma herança delicada do governo anterior. Foi uma irresponsabilidade o que foi feito durante a eleição. “Medidas tomadas sem nenhum amparo técnico, mas não podemos pensar apenas em reverter. Se apenas revertemos, vamos nos debruçar no que estava se passando, baixo crescimento, concentração de renda”, disse Haddad a jornalistas.
O objetivo, segundo ele, é promover uma mudança “estrutural”, o que incluiria a aprovação de uma reforma tributária acompanhada de uma nova âncora fiscal. “É isso que vai dar sustentabilidade”, afirmou.
De acordo com o ministro, o fiscal é “pressuposto do desenvolvimento, mas não um “fim em si mesmo”.
“O fiscal é uma parte da lição de casa, mas não é a agenda econômica completa se você for pensar em desenvolvimento“, disse Haddad a jornalistas na estância alpina de Davos.
A intenção é promover uma agenda de reindustrialização voltada para a sustentabilidade ambiental e uma política de integração com a América Latina.
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Segundo ele, esses são os recados que pretende levar a investidores internacionais durante almoço promovido pelo Itaú Unibanco nesta terça-feira.
Ainda na visão de Haddad, o mercado está “menos tenso” em relação à questão fiscal.
No que diz respeito à reforma tributária, a intenção do governo é levá-la a debate em duas etapas.
De acordo com Haddad, no primeiro semestre será encaminhada uma reforma tributária com enfoque no consumo.
No segundo semestre, a ideia é colocar em pauta uma proposta de reforma tributária focada na renda.
Ao comentar sobre sua agenda em Davos, Haddad disse que está tendo “reuniões prospectivas” em busca de parcerias com agentes internacionais e informações para o Brasil se posicionar na comunidade global.
Pela manhã, o ministro já teve três compromissos em Davos. Um deles foi uma reunião com o ministro saudita de investimento, Al-Fahli, na qual tratou de concessões federais e estaduais.
“O governo saudita tem interesse em investir no Brasil por meio de parceria público privadas e concessões e está atento a editais de parceria do governo brasileiro e de estados vai lançar”, disse Haddad. “É um volume de recursos disponível muito importante”.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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